| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

Capa |  Artigos & cia  |  Cidadão Maringá  |  Comentário  |  Conto  |  Crítica  |  Crônica  |  Entrevista  |  Erramos  |  Geral  |  Livro  |  Moda  |  Opinião  |  Reportagem  |  Você no MP


 Cidadão Maringá
  07/07/2007
  0 comentário(s)


FRANCISCA DIAS - "Estou velha, mas não estou morta"
Esbanjando simpatia e disposição aos 82 anos, limpadora de túmulos tem histórias singulares de lutas e conquistas
FRANCISCA DIAS - Victor Cardoso
Francisca Dias é prova viva de que as aparências enganam. A franzina senhora de 82 anos, teria todas as desculpas possíveis para se entregar ao sossego de um lar. Porém, a cidadã maringaense, como ela própria se intitula, pratica uma atividade pouco usual. Limpando túmulos do cemitério municipal de Maringá há mais de 25 anos, ela consegue manter sua humilde casa e levar sua vida.

Natural de Barretos (interior de São Paulo, distante 596 km de Maringá), Francisca chegou à cidade em 1965, com 40 anos. A partir daí, passou por inúmeras experiências trabalhando em diversas casas como empregada doméstica. Hoje, é uma das profissionais mais procuradas na área em que atua. Preferência adquirida pela competência e bom humor, como garante, timidamente.
Entre a limpeza de um túmulo e outro, sintonizando seu pequeno rádio e arrumando o lenço preso à cabeça, Francisca concedeu ao jornal Matéria Prima mais que uma entrevista. Contou, a princípio um pouco acanhada, mas depois espontaneamente, um exemplo de vida a ser seguido.

Por que a senhora veio trabalhar em um cemitério?
Eu trabalhava há algum tempo em uma casa. Até quando a família me pediu para limpar o túmulo de um parente deles aqui. Quando eu estava limpando chegaram duas pessoas e pediram para eu limpar outro também. Eu, que não sou boba, mais que depressa fiz o serviço e ganhei uma boa "graninha". Depois disso, resolvi vir aos finais de semana para ver como era o movimento e ficava carregando os baldes para as outras limpadoras, querendo espiar como elas faziam. Em três vindas, já tinha oito túmulos para limpar, fora o da minha patroa. Eu vi que aqui, mesmo sendo um cemitério, era um bom lugar para se trabalhar. [risos]

Quantos túmulos a senhora limpa atualmente e como é a remuneração?
Hoje eu limpo mais ou menos 60 túmulos por mês. Tenho clientes antigos, desde quando entrei aqui. Trabalho de terça a sábado das 7h30 até as 16h30, e quase nem paro para nada. Sou responsável pelo serviço e os que me contratam não chamam outra pessoa para fazer meu trabalho. Bem, sobre o salário, eu consigo sustentar minha casinha de madeira, comprar minha comida e dar uns presentinhos para os meus netos. Faça as contas então. Eu cobro R$ 10 por túmulo, mas tem pessoas que me pagam até R$ 30.

Como a senhora descreveria sua rotina?
Eu venho aqui para trabalhar mesmo. Não consigo fazer nada sem meu rádio e minha garrafa de café. Passo o dia escutando programas religiosos, já sei o horário de todos. Eu não almoço, trago só um lanchinho, fruta, bolacha, no máximo um pão com mortadela. Trazer comida é ruim, porque enche de mosquitos quando vou comer. De vez em quando minha nora vem aqui, aí eu proseio um pouco, mas eu prefiro fazer meu serviço sozinha, rende muito mais.

Qual o fato que marcou a senhora nesses 25 anos de profissão?
Nossa, com certeza foi eu ter conhecido o cantor Daniel. E não foi como as outras fãs dele não. Ele sabe quem eu sou. Há uns três anos ele veio visitar o cemitério. Chegou aqui disfarçado e eu fui mostrar tudo para ele, mas só quando ele foi embora eu e uma amiga lembramos de onde o conhecíamos. Mas o melhor foi no ano passado. Eu estava chegando aqui e um carro todo escuro me parou, abriu o vidro traseiro e me deu uma foto. Era o Daniel. A foto estava autografada, ele sorriu e foi embora. Foi muito emocionante.

A senhora tem 82 anos. O que diria às pessoas com a mesma idade?
Quanto mais idade a gente tem, mais exercícios é preciso fazer para não entravar. Eu não sei como tem gente que fica parado, em casa, sem fazer nada. Eu estou na minha melhor idade, tenho meus problemas de saúde, mas são poucos perto daquelas pessoas que não fazem nada e só reclamam. Eu estou velha, mas não estou morta. Eu diria para todos se movimentarem e aproveitarem a vida.

Imagem/Victor Cardoso
Francisca Dias limpa túmulos há mais de 25 anos

OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TIVEREM O NOME COMPLETO DO AUTOR E EMAIL PARA CONTATO NÃO SERÃO PUBLICADOS


  Mais notícias da seção ° no caderno Cidadão Maringá
23/06/2008 - ° - Carlos Eduardo Rossi - "Sim, me considero capaz"
Com força de vontade ele ultrapassou barreiras e mostrou que a paralisia cerebral não pode ser apenas uma deficiência ...
10/11/2007 - ° - GIUSEPPE MILANI - "O Brasil tem futuro daqui a 50 anos"
Apaixonado pela gastronomia, chef conta um pouco de sua trajetória e fala sobre o futuro da atividade no País...
03/11/2007 - ° - JULIEDES NUNES - "Enfrento mais preconceito trabalhando como policial do que como gari"
Ex-gari deixou o ofício há mais de um ano em Maringá, mas fala com carinho do trabalho...
13/10/2007 - ° - LUIZ KOSHIBA - "Aqui não dá pra se viver só de música"
Para o pioneiro muito trabalho e boa música são os ingredientes perfeitos de uma vida saudável, tranqüila e longínqua...
29/09/2007 - ° - VALDOMIRO ALEXANDRE - "Não preciso de muita coisa para ser feliz"
Vida de jardineiro vai muito além de limpar casas; ele passa por momentos únicos todos os dias em seu trabalho...
15/09/2007 - ° - CLOVES DA ROCHA - "Trabalho de engraxate é desvalorizado"
Apesar de todas as dificuldades, engraxate concursado para agente de saúde pública não troca sua profissão por nada...
08/09/2007 - ° - OSVALDO VERLI - "Quando estou de férias, sinto falta do pessoal"
Vendedor de raspadinha diz que só deixaria de trabalhar se ganhasse na Mega Sena ou se alguém o tirasse dali...
01/09/2007 - ° - Maria Tereza Garcia - "Ajudo os carentes para realização pessoal"
Há mais de uma década mulher de 53 anos trabalha voluntariamente fazendo "sopão" e distribuindo aos necessitados ...
18/08/2007 - ° - ONÉDIO CARDOSO - "Hoje sou um taxista feliz"
Quase 30 anos trabalhando em banco e sete dentro de um táxi, ele gosta mesmo é de lembrar da época em que jogava futebol...
11/08/2007 - ° - ALBERTO ARI DA SILVA - "Faço meu trabalho com amor e respeito"
Tratorista foi criado na roça, estudou até quarta série e hoje conduz o trenzinho do Parque do Ingá...
30/06/2007 - ° - EMANUEL DOS SANTOS - "Amo meu trabalho e só vou parar o dia que Deus me chamar"
Pedreiro enfrenta todos os dias uma nova jornada de trabalho, suportando até nove horas de serviço pesado...
23/06/2007 - ° - MOACIR APARECIDO LANGUINI - "Eu ganho é na quantidade"
Dono de bar aposta em vender cerveja a preço abaixo da média e faz sucesso em Maringá...
16/06/2007 - ° - JOSÉ XAVIER - "Não tenho vergonha de dizer que sou engraxate"
Vida de engraxador vai muito além de polir sapatos; ele passa por situações únicas todos os dias...
26/05/2007 - ° - GILBERTO JORDÃO - "Quero vencer com minha inteligência"
Professor mostra que sonhos são possíveis, mas que é preciso talento e coragem para conseguir colocá-los em prática...
12/05/2007 - ° - CONCEIÇÃO MOLEIRINHO BAPTISTA - "O catequista deve ser um agente transformador"
Segundo voluntária religiosa, a Igreja encontrou formas criativas para continuar a missão cristã por meio dos jovens...
28/04/2007 - ° - LOURIVAL BATISTA GOMES - "Somos uma família, na verdade"
Como um dos mais antigos do Cesumar, encarregado da manutenção cultiva um grande carinho e respeito pelo trabalho que faz...
21/04/2007 - ° - ZUZA BALBINO DOS SANTOS - "Posso perder o emprego de vigia, mas será por um bem maior"
Segurança garante que o rebaixamento da linha férrea de Maringá será benéfico para o trânsito e até para ele...
14/04/2007 - ° - JOÃO DONIZETI DE ALMEIDA - "Os pequenos jogadores são os futuros craques do País"
Técnico voluntário de futebol dedica boa parte do seu tempo para treinar crianças de projeto social...
07/04/2007 - ° - ARLINDO PADOVAN - "Meu trabalho é tranqüilo no parque"
Segurança do Parque do Ingá diz que nunca ocorreram incidentes durante o período em que esteve trabalhando como vigia...
31/03/2007 - ° - LUIZ CARLOS DE LIMA - "O governo acha melhor fazer cadeia do que investir na arte"
Malabarista maringaese trabalha em semáforos e investe o dinheiro que ganha na educação e cultura ...



Capa |  Artigos & cia  |  Cidadão Maringá  |  Comentário  |  Conto  |  Crítica  |  Crônica  |  Entrevista  |  Erramos  |  Geral  |  Livro  |  Moda  |  Opinião  |  Reportagem  |  Você no MP
Busca em

  
1989 Notícias