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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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  04/11/2004
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Depois de muito sofrimento, tudo volta ao normal
Chega sem pedir licença, vai entrando e não tá nem aí se você gosta ou não; ainda bem que a campanha eleitoral já acabou
Ana Maria Bezerra
Ufa! Finalmente acabou! Depois de meses, tudo está resolvido. Muita gente não ficou satisfeita com o resultado das eleições municipais, mas acredito que todos estejam felizes com o término, mais do que esperado, do horário eleitoral.

A decisão de eleger um prefeito não é brincadeira nem algo que se possa tirar sarro, mas às vezes parecia que os próprios candidatos é que estavam “tirando uma” com a nossa cara. De “santinhos” a “palhaçadas” jurídicas, ninguém agüentava mais qualquer coisa relacionada às campanhas.

Não sei se vocês fizeram as contas, mas eu resolvi calcular por quanto tempo os políticos invadiram nosso dia-a-dia. Olha que não foi pouca coisa.

Tudo começou no dia 6 de julho. Foi nessa data que os aspirantes a líderes começaram a dar o ar de suas graças para a população. Nessa época, as aparições ainda eram de leve. Do dia 17 de agosto ao dia 30 de setembro, a história mudou. Foi nesse perídio que o horário político entrou no ar, tanto na TV quanto no rádio. A transmissão era feita de segunda a sábado, meia hora de dia e meia hora à noite. Aí veio a apuração dos votos e descobriu-se que seria necessário levar a decisão para o segundo turno. Assim, as campanhas eleitorais retomaram seus postos e passaram a ser divulgadas todos os dias da semana, de 14 a 29 de outubro, 20 minutos de dia e 20 minutos à noite.

Resumindo: foram 55 dias de transmissão, 49 horas e 40 minutos de horário eleitoral na televisão e no rádio. Ou seja, foram 5.960 minutos de intervenção em nosso viver. Detalhe: se esse tempo ainda fosse aproveitado para a exibição de temas com conteúdo, ainda dava para engolir, mas, normalmente, não foi isso que aconteceu. Teve dia que o mesmo programa do dia anterior foi reprisado. Tudo isso sem levar em consideração o tanto de baboseira que foi dito, o tempo perdido falando mal do adversário, a falta de liberdade de escolha que nós sofremos, pois fomos obrigados a assistir/ouvir o programa ou a desligar o aparelho e, o horário de transmissão: justamente aquele onde se quer dar uma relaxada no sofá sem ter de pensar em nada, só esperando o rango ficar pronto ou o sono bater.

Ah! Já ia me esquecendo, fora os horários políticos, os debates apresentados na televisão e as centenas de comerciais também invadiram nossas vidas, quase nos levando àloucura. Peço desculpas em generalizar, mas é que cada vez que aparecia a propaganda de político na TV eu queria me matar, principalmente pelo fato de a mesma propaganda se repetir centenas de vezes.

Não podemos nos esquecer das fotos dos candidatos nos jornais impressos da cidade. Esse período de eleição é o melhor momento para avaliar qual jornal é realmente sério e qual se vende por interesses políticos ou econômicos.
Até aí, nada de novo. Apesar da imposição das campanhas eleitorais, nós ainda pudemos nos esquivar da pentelhação, colocando um filme no vídeo ou um CD no aparelho de som. Mas e o pessoal nas ruas, o que fazer com eles? Passar por cima com o carro? Não dava, né?! Então, dá-lhe paciência para agradecer a oferta de “santinhos” e adesivos e não xingar aquela pessoa à frente do seu carro, portando faixas e sem arredar pé, pelo menos enquanto não abria o sinal.

Além de todo esse controle emocional e prática do dom da paciência, nós ainda tivemos de olhar a cidade cheia de papeizinhos no chão e pensar que pelo menos os catadores de papel ficaram felizes.

E os comícios? Aquele monte de gente em pé, gritando, balançando bandeiras e jogando “santinhos” para cima. Tá bom, eu sei que ninguém é obrigado a participar de comício nenhum, mas e quem mora ao lado de onde os comícios ocorreram, o que fazer? Além de ficar agüentando aquela barulheira toda, ainda foi necessário aturar o cachorro do vizinho tendo chilique por causa do barulho dos fogos de artifício. Foi praticamente a visão do inferno.

E “atropelando” a lei de liberdade de escolha, não podemos esquecer o fato de que alguns colégios obrigaram seus alunos a perder aulas para receber a visita de candidatos. Tudo bem que os debates com os alunos foram mais cômicos do que chatos, então, até valeram a pena.

Até esse ponto ainda deu para se levar numa boa, fazer um esforço para acreditar que tudo aquilo era necessário para que a população pudesse escolher seu novo líder. Mas outros fatos ligados às eleições não eram tão bacanas assim.

Um desses fatos foi a mudança do horário de verão, que não ocorreu antes para não confundir moradores de alguns Estados. Esse fato fez com que muita gente gastasse mais energia elétrica, portanto, mais dinheiro.

E o fato que, para mim, ganhou o troféu de o mais absurdo de todos: por lei, ninguém pode ser preso dois dias antes nem dois dias depois das eleições, a não ser que seja pego em flagrante. A imprensa até noticiou, no dia 29 de outubro, o caso de um rapaz que atropelou várias pessoas e fugiu do local, se entregando à polícia justamente nesta data, quando não pôde ser preso. É por essa e por outras que nosso país tem essa fama de não ir para frente.

É como eu disse no início: ainda bem que acabou... Opa, péra aí, algumas decisões ainda serão proibidas por mais algum tempo. Ninguém pôde ser admitido nem demitido de cargos públicos durante as eleições e essa regra ainda valerá por mais dois meses, dependendo do Estado. Isso também conta para concursos públicos, que não podem ser realizados, para licitações, que só podem ser feitas em casos de extrema necessidade e para as pessoas que trabalharam nas eleições e agora não podem ser contratadas.

Mas tudo isso faz parte da democracia do nosso país. Ninguém pode fugir desses acontecimentos que podem ser considerados de hilários a absurdos. O mais bacana, o melhor de tudo, o que me deixa mais feliz, é que logo, logo tudo isso estará aí de novo, para que a gente possa falar mal, reclamar, rir, chorar, e, principalmente, decidir o futuro de nossas vidas.


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