Murilo BattistiOs grandes veículos de imprensa detêm enorme poder de persuasão e de formação de opinião. O papel primordial da mídia é o de informar, porém, devido a algumas questões de interesses pessoais, os veículos de comunicação de massa acabam fugindo do seu papel, e incorporando o da manipulação da informação e criação de escândalos para depois abafá-los, dependendo de seu interesse no momento.
Em 1989, nas eleições presidenciais, o segundo turno foi disputado entre Fernando Collor de Melo e Luiz Inácio Lula da Silva. A Rede Globo fez uma cobertura que muitos consideraram tendenciosa, a favor de Collor, que ganharia as eleições posteriormente. Existem documentários, textos, reportagens que demonstram isso, além de o próprio Roberto Marinho, em 1992, admitir ter influenciado no resultado da eleição. Depois, a mesma imprensa que beneficiou Collor, ajudou no processo de impeachment do então presidente.
Mas não precisamos ir longe na história do País para observar a relação entre mídia, poder, manipulação e escândalos. Fatos que ocorreram nos últimos dois anos podem ajudar a compreender essa situação.
O caso do Dossiê Vedoin completou um ano no último dia 15 de setembro. Na época em que veio a público, duas semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, causou muita polêmica. A discussão girava em torno de petistas que queriam comprar um dossiê para incriminar o candidato à Presidência da República e o candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin e José Serra, respectivamente. O escândalo surgiu da noite para o dia, a imprensa elevou-o ao mais alto nível de importância, influindo no clima pré-eleitoral e depois, como na maioria das vezes, tudo acabou em uma grande "pizza".
O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, é um dos que condenam muitas das atitudes da mídia. Ele afirmou em entrevista à "Revista Imprensa" de setembro, que a mídia no Brasil é desastrosa. Questionado sobre o que pensa dos jornalistas, Ciro Gomes respondeu: "A imprensa brasileira é um desastre. A mídia faz a novelização escandalosa da política, mas é uma imprensa nepotista".
Existem muitas questões ainda sem resposta. No caso da eleição de Fernando Collor de Melo, do Dossiê Vedoin e em diversos outros, a imprensa em geral, prefere não tocar em feridas que ainda estão abertas, para o seu próprio bem e por suas ligações com algumas partes envolvidas. Seria como a mídia discutir a própria mídia.
O jornalista e sociólogo Perseu Abramo, em seu livro, Padrões de Manipulação na Grande Imprensa, explica que uma das principais características do jornalismo no Brasil é a manipulação da informação, às vezes criando até uma "realidade artificial". Segundo ele, um problema sério hoje é que, quando a Globo faz "plim-plim", milhões de brasileiros salivam no ato. A "Folha de S.Paulo" e "Veja" dizem alguma coisa e centenas de milhares de brasileiros "abanam o rabo" em sinal de assentimento e obediência.
O filme "Mera Coincidência", lançado em 1998 nos Estados Unidos, conta a história de um presidente vencendo as eleições segundo as pesquisas, mas um escândalo sexual pode comprometer sua reeleição. Então a mídia entra em ação e cria uma guerra que não existe para poder desviar as atenções, fazer do presidente um "herói" e dessa maneira ganhar as eleições. Uma obra de ficção, que pode nos antecipar uma realidade. Quem sabe daqui algum tempo, criar guerras que não existem com outros países pode ser uma coisa normal e fazer parte do dia-a-dia dos brasileiros.
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