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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá

  01/09/2007
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Maria Tereza Garcia - "Ajudo os carentes para realização pessoal"

Há mais de uma década mulher de 53 anos trabalha voluntariamente fazendo "sopão" e distribuindo aos necessitados

Maria Tereza Garcia - Jacqueline Wismeck
Maria Tereza Garcia nasceu em Marialva (cidade distante 18 km de Maringá), onde se casou, constituiu família e, aos 22 anos mudou-se para Maringá. Formou-se como cabeleireira e atuou na área durante alguns anos. Com o tempo, Maria Tereza viu que não era bem isso que a deixava feliz. Foi quando ela começou a preparar sopas em sua casa para doar às pessoas carentes, e desde então não parou mais.

Primeiro em sua casa, depois passou para o conjunto habitacional Branca Vieira, e atualmente todas as terças e quintas, das 11h às 14h ela se encontra no antigo barracão Casa Moreira. Cada dia para ela é uma experiência nova, e aumenta cada vez mais a vontade em ajudar pessoas que têm fome.

Em entrevista para o jornal Matéria Prima, Maria Tereza falou sobre a sua vida e seu trabalho voluntário.

Qual o público que mais procura essa ajuda?
Não existe um publico alvo. Recebemos desde crianças até idosos. No inicio, não era tão procurado, pois muita gente não conhecia e o desemprego não estava tão grande. Hoje já calculamos mais ou menos 2.000 pessoas por mês.

Nesses mais de 10 anos, qual foi a história que mais a comoveu?
Eu me comovo todos os dias, mas as datas comemorativas, como Natal e Dia das Crianças são as mais marcantes. Uma criança que chora por uma fatia de bolo, não tem como ficar sem reação.

Entre as pessoas que ajuda ou ajudou, teve alguma que a senhora levou para morar em sua casa ou algo parecida?
Não digo morar, mais tem uma menina de 13 anos que tem câncer na cabeça, e ela mora perto da minha casa, ela é cega. Todos os dias, faça chuva ou faça sol, ela está lá, com a sua bengalinha, batendo palmas no meu portão e repetindo a mesma pergunta: a dona Tereza está feliz? Porque se estiver eu também estou. São situações como essa que me fazem cada vez mais procurar ajudar o máximo que eu puder [emociona-se].

A senhora recebe ajuda financeira ou voluntária?
Não financeira, mas em forma de doações e de voluntários também. A Ceasa [Central de Abastecimento] disponibiliza dois dias da semana para eu ir pegar frutas e verduras. Alguns mercados doam pães e tenho ajuda de 25 voluntários que me auxiliam a fazer e distribuir a comida. Além da minha família, que está sempre presente.

Não é só a sopa que é doada. Por que é conhecido como "sopão"?
Porque o objetivo principal era realmente a distribuição da sopa para os carentes. Como cresceu a procura por essa ajuda alimentar, outras necessidades foram surgindo, assim como doações de roupas e cestas básicas. Mudei o foco que era do início. Aí ficou conhecido como o sopão da dona Tereza.

Imagem/Jacqueline Wismeck
Maria Tereza há mais de 10 anos praticando solidariedade

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