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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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  19/11/2005
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O ilusório poder de compra do fim de ano

A falsa idéia da harmonia entre emprego e consumo só poderia mesmo ser sustentada em um sonho natalino

Gilson Aguiar*
Acabo de ler uma reportagem sobre o aumento da oferta de emprego no final do ano. Junto a esta reportagem a divulgação de uma pesquisa sobre a intenção de consumo do maringaense.

O emprego temporário irá aumentar em mais de 35% a oferta de trabalho, segundo a pesquisa, a maioria dos que preencherão as vagas estará tendo o seu primeiro emprego. E, quem diria, temporário.

O final de ano é sempre uma felicidade incomparável do desejo de realizar sonhos, mas, como o emprego de final de ano, será temporário. A falsa idéia da harmonia entre emprego e consumo só poderia mesmo ser sustentada em um sonho natalino. O presente em forma de emprego, o poder de compra ganha um potencial assustador da aparente melhora. Contudo, essa condição passageira é eternizada nas propagandas das lojas e das financeiras como permanente.

O consumidor, ávido em potencializar o seu poder de compra, estará seduzido pelos empréstimos eternos para quem tem uma condição temporária. Desta fantasia nem os aposentados escapam.

Trocamos as lutas pelos reajustes salariais e pela melhoria do emprego e trabalho por dinheiro fácil, cedido em cada esquina ou no balcão de quase todas as lojas de rede nacional.

Esta semana, observei em um terreno baldio e anunciado em uma placa modesta, de madeira, distante dos outdoors reluzentes da cidade, um anúncio de empréstimos para os aposentados. Esta é a prova de que os bancos estão se popularizando na prática de explorar e atingir níveis insuportáveis. Desta lição considero que os bancos se proliferam na mesma proporção que os empréstimos. Bancos novos surgem todos os dias, a espoliação do homem comum ficou viável e fácil, as garantias de sua sobrevivência real é que se afastam cada vez mais.

Por isso a condição de ser banqueiro está se democratizando, e de morrer sem aposentadoria também. Engolida pelos juros e empréstimos concedidos com tanta facilidade, a população começa a se ver no mundo de sonhos e de ambientes construídos pelo paraíso fantasioso da realização de nossos desejos, que, ao final, se transformarão no inferno do Cartão de Crédito ou dos empréstimos infinitos.

Parece-me que estamos condenados a morrer com dívidas e viver na incerteza se a alegria do consumo não terá sido nossa condenação por não aprender a raciocinar com uma calculadora nas mãos.


Este espaço contempla a contribuição de alunos, docentes ou profissionais de quaisquer áreas que queiram transmitir idéias e gerar reflexões acerca de assuntos de interesse coletivo. Os comentários que não tiverem o nome completo do autor e email para contato não serão publicados.


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