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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá

  23/06/2008
  3 comentário(s)


Carlos Eduardo Rossi - "Sim, me considero capaz"

Com força de vontade ele ultrapassou barreiras e mostrou que a paralisia cerebral não pode ser apenas uma deficiência

Carlos Eduardo Rossi - Carina Bernardino
No dia 20 de novembro de 1972, no Hospital e Maternidade São Marcos de Maringá, nasceu uma criança que receberia o nome de Carlos Eduardo Rossi. Filho de dona Amélia e seo Paulo, passou por uma complicação no parto e por falta de oxigenação no cérebro sofreu paralisia cerebral. Membro de uma família simples, em 1973, quando completou seis meses de idade, começou a fazer sessões de fisioterapia. Para isso, era preciso deslocar-se a Londrina (distante 100 km) a cada 15 dias. Até que, em 1974, o fisioterapeuta que o atendia mudou-se para Maringá.

Aos 5 anos, "Carlão", como já era conhecido, ingressou na Associação Norte Paranaense de Reabilitação (ANPR) para iniciar seus estudos no maternal, e parte da sua fisioterapia passou a ser desenvolvida na própria instituição. Nesse período, como continuidade do tratamento, foi submetido, aos 7 anos, à primeira cirurgia. Até hoje já passou por mais sete, entre as quais na virilha, atrás do joelho, no tendão de Aquiles e no pé direito para facilitar o equilíbrio.

A ANPR foi palco de seu aprendizado até a 4° série do primário, mas, por não possuir o restante do ensino fundamental, a opção foi buscar novos horizontes. A reportagem do jornal Matéria Prima conversou com Rossi, considerado um caso de superação e um exemplo a ser seguido.

O que marcou sua vida na etapa escolar?
No Colégio Branca da Mota iniciei a 5ª série como um desafio, enfrentei dificuldades de adaptação e preconceitos por partes dos colegas de classe, dos quais me recordo até hoje. O que mais marcou foi quando, por não conseguir ficar na fila para acompanhar a execução do Hino Nacional, fui conduzido à sala de aula, e quando precisei me deslocar na presença dos colegas, eles riram de mim, ao ver minha dificuldade de locomoção. Essa ação foi repreendida pela professora.

O que você já fez para driblar a sua deficiência?
Desde pequeno meus pais me levavam para todo e qualquer lugar, procurando sempre me incluir junto de todas as atividades, sempre me educaram fazendo com que eu percebesse que a minha deficiência era pequena se comparada com a de muitas outras pessoas, ou até mesmo pessoas sem qualquer tipo de deficiência, mas sem qualquer perspectiva de vida.

E como surgiu a idéia de fazer uma faculdade?Qual foi sua maior dificuldade?
Ao final do ensino médio, participava de um grupo de jovens, onde a maioria dos amigos estava se preparando para entrar na faculdade. Foi aí que surgiu a idéia, e com apoio de meus pais e dos amigos que me deram força. As dificuldades foram varias, pois a minha inexperiência dificultava. Eu não conseguia copiar as matérias do quadro, dificuldade eliminada pela ajuda de colegas da classe que colocavam carbono e papel em seus cadernos originando uma cópia para mim. Cheguei até a pensar em desistir do curso, mas, ao conversar com meus pais, eles se prontificaram a me ajudar ainda mais. Meu pai passou a estudar todas as matérias junto comigo, para que eu entendesse melhor o assunto, e isso foi até a monografia.

Como é o seu trabalho na OGN CVI?
Eu sou um dos membros fundadores do CVI [Centro de Vida Independente] de Maringá, e até o início da faculdade eu participava da diretoria, mas hoje participo de alguns de seus programas e atividades. Na AMDD [Associação Maringaense de Desporto para Deficientes] sou 2º secretário e também participo de seus treinos e suas competições. E atualmente na AMDF [Associação Maringaense de Deficientes Físicos] sou 1º secretário, também participo de seus programas e suas atividades.

Você se considera uma pessoa capaz para executar qualquer coisa?
Sim, me considero capaz, e tendo concluído uma faculdade já é uma demonstração de persistência e obstinação para com aquilo que eu desejo, mas é claro que encontro algumas dificuldades em muitos aspectos do cotidiano, o que me impede ou dificulta a realização [de algumas tarefas].

Atualmente quais os tipos de atividades ocupam seu tempo?
Faço hidroterapia, natação, academia, treinos de bocha adaptada, cultivo bonsai aos sábados em uma floricultura, trabalho meio período em uma biblioteca e freqüento uma danceteria aos finais de semana. A natação foi indicada desde criança, as demais atividades físicas foram selecionadas conforme minha dificuldade.

Imagem/Carina Bernardino
Rossi: "minha deficiência era pequena comparada à de outros"

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