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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá
  18/08/2007
  1 comentário(s)


ONÉDIO CARDOSO - "Hoje sou um taxista feliz"
Quase 30 anos trabalhando em banco e sete dentro de um táxi, ele gosta mesmo é de lembrar da época em que jogava futebol
ONÉDIO CARDOSO - Wilame Prado
O trabalho de um taxista não é dos mais fáceis. Acordar no meio da madrugada para buscar jovens embriagados na "balada" e ainda ter de ouvi-los implorar para que deixe transportar mais pessoas do que é permitido no automóvel são situações corriqueiras na vida desse profissional. Mas Onédio Cardoso, de 58 anos, sete como taxista em Maringá, não se incomoda com isso e afirma que faz parte de seu trabalho.

Antes de vir morar em Maringá e exercer essa profissão, trabalhou durante muitos anos em banco e também diz ter sido um bom jogador de futebol. Quando entrou no banco, na cidade de Goioerê, seu cargo era de vigilante, mas afirma nunca ter deixado de lado uma "partidinha" de futebol. Até que chegou o momento em que teve de escolher entre ficar no emprego, onde havia subido de cargo e exercia a função de caixa executivo, ou aceitar o convite recebido para jogar o campeonato paulista daquele ano pelo Marília Atlético Clube.

Preferiu o banco (na época, os jogadores de futebol não ganhavam tão bem como hoje), mas não se arrependeu. Com o time de futebol de salão da instituição em que trabalhava, Onédio Cardoso continuou praticando o esporte e teve o privilégio de jogar um amistoso contra o célebre Garrincha, fato que marcou a vida do taxista.

Com o avanço da idade, hoje ele apenas assiste aos jogos pela televisão, mas nunca esquece o celular, esperando algum cliente ligar. Onédio Cardoso, que começou a trabalhar com um táxi arrendado no ano 2000 em Maringá, hoje tem seu próprio ponto na Avenida Gurucaia e uma frota de quatro táxis.

Em sua casa, recebeu a reportagem do jornal Matéria Prima e concedeu a entrevista a seguir:

O que fez o senhor escolher a profissão de taxista em Maringá?
No ano 2000, quando o Banestado foi vendido, causando minha demissão, tive de procurar outro ramo de trabalho. O táxi foi uma oportunidade que tive e que deu certo para mim. Hoje, sou rodeado de clientes e me sinto realizado e feliz. No início, foi muito difícil, pois a classe de taxistas em Maringá é muito dividida, mas 28 anos trabalhando no banco me deram experiência para lidar com as pessoas.

Por que a classe é dividida?
Maringá cresceu bastante, mas a classe de taxistas tem dificuldade em acompanhar o ritmo da cidade. O sindicato está fechado e não existe união entre os taxistas, o que acaba prejudicando o atendimento à população. Faltam cursos, mas a maioria também acha que sabe tudo e não quer se atualizar. Hoje, a cidade conta com uma frota de, em média, 140 táxis e aproximadamente 300 taxistas.

O que é melhor: ser jogador de futebol, bancário ou taxista?
No momento ser taxista, para mim, é ótimo porque a idade chegou e tenho meu próprio negócio. Jogar futebol é uma maravilha, pois você se diverte bastante e, sabendo praticar, só tende a gerar alegria. Mas, depois de um tempo, o futebol foi embora e só restou o trabalho no banco, que foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida, pois tudo o que tenho hoje, devo a esse meu ex-emprego. Comecei do nada, como um garoto que jogava bola, fiquei muitos anos no banco e hoje sou um taxista feliz por não precisar ser empregado dos outros.

E a partida contra o Garrincha?
Nosso time era tão entrosado que não foi muito difícil jogar contra o time do Garrincha. Em outra ocasião, nosso time ganhou medalha de ouro no ginásio Chico Neto lotado e, em 1977, fui considerado o 3º melhor zagueiro do Paraná. A gente saía do banco e treinava todos os dias, das 10 da noite à uma da madrugada.

Trabalhando com o táxi, o que mais te marcou nesses sete anos de profissão?
No táxi, muita coisa acontece, mas o que mais me marcou aqui em Maringá como taxista aconteceu em meu primeiro ano de trabalho. Sofria pressão de outros taxistas em meu ponto, que ficava entre a avenida Colombo e a avenida São Paulo. Um dia, acabei saindo na porrada com outro taxista no meio da rua. Veio até polícia e Siat para acudir. Nunca havia brigado na minha vida, nem mesmo no futebol, mas o meu começo como taxista estava muito difícil. Acabei ficando nervoso.

Ser taxista é uma profissão de risco?
A gente ouve notícias de violência contra taxistas em grandes cidades. Mas aqui em Maringá nunca fui assaltado e nem sofri qualquer tipo de violência. Acho que, muitas vezes, o próprio taxista é que provoca a violência com sua forma de agir. Sempre deve haver respeito com a família, com os jovens, com os idosos, enfim, com todos.

O senhor ainda tem alguma meta para conquistar como taxista?
Se em dois anos não vir à cidade uma grande empresa de rádiotáxi, pretendo abrir minha própria rádiotáxi. Assim, poderei atender a todos os bairros da cidade de Maringá.

Imagem/Wilame Prado
Onédio Cardoso tem seu próprio ponto na Avenida Gurucaia

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