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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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  08/12/2007
  2 comentário(s)


Esse tal de jornalismo não serve pra mim

Um texto de 30 linhas, um desespero de duas semanas...; não sei dizer o que houve de errado, só espero que tenha sido momentâneo

Esse tal de jornalismo não serve pra mimGabriela Bortolon
Acordei e me dei conta de que tinha alguma coisa errada. Não sabia dizer o que era, mas algo não ia bem. Comecei a reparar que não conseguia mais escrever e duvidei de ter conseguido fazer isso algum dia. Minha crítica tinha ficado horrível, minha crônica...eram apenas imagens soltas em minha cabeça, não conseguia passá-las para o papel. Bateu um leve desespero. Pensei talvez ser culpa da posição que me colocava na frente do computador. Tentei sentar mais ereta, não, não resolveu.

Parei, olhei à minha volta. Se existe uma musa inspiradora para poetas, pintores e escritores, deve haver uma para jornalistas também. Procurei-a por todos os lados, debaixo da cadeira, do tapete, atrás da porta, mas, não, a danadinha não parecia estar por ali, nem sequer parecia realmente existir. Bom, talvez ela nem exista para os pintores, poetas e escritores. É mais provável que, assim como eu, eles tenham fracassado ao pegar o lápis na mão e, não tendo como explicar tal fracasso, jogaram a culpa na tal fada ou musa, ou seja lá o que ela for.

Lembrei-me de um gibizinho de Mônica, em que Mauricio de Souza contava uma historinha parecida com esta. Ri pela ironia do destino. Quando a li, achei-a engraçada, mas a minha falta de inspiração não me pareceu muito legal naquele momento. E o que poderia eu fazer? Fazia exatamente duas semanas que estava ali, parada em frente ao computador, com todos os dados que precisava para escrever o texto, entrevistas decupadas, dados sobre o assunto, foto do entrevistado...

Ah, não...cadê a foto? Não acredito...esqueci mais uma vez. Que tipo de jornalista eu vou ser se nem uma câmera eu carrego em minha bolsa? Pra que serve uma bolsa tão grande, então? Pra carregar um gravador é que não é, o meu parece uma caneta. Pelo menos do gravador eu me lembro...grande coisa...e se eu me deparar com um super acidente? Com um gravador não vou conseguir fotografar nada. De que me adianta. Bom, agora também é rezar para que o entrevistado possa me mandar uma foto ou ache uma na internet. Ok. Foto resolvida, o entrevistado vai me mandar por e-mail em 20 minutos. Menos mal.

Mas...e o texto? De que adianta ter tudo se não consigo formular um texto de 30 linhas? Algo de muito errado está acontecendo. Espera aí, será que eu nunca vou ser uma jornalista?

Pense comigo, num jornal temos cinco horas para pegar uma pauta, entrevistar as fontes, fotografar e escrever o texto final. Se faz duas semanas que estou tentando escrever e não consigo, acho que não sirvo para esse tal de jornalismo. Mas, então, eu sirvo pra quê?

E isso lá é hora de pensar assim? Falta um ano exatamente para terminar o curso e eu demorei nada mais do que três pra descobrir que não tinha o dom para isso. Vou levar mais quantos para descobrir qual a minha vocação? Calma, talvez seja a famosa crise de terceiro ano que todos dizem ocorrer. Deve haver uma bruxinha no terceiro ano assustando os estudantes de jornalismo menos informados e mais desesperados. Talvez eu seja a mais desesperada...ou aquela com menos vocação para esse tal de jornalismo. De qualquer forma vou tentar escrever esse texto amanhã, ou talvez eu nem o escreva, já passei na disciplina, mesmo...

Espera aí... Pára! Se eu já passei na disciplina isso quer dizer, óbvio, que eu não escrevo tão mal assim, então, talvez seja apenas uma crise. Ou talvez não, talvez não escreva tão bem assim também...

Chega...vou dormir...boa noite.


Imagem/Arquivo particular Gabriela Bortolon
gabrielabortolon@gmail.com


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