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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá
  16/06/2007
  1 comentário(s)


JOSÉ XAVIER - "Não tenho vergonha de dizer que sou engraxate"
Vida de engraxador vai muito além de polir sapatos; ele passa por situações únicas todos os dias
JOSÉ XAVIER - Willian Yudi
Há quem diga que existem profissões valorizadas e outras sem qualquer importância. Porém, para José Xavier, ou "Baiano", como prefere ser chamado, isso está errado. Nascido na cidade de Jacobina " interior da Bahia " em 1952, Xavier revela que um dos grandes males da sociedade é pensar que o trabalho de um engraxate não vai além do simples ato de polir sapatos.

Xavier veio para Maringá de pau-de-arara (transporte popular no Nordeste brasileiro, em que trabalhadores se acomodam em tábuas colocadas sob a lona de um caminhão), escondido no veículo de seu primo. Chegou à cidade em 1958, quando tinha 6 anos. De lá para cá, passou por muitas experiências e adquiriu popularidade e freguesia, estabelecendo-se como engraxate na avenida Getúlio Vargas.

Em entrevista ao jornal Matéria Prima, ele conta que, além de polir sapatos, cuida da avenida Getúlio Vargas e, sempre que pode, está ajudando as pessoas com informações. Tanto é que, só durante a entrevista, quatro pessoas vieram pedir ajuda ao engraxate para se localizarem na cidade.

Como foi que o senhor decidiu seguir a vida trabalhando como engraxate?
Foi logo quando eu cheguei aqui. Naquela época, comecei a trabalhar muito cedo. Eu era garotinho e estava morando com meu tio. Então tive de aprender a me virar para sobreviver e não depender mais dele. Comecei trabalhando para um amigo meu, lá no Maringá Velho. Depois, quando vim para a avenida Getúlio Vargas, acabei ganhando o ponto e uma caixa nova de engraxar de uma loja de retalhos aqui da cidade. Firmei um público fiel e, com o passar do tempo, vi que era aquilo o que eu iria fazer.

O que o fez permanecer em Maringá?
Maringá é a cidade do meu coração. Estou aqui há mais de 40 anos. Eu vi essa cidade crescer. Talvez o que me fez continuar aqui foi o prestígio que tenho pelo o que eu faço. E outra boa parte disso é meu público fiel, sempre engraxando os sapatos comigo.

Qual era o seu público na época em que começou a trabalhar? E hoje, ainda é o mesmo?
Na época em que comecei a trabalhar, meu público era muito diferente do que tenho hoje. Eram os rapazes do aeroclube, os que freqüentavam os bailes, aqueles que iam ao Clube da Juventude, os que iam ao cinema e às festas, aqueles que estavam indo patinar, os pioneiros da cidade entre outros. Hoje, tenho amizade com juízes, deputados, vereadores, delegados, policiais e empresários, que sempre vêm engraxar os sapatos comigo.

Por que a avenida Getúlio Vargas?
Na verdade, essa avenida sempre foi a minha morada. Eu a vi somente com paralelepípedos. Vi lojas abrirem e fecharem, presenciei cenas do [Paulo] Maluf ali na esquina distribuindo beijos e abraços em uma visita a Maringá, vi assaltos, estava presente quando plantaram algumas árvores. Eu cuido dessa avenida. O pessoal daqui me conhece muito bem, fiz amizades incríveis nesta região. E foi nela também que eu passei minha infância trabalhando e brincando. Já joguei bets, cacei passarinhos e roubei galinhas.

De todos esses anos de vida e profissão em Maringá, quais foram os momentos mais marcantes?
Foram vários momentos. Houve uma época em que me apaixonei pela mocinha da banca de revistas. Eu disse a ela, para agradar, que eu era jornaleiro. Até que um dia nos encontramos na Rádio Cultura, durante a gravação do programa do Caçula, e meus amigos contaram a verdade a ela. Mas hoje eu não tenho mais vergonha de dizer que sou engraxate. É uma profissão como outra qualquer. Se as pessoas levarem a sério aquilo que fazem e fizerem bem feito, com certeza se darão bem.

O que pode ser feito para Maringá continuar sendo receptiva e maravilhosa, como foi para o senhor?
Temos de cuidar bem dela. Só isso. Eu vi a cidade nascer e digo que hoje parece que tudo está piorando. Precisamos de menos sujeira, de mais árvores. Maringá é uma cidade verde. Se todos fizerem sua parte, com certeza a cidade vai ficar cada vez melhor. Eu faço a minha, pois sempre cuidei de três árvores aqui da avenida. Temos de preservar o encanto dessa maravilhosa cidade.

Willian Yudi
José Xavier: há mais de 40 anos na profissão de engraxate

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