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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Comentário
  30/06/2006
  1 comentário(s)


Santa Ceia deixa de ser na mesa da Copa
Com a despedida do Brasil do Mundial acaba o clima de feriado religioso; agora ateu deixa de rezar e cético não faz mais promessa
Sarah Ribeiro
A Copa do Mundo deixou a população brasileira alvoroçada, seja para comprar algum objeto nas cores verde e amarelo, seja para correr à frente da televisão. Os dias em que o Brasil jogou foram sagrados: além de ninguém trabalhar direito, cidades inteiras pararam e ruas ficaram vazias. Todos naquele momento, como que em uma religião, ficaram a postos em frente ao objeto sagrado - a televisão - esperando os deuses entrarem em campo para a cerimônia começar.

Na estréia do Brasil na Copa, um estranho fenômeno aconteceu. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a cidade de São Paulo registrou 174 quilômetros de congestionamento momentos antes do início do jogo, representando o quarto maior do ano. O trânsito parado, no entanto, não é novidade. O que causa espanto é que pouco mais de uma hora depois, em plena terça-feira, no horário de pico, as ruas estavam praticamente livres. Foi a santa Copa operando milagre. Porém, um evento - três dias antes do jogo contra a Austrália - gerou maior movimentação na principal avenida da capital paulista, quando milhares de pessoas vestidas com camisetas verde e amarelo se reuniram para festejar e correr atrás de trios elétricos. Não, não era aquecimento para o jogo do Brasil, nem comemoração pela vitória anterior, era a Marcha para Jesus, que reuniu cerca de 3 milhões de pessoas, segundo a Polícia Militar de São Paulo.

Adoração e futebol nunca estiveram tão unidos e, de certa forma, parece que o povo decidiu tirar férias dos problemas, crises, da política e deixar tudo "ao Deus dará". Depois de tanta confusão, CPI e dramalhões era hora de revigorar as energias, fazer festa, folia e pular fogueira, mesmo que feita com o lixo acumulado nos canteiros centrais. A hora do jogo se aproximava e as ruas esvaziavam, bares lotavam.

Como sinos no alto de uma torre, o apito do árbitro avisava o início do culto. A reverência foi total. Ai de quem que se "meteu a besta" e fez brincadeirinhas exaltando o time adversário ou ainda interrompeu para perguntar: "impedimento por quê?". O silêncio foi absoluto, pelo menos até o momento do gol. Que não veio. A hora mais esperada pelos fiéis, o ponto máximo do culto, não houve.

Ninguém se atirou ao chão, "tremelicando", nem usaram línguas estranhas (traduzidas para a língua portuguesa, escritas como %$*&$@#); não teve reza alta, agradecendo aos deuses do esporte pela graça alcançada. Como dizem, religião, futebol e política não se discute, principalmente em época de Copa do Mundo " ou quando se fica fora dela.

Discutindo ou não, a fé no futebol brasileiro era tanta, que tinha até blog na internet querendo transformar os dias em que a Seleção jogasse em feriado. Só faltou sugerir troca de presentes e panetones com frutas cristalizadas nas cores da bandeira nacional.

O fato é que da mesma forma esporádica em que muitos brasileiros "tornam-se religiosos" quando passam por problemas sérios ou em datas religiosas comemorativas, a cada quatro anos não há nada que importe mais do que 11 messias "dando a vida" em campo. Depois dessa fase, o problema sendo resolvido ou não, o messias-capitão tendo levantado a taça ou não, tudo volta ao normal. O tempo pode até variar um pouco, alguns podem se manter patrioticamente fiéis por mais tempo do que outros, mas no fim, o povo volta a ser cético do mesmo jeito, seja em relação a Deus, seja em relação aos homens, principalmente durante as campanhas eleitorais.

A propósito, hoje é domingo. Ainda tem Fórmula 1 para ver à tarde. Tem Massa e...Rubinho. Tem Brasil, quem sabe?!



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  Autor: Sarah Ribeiro


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