Equipe Matéria PrimaA coluna social do jornal O Diário do Norte do Paraná, do dia 13 de abril, domingo, mostrou que não são apenas astros de cinema, políticos ou campeões que merecem destaque na editoria, mas sim, todos aqueles que por meio de uma hierarquia fixa se diferenciam de outros indivíduos, por não possuírem as qualidades de menores.
A imagem que foi tecida pelos colunistas Eliel Diniz, Lucienne Silva e Rosi Ortega, apresentou a coluna social como um espaço de vaidades e futilidades da elite. O modelo se apropriou de quatro páginas repletas de notas e divulgações de casamentos, batizados, fofocas, viagens, ações voluntárias, propagandas, anúncios e aniversários, ou seja, assunto totalmente inútil para as demais classes.
O mais interessante é que esses conteúdos foram todos exibidos com adjetivos exagerados e desnecessários. A quantidade de elogios variava desde: "bela, elegante, charmosa, linda, fantástico, maravilhoso", até para uma infeliz frase do Diniz, publicada na sessão D1: "... sua beleza para deixar nosso espaço com mais charme...". Isso significa que a coluna social é um espaço de charme? E onde fica a função jornalística? Com certeza o colunista se justificaria com o termo "educação".
Se a inda não bastasse, a editoria que poderia ser um espaço para furos jornalísticos, vide a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, ou entretenimento de qualidade é taxada como um "painel de classificados". Em todas as edições do jornal "O Diário", o leitor encontra variadas propagandas com descrições de seus anunciantes. "A minha maior dificuldade é o fato de ser, além de colunista, vendedora do jornal, uma imposição dos jornais maringaenses. Vendo algum anúncio e logo sou cobrada de colocar fotos dos anunciantes". Assim definiu a colunista Rosicler Robles Ortega, em seu Trabalho de Conclusão de Curso (2005, p.96). Dessa forma, ela quis provar que o fator responsável pela falta de informações no espaço não pode ser visto como deficiência jornalística, mas, como uma política da empresa.
Para concluir, em seu estudo, Rosi Ortega cita o sociólogo Edgar Morin, segundo o qual, "pode se dizer ainda, de modo mais amplo, que os múltiplos modelos de conduta que dizem respeito a gestos, atitudes, modo de andar, beleza se integram num grande modelo global, o de um estilo de vida baseado na sedução, no amor, no bem estar(...)" .Essas exaltações sobre pessoas comuns mostraram que ,em Maringá, para ser um "colunável" é apenas necessário ser notoriamente conhecido pelo extrato bancário.
Fotomontagem/Páginas do jornal O Diário do Norte do Paraná
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