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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá
  03/11/2007
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JULIEDES NUNES - "Enfrento mais preconceito trabalhando como policial do que como gari"
Ex-gari deixou o ofício há mais de um ano em Maringá, mas fala com carinho do trabalho
JULIEDES NUNES - Naiára Miosso
Nascido em Telêmaco Borba Juliedes Nunes veio morar em Maringá com apenas 6 anos de idade. Quando adolescente, trabalhou como diarista na roça, servente de pedreiro. Qualquer trabalho que aparecia ele estava fazendo. Quando completou 19 anos começou a trabalhar como gari em Maringá.
Foram cinco anos recolhendo lixo das ruas da cidade, tarefa que Nunes não tem vergonha nenhuma de dizer que desempenhou. "Apenas os jovens têm preconceito para com os garis. As pessoas antigas gostam do nosso trabalho e até fazem amizade com a gente, valorizam o trabalho do gari", disse Juliedes Nunes.

Mesmo trabalhando como gari, o sonho dele era ser policial. Hoje, com 25 anos e pai de família, desempenha a profissão que tanto sonhou.

O trabalho como policial militar deixa Nunes muito contente, o que desanima é saber que a população tem mais preconceito de policiais do que para com os garis. "Como policial, as pessoas generalizam mais. Se um policial "morde" [recebe suborno], a população já diz que somos ladrões. Aí, se vamos abordar uma pessoa de bem na rua, porque nós não sabemos quem é ladrão ou não, somos questionados: por que não prendemos os bandidos?"

Com preconceito ou não, Nunes se prepara para trabalhar. A farda sempre bem passada é sinal de reconhecimento pelo trabalho que desempenha com muito carinho e amor.

Como era trabalhar como gari em Maringá?
Era uma delícia, não tinha estresse, dava risada o dia inteiro. Além das amizades dos colegas de trabalho, era uma verdadeira família. O problema é que tinha hora para entrar no trabalho, mas não para sair. Não esqueço de uma véspera de Natal. Comecei a trabalhar às 18h e sai às 5h.

De que maneira você entrou na Polícia Militar?
Eu ligava lá na polícia todos os dias, para saber se ia ter concurso. Queria ser policial de qualquer maneira. Não pelo salário, mas porque eu gostava. Até que um dia eu li num jornal que estavam abertas as inscrições para o concurso de soldados aqui em Maringá. E decidi que ia fazer a prova e ser policial.

Depois da inscrição como se preparou para o concurso?
O tempo que tinha, era para estudar. Na verdade, não fiz nenhum tipo de cursinho ou estudo específico. Sempre fui de guardar meus cadernos do ensino médio e revistas e foi com eles que estudei e consegui passar no concurso. O teste físico foi mais fácil, porque como a vida de gari é uma correria, já estava em forma. Corria muito por Maringá o dia inteiro.

Qual é a diferença de tratamento que você recebe agora da população, comparado ao tempo em que você era gari?
O preconceito é muito maior agora, como policial. Quando era gari sentia que apenas os jovens têm preconceito para com os garis. As pessoas antigas gostam do nosso trabalho e até fazem amizade com a gente, valorizam o trabalho do gari. Agora, como policial, as pessoas generalizam mais. Se um policial "morde" [recebe suborno], a população já diz que somos ladrões. Aí, se vamos abordar uma pessoa de bem na rua, porque nós não sabemos quem é ladrão ou não, somos questionados: por que não prendemos os bandidos?"

Quando trabalhava como gari, qual foi a situação mais engraçada que você passou?
Nunca achei nada de estranho no meio do lixo. O que aconteceu que mais ficou marcado foi um mal entendido. Um dos meus companheiros de trabalho teve vontade de ir ao banheiro. Aí foi "mijar" no muro. Só que o dono da casa achou que ele estava se masturbando e chamou a polícia. Foi a maior confusão. Até o nosso chefe teve que ir lá resolver.


Imagem/Naiára Miosso
Juliedes Nunes exibe com orgulho o uniforme de trabalho

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