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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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  10/12/2005
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STEPHAN DOITSCHINOFF - "Gosto de viajar para poder pintar, para ter mais inspiração"

Artista plástico paulista que já vendeu telas para o astro Jimmy Page prepara, agora, a arte do novo CD da banda Sepultura

STEPHAN DOITSCHINOFF - Rodolfo Fróis*
Quem, quando criança, nunca rabiscou a parede de casa com giz de cera? Quem, quando criança, nunca sujou a roupa com tinta guache? Dessas brincadeiras surgem grandes talentos, como é o caso do artista plástico Stephan Doitschinoff. Ele nasceu em São Bernardo do Campo (SP) há 28 anos. Na infância, brincava na rua, andava de carrinho de rolimã e skate. Aos 6 anos se interessou por arte e começou a desenhar. Na adolescência fez cursos para aprender novas técnicas. No começo dos anos 1990 conheceu a arte de rua e se apaixonou. Com seu trabalho inovador, ganhou notoriedade na cena paulistana. Chegou a trabalhar para as marcas Red Bull e Ellus.

Este ano, recebeu convite do Sepultura (banda mineira de heavy metal) para fazer a arte do novo CD do grupo. O conceito do disco é baseado na obra Divina Comédia, do poeta italiano Dante Aliguieri. "O Sepultura me contratou para pintar uma série de dez telas inspiradas no livro e nas músicas", explicou Doitschinoff.

No inicío dos anos 2000, mudou-se para a Europa. Lá teve vários trabalhos expostos, chegando a vender telas para o astro Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin. "Jimmy e a mulher dele compraram telas minhas, eles foram na minha exposição em Windsor [Reino Unido]." Além disso, teve uma arte publicada em um livro na França. Por falar em livro, Calma, como é conhecido, fez a capa de um livro da antropóloga Florencia Ferrari, no Brasil.

A reportagem pediu uma fotografia dele para ser publicada junto a esta entrevista. E vez disso, preferiu apresentar um de seus trabalhos, Oir El Numen, reproduzido nesta página. Leia abaixo os principais trechos da entrevista que ele concedeu na semana passada, parte por e-mail, parte por serviço de mensagem instantânea:

Você nasceu No ABC Paulista, em 10 de março de 1977. Fale um pouco sobre a sua infância.
Meu pai era pastor evangélico, cresci entre a igreja e a rua. Quando eu era criança curtia ficar na rua, jogar taco, andar de carrinho de rolimã e mais tarde passei para o skate. Nasci em São Bernardo, mas cresci no planalto paulista, na zona sul de São Paulo.

Quando e como começou o interesse por arte?
Desenho desde criança, acho que desenho desde uns 6 ou 7 anos.

Você fez algum curso?
Fiz alguns cursos aleatórios, mas nunca fiquei muito tempo em nenhum deles. Tenho dificuldade em me manter numa sala de aula. Quando adolescente fiz uns meses de curso de história em quadrinhos. Há uns anos ganhei uma bolsa para aprender pintura a óleo, mas larguei depois de três meses.

Qual a sua especialidade?
No momento ler e cozinhar [risos].

Quando foi o seu primeiro primeiro contato com o grafite?
Meu primeiro contato com arte de rua foi fazendo stencil no começo dos anos 90.

Você já fez trabalhos para a Red Bull. Como foi essa experiência?
Foi um convite da revista Simples junto com a Red Bull para fazer um anúncio especial para sair na revista.

Você já trabalhou com a Ellus. Como surgiu o convite e qual foi o trabalho?
Em 2003 fui convidado, juntamente com alguns outros artistas e estilistas, para fazer uma série de peças customizadas para a Ellus 2nd Floor, assim como alguns manequins para a festa de lançamento, e acabei fazendo também um painel no interior da loja.

O Sepultura convidou você para fazer a arte do novo CD da banda. Como foi o convite e como ficaram os desenhos?
O conceito do disco gira em torno da "Divina Comédia", livro escrito no ano de 1300 pelo italiano Dante Aliguieri. Para ilustrar o disco, o Sepultura me contratou para pintar uma série de dez
telas inspiradas no livro e nas músicas, que ilustrarão o disco e serão expostas juntamente com uma série de desenhos e esboços na ocasião do lançamento do disco [agendado para março do ano que vem].

Você já teve trabalhos expostos em outros países. Como foi isso?
Em 2002 morei na Inglaterra e fiz duas exposições, uma em Londres e uma em Windsor. Fiz vários contatos e a partir dai surgiram novos contatos.

É verdade que você já vendeu uma tela para Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin?
Sim, o Jimmy e a mulher dele compraram telas minhas. Eles foram na minha exposição em Windsor. Fiquei muito contente, são pessoas muito legais.

Você já saiu em um livro na França. Que livro é esse?
Art de Rue, FreePress/Artifacts.

O livro reúne artistas do mundo todo?
Sim. É um livro com foco em artes urbana, com artistas de diversos países, como França, Alemanha, Estados Unidos e Brasil.

Por falar em livro, você já fez uma capa no Brasil. De quem é esse livro?
Ilustrei o livro Palavra Cigana, de Florencia Ferrari.

Para fazer a arte do novo CD do Sepultura, você foi para Lençóis (BA). Por que?
Para conseguir me concentrar melhor e para curtir tambem. Gosto de viajar para poder pintar, sem o telefone tocando toda hora e para ter mais inspiração.


Por que o chamam de Calma?
Calma era um termo que eu usava mesmo antes de fazer trabalhos na rua. Escrevia essa palavra compulsivamente nos meus desenhos e foi para rua naturalmente.


Imagem/Reprodução de Oir El Numen, de Stephan Doitschinoff



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