| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

Capa |  Artigos & cia  |  Cidadão Maringá  |  Comentário  |  Conto  |  Crítica  |  Crônica  |  Entrevista  |  Erramos  |  Geral  |  Livro  |  Moda  |  Opinião  |  Reportagem  |  Você no MP


 Artigos & cia
  27/10/2007
  0 comentário(s)


Tropa de Elite
Na última quarta feira, com grande esforço, consegui ir até o cinema para assistir o tão polêmico e falado filme Tropa de Elite. O maior mérito do filme é ter suscitado um forte e candente debate.

O filme dirigido por José Padilha retrata o dia-a-dia do grupo de policiais e de um capitão do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pela honestidade e honra ao realizar suas funções, se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam.

O filme tem cenas de ação, tiroteios, corrupção, torturas e tal, mas no geral o filme é bem realista, que tem como proposta trazer a visão dos policiais (os do BOPE), coisa inédita no Brasil, já que PM não tem voz nesse país, não poderia faltar uma boa dose de crítica social. Aliás, o filme traz apenas duas categorias de policiais: os corruptos e os do BOPE. Já que, como esta dito no filme, o policial tem três escolhas: ou ele se corrompe, ou se omite ou vai para a guerra. Ou derrota o crime ou é derrotado por ele.

Segundo a Revista Veja (17/10), em uma pesquisa encomendada ao Instituto Vox Populi, dos entrevistados, 94% gostaram do filme; 79% dizem que o filme mostra a polícia como ela é; 72% consideram que, em tropa de elite, os traficantes são tratados como merecem; 51% acham que a tortura não é um meio aceitável para obter a confissão de um bandido; 53% julgam o capitão nascimento um herói e 85% dos entrevistados afirmam que o Capitão Nascimento tem razão ao dizer que a culpa pela existência dos traficantes é dos usuários de drogas.

O que me chamou a atenção é a cena que desmascara a nossa hipocrisia quando o Capitão Nascimento atribui a culpa (ou parte dela) pelo tráfico de drogas e pela violência, a elite, aliás, são estes que fazem passeatas pela paz, cobram providências e compactuam com a bandidagem para abrir ONGs em favelas. Se existem traficantes de drogas, é porque há milhares de consumidores que os bancam.

Pelo menos nessa área a solução é simples: só deixar de comprar. Se a sociedade ou esses metidos a intelectuais, que acham bonito curtir um baseado, se conscientizassem das conseqüências que um gesto dessa natureza pode gerar, certamente seria mais eficaz do que qualquer lei, qualquer medida punitiva.
Os traficantes aparecem sem romantismo, terrivelmente violentos e dispostos a semear o terror e a morte para manter o controle do mercado.

Infelizmente só a parte dos traficantes que estão no morro que a PM combate, enquanto muitos dos chefões transitam engravatados por aí em seus carros importados, fazendo parte da alta sociedade, taxados como "homens de bem" etc.

Outro ponto provocativo é que, como os policiais do BOPE são os mocinhos do filme, e torturam todo mundo para obter informações, dá a impressão de que o filme quer fazer o espectador aceitar a tortura como meio legítimo (ou inevitável) de se combater o tráfico, aliás, o que já é aceito por muita gente no Brasil. Desde que o torturado não seja seu amigo, parente ou conhecido, é claro.

Em suma, o filme é excelente. Obrigatório assistir para quem é policial e para quem quer entender um pouco mais como funciona a polícia. Quem quer somente diversão, vai se surpreender e vai sair achando que valeu muito a pena ter ido ao cinema.

Este espaço contempla a contribuição de alunos, docentes ou profissionais de quaisquer áreas que queiram transmitir idéias e gerar reflexões acerca de assuntos de interesse coletivo. Os comentários que não tiverem o nome completo do autor e e-mail para contato não serão publicados.


  Mais notícias da seção ° no caderno Artigos & cia
08/12/2007 - ° - O ano em que nos tornamos jornalistas
Ano cheio de descobertas, alegrias, tristezas, momentos bons e ruins, que guardaremos sempre em nossas lembranças ...
08/12/2007 - ° - MP prova que bom desempenho depende de compromisso
Para quem acredita que ser jornalista é fácil, o Matéria Prima mostra que jornalismo está ligado a esforço e dedicação ...
08/12/2007 - ° - Esse tal de jornalismo não serve pra mim
Um texto de 30 linhas, um desespero de duas semanas...; não sei dizer o que houve de errado, só espero que tenha sido momentâneo ...
01/09/2007 - ° - SATISFIRE - "Tocar com Andréas Kisser foi uma injeção de ânimo"
A banda Satisfire fala sobre as influências de seu novo disco e mostra que nem só de metal vivem os metaleiros....
26/05/2007 - ° - Sem voz, cronista caminha para a glória
Aos 74 anos, escritor sente as pernas tremerem ao escutar seu nome e a voz lhe foge novamente, assim como na infância ...
21/04/2007 - ° - Exageros da síndrome "the greatest hits"
A estratégia das gravadoras é lucrar; para tanto, vale vender as mesmas canções diversas vezes em nome do dinheiro...
14/04/2007 - ° - DeVotchka e a sorte do bilhete premiado
O cinema é o passaporte do sucesso para algumas bandas; ser imigrante na fonografia costuma ser eficiente...
07/04/2007 - ° - As bizarrices da criação literária de Almodóvar
Despudorada e viciada em música dance, a personagem Patty Diphusa exemplifica a juventude espanhola na década de 1980...
31/03/2007 - ° - Maria Antonieta e o (indevido) espírito roqueiro
Na cinebiografia da última rainha francesa, Sofia Copolla abre mão do bom senso estilístico e exagera na dose musical...
07/10/2006 - ° - Uma verdadeira viagem de outro mundo
Vi aqueles "monstros" tomando as cidades, destruindo as casas, as escolas, tudo. Só de lembrar dá um frio na espinha ...
09/09/2006 - ° - Uma noite de Broadway em Paranavaí
O que poderia ser apenas mais uma noite de trabalho transformou-se em uma noite de sonhos...musicados...
01/07/2006 - ° - A Copa do Mundo é delas, das mulheres
No futebol, o público feminino também está batendo um bolão, e não é dentro do gramado, mas em frente à televisão...
29/04/2006 - ° - Conselho de pai
10/12/2005 - ° - A grande contradição do Natal
Temos sempre uma mensagem que contradiz nossos atos, e assim jamais nos responsabilizamos pelo que não fomos capazes de cumprir ...
10/12/2005 - ° - STEPHAN DOITSCHINOFF - "Gosto de viajar para poder pintar, para ter mais inspiração"
Artista plástico paulista que já vendeu telas para o astro Jimmy Page prepara, agora, a arte do novo CD da banda Sepultura...
03/12/2005 - ° - A crise da mentalidade
Banalizamos magníficos meios que, sem seu uso coletivo, se prestam a atender mediocridades da individualidade perversa...
19/11/2005 - ° - O ilusório poder de compra do fim de ano
A falsa idéia da harmonia entre emprego e consumo só poderia mesmo ser sustentada em um sonho natalino...
29/10/2005 - ° - Religião e Cidadania
Com tanto "mico" que nós, brasileiros, já pagamos, como se não bastasse, deixaram mais um "abacaxi" para um povo humilde...
16/09/2005 - ° - Uma história de tirar o fôlego... de tanto rir
O livro "A esdrúxula epopéia de Pelipe e D. Leopolda" é um bom remédio para curar o mau-humor: as risadas são garantidas...
11/06/2005 - ° - Lembranças geniais duma mente fantástica
Existem as regras, as linhas retas, os ângulos retos, projéteis e projetos: para vocês existem restos, os restos, os restos: excrementos...



Capa |  Artigos & cia  |  Cidadão Maringá  |  Comentário  |  Conto  |  Crítica  |  Crônica  |  Entrevista  |  Erramos  |  Geral  |  Livro  |  Moda  |  Opinião  |  Reportagem  |  Você no MP
Busca em

  
1989 Notícias