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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá

  12/10/2007
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LUIZ KOSHIBA - "Aqui não dá pra se viver só de música"

Para o pioneiro muito trabalho e boa música são os ingredientes perfeitos de uma vida saudável, tranqüila e longínqua

LUIZ KOSHIBA - Cauhê Sanches
Luiz Koshiba, 72, veio do interior paulista, da cidade de Marília, onde, junto de seus pais, imigrantes japoneses, Shiroshi Koshiba e Sho Koshiba (falecida há pouco mais de três meses), trabalhavam num pomar próprio. Saíram do sítio para os filhos terem acesso aos estudos e após dois anos, com um convite de um irmão de Shiroshi, que morava em Maringá, vieram para a cidade fazer um teste. Acabaram gostando e ficaram até hoje.

Nascido em 1935, Luiz é o mais velho de nove irmãos. Chegou a Maringá no ano de 1952 e, desde então, trabalhou com a quitanda da família, depois como vendedor viajante e atualmente afina e conserta pianos, além de ser apaixonado por música desde criança.

E com um bom cafezinho mineiro foi que Luiz Koshiba recebeu na casa que mora há 20 anos a reportagem do jornal Matéria Prima, e concedeu a entrevista em que conta como foi a chegada a Maringá e como viveu todos esse anos na cidade.

O senhor disse que sua família veio a Maringá para ter acesso aos estudos. O estudo foi o único motivo da vinda?
Lá tinha muitas escolas, mas no sítio onde morávamos só tinha até o primeiro grau. Foi aí que mudamos para a cidade de Marília e compramos uma quitanda. Porém a concorrência no comércio era grande e viemos para Maringá, que era uma cidade nova, com as construções todas esparramadas, e que aspirava um bom futuro.

Como foi a chegada do senhor a Maringá?
Aqui não tinha um palmo de calçada. Entre o posto de combustível São Marcos a Maringá Velho só tinha "margozá" [mato]. Na Avenida Brasil tinha um monte raiz de peroba [árvore], e eu e meus irmãos íamos ao fim da picada [posto] pegar jabuticaba. Até que o prefeito Américo Ferraz (1956 a 1961) trouxe o progresso para cá.

O que o senhor fazia quando chegou aqui?
Meu pai abriu uma quitanda e eu e meus irmãos vendíamos frutas de casa em casa com uma bicicleta. Com o tempo, ele nos deu a opção de estudar e seguir a carreira que quiséssemos, porém sempre trabalhando. Foi aí que consegui emprego como vendedor e só parei pra consertar e afinar pianos.

Como e quando o senhor aprendeu esse ofício?
Tinha um professor de música que se chamava Fumimassa Otami. Ele trabalhava com afinação e manutenção de pianos e nas minhas horas vagas sempre me chamava para ajudá-lo. Depois de seis anos com ele, decidi abrir meu próprio negócio.

O senhor falou que é apaixonado por música. Como surgiu essa paixão?
Eu sempre quis tocar acordeom, mas era muito caro. Meu primeiro contato com ela [música] foi quando ganhei uma gaita. Já em Maringá comecei a estudar teoria musical com um trompetista, e usava um violino que era do meu pai. Foi então que comecei a tocar. Formamos um conjunto, e no ano de 1962 fazíamos apresentações na rádio Cultura de Maringá. Há algum tempo participava da orquestra do Cesumar [Centro Universitário de Maringá], mas tive catarata e precisei sair.

O senhor pretende voltar a tocar?
Claro, assim que eu sarar da catarata. Pretendo fazer a cirurgia justamente para voltar a tocar. Na verdade, queria ter seguido carreira de músico, mas aqui não dá para viver só de música.

Imagem/Cauhê Sanches
Luiz Koshiba no jardim de sua casa, onde mora há 20 anos

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