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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá
  30/06/2007
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EMANUEL DOS SANTOS - "Amo meu trabalho e só vou parar o dia que Deus me chamar"
Pedreiro enfrenta todos os dias uma nova jornada de trabalho, suportando até nove horas de serviço pesado
EMANUEL DOS SANTOS - Rafael Andrian
Emanuel dos Santos, 58, nasceu em Feira de Santana " Bahia. Com dez anos se mudou para Maringá junto de sua família. Pretendiam ter uma vida mais tranqüila e digna. Emanuel sempre ajudou o pai no trabalho, desde a época de infância, e não teve muitas oportunidades para estudar. Aos 21 anos, iniciou sua profissão de pedreiro, que exerce até hoje.

Morador do Conjunto Requião, em Maringá, vive com sua mulher e mais dois filhos em uma apertada casa que ele mesmo construiu com a ajuda de vizinhos e amigos. Todos os dias, às 5 horas, Emanuel acorda para ir ao trabalho, uma rotina dura e desgastante que o pedreiro encara há pelo menos 30 anos. Em entrevista ao jornal Matéria Prima, ele conta que, já ajudou a levantar mais de 400 casas em Maringá, e que ainda possui fôlego suficiente para continuar a sua dura jornada de trabalho. Sustentar a mulher, que no momento está desempregada, e seus dois filhos sempre foi a principal meta do trabalhador.

Como foi que o senhor e seus pais vieram parar em Maringá?
Estávamos passando dificuldade na Bahia. Feira de Santana vinha sendo castigada pela seca, então meus pais tiveram a idéia de sair do Nordeste e procurar uma cidade que pudesse trazer esperança para nossa família. Meu pai sempre falava que tínhamos alguns parentes no Paraná, mais precisamente em Londrina, mas nunca conseguimos falar com nenhum deles quando chegamos a Maringá. Logo, meu pai conseguiu arrumar trabalho em uma serraria. Percebemos que tínhamos feito a escolha certa, deixando o Nordeste e vindo para o Sul.

Como o senhor iniciou sua profissão de pedreiro?
Eu sempre ajudei meu pai com o serviço. Desde pequeno eu e meus irmãos ajudávamos no trabalho na roça. Quando viemos para Maringá, comecei trabalhando como roçador para grandes fazendeiros da época. Aos 21 anos, eu estava noivo, e comecei como auxiliar de pedreiro, aprendendo todos os passos de uma obra. Iniciei batendo massa, fazendo misturas, descarregando caminhões e ajudando na limpeza. Eu era analfabeto quando comecei na profissão. Meus colegas de trabalho me ensinaram a ler e escrever, sem dúvida devo muito a eles. Hoje consigo fazer operações matemáticas complicadas. Me orgulho em dizer que já ajudei a construir mais de 400 casas em Maringá e região. Tenho muito orgulho em fazer parte da historia desta cidade maravilhosa.

Em mais de trinta anos de profissão, o senhor já sofreu algum tipo de acidente?
Sim, várias vezes martelei meu dedo, já me cortei com serrote, pisei em um prego que estava preso a uma tábua e fui parar no hospital. Mas o pior acidente foi em 1998, quando na reforma de uma casa, me desequilibrei do telhado e cai de uma altura de seis metros. Fiquei três dias em coma no pronto-socorro, além de uma costela quebrada e o braço direito fraturado. Esse, por sinal, foi o pior momento de minha vida. Tive que ficar parado durante quase quatro meses para me recuperar. Depois disso nunca mais aconteceu nada de ruim comigo. Todos os dias antes de dormir, e quando me levanto, peço a proteção divina para que nada de ruim possa acontecer comigo, ou com meus familiares.

Quais as obras que o senhor trabalhou que o deixam mais orgulhoso?
Em especial foram duas. Primeiro eu ajudei a construir a igreja Espírito Santo. Eu sempre fui católico e devoto de Padre Cícero, então construir um templo para Jesus foi muito emocionante para mim. Outro monumento que me deixa orgulhoso é o estádio Willie Davis. Trabalhamos quase dois anos para a construção do estádio. Sempre que eu passo na frente do campo, fico orgulhoso em lembrar que eu ajudei construir tudo aquilo. Às vezes tenho vontade de ir assistir a um jogo lá, mas não me sobra dinheiro para isso.

Com o dinheiro que o senhor ganha, sustentar a família é complicado?
Graças a Deus comida nunca faltou em casa. Trabalho duro para tentar dar o mínimo de conforto para minha família. Temos uma vida simples, não temos luxo. Temos televisão colorida, colchões de qualidade, sofá, uma cozinha. Em março consegui realizar o sonho de minha esposa. Dei para ela um forno de microondas. Não podemos reclamar de nossa vida. Temos o mais importante: respeito e carinho um pelo outro. Nossa família encara todos os problemas de cabeça erguida. Sou muito grato à cidade de Maringá, que me acolheu com tanto amor.

Imagem/Rafael Andrian
O pedreiro Emanuel dos Santos acorda todo dia às 5 horas

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