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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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  03/12/2005
  1 comentário(s)


A crise da mentalidade

Banalizamos magníficos meios que, sem seu uso coletivo, se prestam a atender mediocridades da individualidade perversa

A crise da mentalidadeGilson Aguiar*
Estamos vivendo a fase da discriminação absurda e da vaidade sem sentido. Não temos qualquer parâmetro para considerar que o outro não seja merecedor de algo que, na maioria das vezes, consideramos nós mesmos os únicos escolhidos para brilhante condição. Mas, infelizmente, não podemos negar que muitos não merecem o título que têm, e que expressam como uma fachada enganosa dos centros de consumo.

A individualização dos sentimentos, dos desejos, da falta de raciocínio além do umbigo vem se transformando na naturalização dos discursos. A burrice ganha espaço em locais antes reservados às mentes "brilhantes", ou, ao menos, pouco mais lúcidas.

Agora, estamos invadidos pelas mentes mancas que de trejeitos, cuja estética permite jeitos e bocas de intelectual com um convencimento tão profundo na mesma proporção que é raso o raciocínio. A imagem da intelectualidade fala mais alto que a necessidade de se saber o que se está falando.

Digo isto, por estar há mais de 15 anos no ensino superior e temer a produção de qualquer obra científica em que tenha de demonstrar com segurança um conhecimento a ser questionado. Na minha, talvez agora, velha formação, temia produzir bobagens, escrever asneiras, me expor ao ridículo. Contudo, alguns dos meus "companheiros de lugar", pois me nego a chamar de companheiros de profissão, não têm qualquer medo de produzir com uma diarréia mental e que pensam ser a produção brilhante de uma lógica que só eles entendem.

Estamos vivendo uma fase crítica da espécie humana. Já produzimos muito com o conhecimento e agora banalizamos o uso de magníficos meios que, sem seu uso coletivo, se prestam a atender mediocridades da individualidade perversa. Os celulares estão na sala de aula e desobedecem quaisquer regras da boa educação.

Muitos alunos entraram em sala falando ao celular e me pediram para parar de falar enquanto eles conversam. Minha aula será interrompida por um toque de banda de praça escolhido como campainha personalizada do aparelho de comunicação de um só elemento. Como tentarei resistir a esta invasão estou condenado a uma guerra constante, com o eterno direito do consumidor sem deveres e sem função.

Por isso, no meio acadêmico os livros de auto-ajuda têm se multiplicado na proporção em que a preocupação com a ciência e a sociedade se esvai pelo ralo. No futuro teremos um intelectual para cada um e nenhum com a capacidade de analisar como esses seres universais se encontram na sociedade que os rege.

Na academia começo a sentir saudade da ciência e começo a ficar incomodado com o retorno da religião.

A Revolução Francesa e todo o movimento que ela expressou colocou a mística teocêntrica para fora dos muros da razão. As universidades européias saíram da mão dos misticismos do Clero Católico ou da lógica mística do protestante para se fundar no princípio da razão científica. Eis uma das maiores conquistas do criticado mundo burguês.

Agora vejo que a fé está de volta como a lógica da cultura religiosa. Acreditaremos no futuro e comprovaremos cientificamente que Deus começará a existir de tanto esperarmos por ele ou acreditarmos na sua existência.

Talvez estejamos caminhando para a crença de que os problemas que imperam na humanidade sejam uma questão de ponto de vista ou do quanto somos capazes de acreditar que o mundo pode ser melhor, sem uma ação lógica, ideológica ou científica para muda-lo.

Enquanto cursos de teologia se propagam e a fé invade o conhecimento, estamos diante de um mundo que permite se pagar milhões de dólares para uma viagem ao espaço, e junto aos astronautas poder se sentir um.

Talvez, alguns de nós acreditemos que ficando ao lado do que funciona começaremos a funcionar. Quem sabe, segundo a mesma lógica, a fé vire ciência por estarem no mesmo lugar. É a lógica da osmose substituindo a lógica dos contrários, do que não se é.

Assim, o jovem vegetativo que nada quer com o ensino, os velhos expurgados do mercado de trabalho e da sedutora juventude viram brilhantes alunos e rejuvenesçam por pagarem a estadia dentro de uma universidade. Dessa forma, o profeta da auto-ajuda discursos místicos se tornem cientista e professor.

Imagem (capa e interna)/Cesar Costa

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