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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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  26/06/2004
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Brizola, brasileiro do Rio Grande do Sul
Morte marca o fim da política populista e ideológica da época de Vargas onde políticos governavam com paixão
Brizola, brasileiro do Rio Grande do SulElidiane Veiga
O corpo de Leonel Brizola foi recebido no Palácio do Piratini, em Porto Alegre – RS, por uma multidão que cantou em coro a música de Teixerinha, um “hino” gaúcho. – “Terra de Getúlio Vargas presidente brasileiro (...) Te quero tanto torrão gaúcho morrer por ti me dou o luxo (...) O Rio Grande é bem maior, mas cabe dentro de mim (...) Deus é gaúcho de espora e mango foi maragato ou foi chimango. Querência amada meu céu de anil este Rio Grande gigante mais uma estrela brilhante na bandeira do Brasil”.

Quem nunca ouviu a expressão de que antes de ser brasileiros os riograndenses são gaúchos? É isso mesmo. Quando se está no Rio Grande do Sul chega a dar emoção de tão defensores do próprio Estado que são os cidadãos gaúchos. E isso não é recente, vem da própria colonização do Estado. As marcas dos gaúchos são tão fortes com as tradições centradas nos pampas, a mania do chimarrão, a voz grossa, as roupas características e o folclore marcadamente gaúcho que poderiam ser, por si só, motivos de orgulho para eles que ainda lutaram (quem sabe ainda lutam) para se separar do Brasil em defesa da República dos Pampas, que seria formada pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Vezes e mais vezes lembramos um figurão qualquer, um gaúcho, pra lá de chato que defendia suas idéias de forma, muitas vezes, irritante. Quem sabe seja essa marca persistente que faça do Rio Grande do Sul um Estado que teve o presidente, ouso dizer, mais popular do Brasil. Quem não sabe quem foi Getúlio Vargas? Pode-se não conhecer a fundo, mas sabe de sua existência e que foi por duas vezes presidente do Brasil, isso a maioria sabe. E nessa leva de políticos nacionalistas é que surgiu a figura de Leonel Brizola, cunhado de João Goulart e companheiro de Getúlio em sua marcada política.

Brizola, um político que talvez nossa geração desconheça, mas que fez história, que defendeu apaixonadamente o Brasil e que foi, como outros defensores da democracia, exilado no tempo da ditadura.

Quem sabe pelas raízes sulistas, pelas lembranças de criança de um pai (gaúcho) brizolista até morte que vi estremecer diante da imagem de um ídolo se indo. Fica agora um vazio daquele discurso fervoroso, que muitas vezes contrariada era obrigada a ouvir até o final.

Confesso, muitas vezes as idéias apresentadas nos discursos por vezes não eram muito originais, mas marcadamente brizolistas, de alguém que fez da vida a política, que perdeu o pai vítima dos rompantes dessa mesma política, mas que nem por isso se intimidou.

A importância do político que marcou a história do Brasil com sua paixão pela política e com duras críticas aos governantes foi muito grande, um inimigo claro que não escondia seu ponto de vista e que por isso sofreu as conseqüências.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi apoiado por ele em duas eleições para presidente e também foi aliado de Brizola em uma, não soube entender suas críticas e, memoravelmente, dispensou o apoio, tomando as críticas como uma declaração de guerra.

Brizola deixou sua marca por não levar nada em troca, não enriqueceu com a política nem precisou ser coronel para conseguir seus votos. E essa marca, esse estilo de política talvez esteja morrendo com ele e com o século XX.

Adeus ao apaixonado fervoroso pela política, adeus aos discursos incisivos e as críticas. Me despeço fazendo da letra de uma banda gaúcha minhas palavras, que exprimem as incertezas do futuro em uma terra onde deveras o povo tem memória curta.

“Mas que pampa é essa que eu recebo agora. Com a missão de cultivar raízes. Se dessa pampa que me falta a história. Não me deixaram nem sequer matizes? Passam as mãos de minha geração. Heranças feitas de fortunas rotas. Campos desertos que não geram pão. Onde a ganância anda de rédeas soltas. Se for preciso, eu volto a ser caudilho. Por essa pampa que ficou pra trás. Porque eu não quero deixar pro meu filho a pampa pobre que herdei de meu pai.”

Imagem meramente ilustrativa/planeta.terra.com.br/negocios/mendo/cartum/
  Autor: Elidiane Veiga


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