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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Cidadão Maringá
  08/09/2007
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OSVALDO VERLI - "Quando estou de férias, sinto falta do pessoal"
Vendedor de raspadinha diz que só deixaria de trabalhar se ganhasse na Mega Sena ou se alguém o tirasse dali
OSVALDO VERLI - Emanuele Rhoden
Osvaldo Verli, 64 anos, trabalha vendendo raspadinha (porções de gelo raspado com sabores variados de sucos e leite condensado). No início ele vendia pelas ruas de Maringá, mas há 25 anos está com um ponto fixo, em frente ao Colégio Regina Mundi.

Natural do Rio de Janeiro, Verli se mudou para o Paraná com 18 anos, passou por muitas cidades até fixar-se em Maringá, onde se casou com uma baiana e teve três filhos.

Antes de vender raspadinha, teve muitos empregos. Verli conta que desde pequeno trabalhou na roça, com lavouras de hortelã e também em colheita de café. Trabalhou em serrarias, churrascaria e hotel, mas antes de começar no ramo de vendas como ambulante, trabalhou em construção civil.

Verli é muito querido por várias gerações de alunos e funcionários que passaram pelo Colégio Regina Mundi. Disse que trabalha há tanto tempo no mesmo lugar, que já vendeu raspadinha para alguns alunos e hoje vende para os filhos deles.

Por que o senhor optou em vender raspadinha?
Eu já estava com quase 40 anos, tenho pouco estudo e conseguir emprego em construção estava difícil. Tive de optar por trabalhar por conta, não sabia o que fazer, então um amigo me emprestou um carrinho. Hoje já comprei o meu.

O que mais marcou o senhor nesses anos que está aqui?
Ah... não tem nenhuma história específica. Fico feliz quando tem evento no colégio, que eu ganho bem mais. O que me marca mesmo é a amizade que eu tenho com o povo aí.

O senhor é muito querido pelos alunos da escola. Sabia que existe uma comunidade no site de relacionamentos Orkut, em sua homenagem, com 655 membros?
Sim, os alunos me contaram. Se não me engano foram os caras do vôlei que fizeram. Eu acho que os alunos gostam muito de mim. Esses dias atrás fui atropelado e fiquei uns dias sem trabalhar. Quando voltei todo mundo ficava perguntando o que tinha acontecido. Tive até que mostrar os machucados. Os alunos fizeram alguma coisa dentro da escola para me ajudar a comprar uma bicicleta nova. Qualquer coisa que acontece comigo, eles me ajudam. Tem gente ali, que me dá até cesta básica.

Hoje, o senhor trocaria de emprego?
Não. Só se eu ganhasse na Mega Sena para parar de trabalhar. Eu gosto muito de trabalhar aqui. Quando estou de férias acho ruim, não é nem tanto pelo dinheiro, eu sinto falta do pessoal. Já me ofereceram R$ 20 mil por esse ponto, mas eu não vendo de jeito nenhum. Só pretendo largar esse ponto, se as irmãs [diretoria do Colégio Regina Mundi] me tirarem daqui ou se der algum problema na prefeitura. Já sou cadastrado há quase 20 anos. Mas se um dia tivesse de deixar de trabalhar aqui, sentiria muita falta, não quero nem pensar nisso, eu gosto de todo mundo aqui e todo mundo gosta de mim, desde funcionários, porteiros e alunos. Não tem preço que paga.

Imagem/Emanuele Rhoden
OsvaldoVerli e seu carrinho no ponto onde está há 25 anos

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