Equipe Matéria PrimaOs meios de comunicação servem para transmitir informação à sociedade. É através desses meios que as pessoas sabem o que ocorre à sua volta, na cidade, no País e no mundo. Em casos de grandes escândalos ou de comoção pública, pode-se encontrar na TV, rádio ou internet, a cobertura completa do ocorrido e nem precisa pensar muito, a mídia dá tudo pronto.
Talvez esse seja o maior problema que temos hoje: a mídia se tornou "dona da verdade". O espectador assiste, compra aquela idéia e acredita no que está sendo transmitido, mesmo não sabendo ao certo o que é.
Vejamos o caso da Escola Base, que em 1994, durante alguns meses, foi o principal alvo da mídia. Os diretores da escola foram acusados de abusarem sexualmente de alunos, inclusive do próprio filho.
Títulos como: "Perua escolar carregava crianças para a orgia", publicado no Jornal da Tarde, mostra qual foi o tipo de cobertura tendenciosa para esse caso. A imprensa ouviu pessoas erradas, publicou notícias equivocadas e, pior, fez a opinião pública julgar errado. A Justiça não culpou o casal devido à falta de provas, mesmo assim a cobertura sensacionalista influenciou tanto as pessoas que, mesmo inocentados, os supostos culpados foram presos e a escola depredada e abandonada.
O papel da mídia é informar, seja qual for o assunto. É que aí está o problema. Informar sim, mas de forma correta e imparcial. Pessoas inocentes foram presas e desmoralizadas.
Os mesmos que julgaram o casal voltaram para suas casas e não fizeram nada para saber qual era a verdade sobre o caso. Todos se satisfizeram com as notícias que ouviram, leram e assistiram, concordando ou mesmo mantendo-se alienadas às coberturas que extrapolaram a liberdade de informar.
O interessante é que, com o passar do tempo, a justiça começa a aparecer. Realmente, no caso Escola Base a justiça tardou, tardou muito. Em maio deste ano, 14 anos depois, a Justiça decretou o pagamento de indenizações por alguns veículos de imprensa, que na época "abusaram" nas reportagens sobre o caso, ao filho do casal, R.F.N, hoje com 18 anos. Mas como todo problema judiciário, as empresas de comunicação podem entrar com recurso. Vai demorar mais um pouco para R.F.N ter, finalmente, corrigido o prejuízo moral do episódio.
O mais preocupante agora é saber se a mídia aprendeu ou não a lição. Afinal, tragédias e acontecimentos catastróficos acontecem sempre, como o caso Isabella Nardoni. A mídia ficou em cima, mostrou fatos, fotos, testemunhas. Comoveu o público. A sorte da imprensa foi que, desta vez, a Justiça parece crer na tese de que o crime fora praticado pelo casal Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá.
Erros como o da Escola Base não deveriam se repetir. Não queremos ver, daqui alguns anos, críticas como esta referindo-se a má cobertura do caso Isabella.
Imagem/http://cartaforense2.locaweb.com.br/mailing/012_04072006/img1.jpg
OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TIVEREM O NOME COMPLETO DO AUTOR E EMAIL PARA CONTATO NÃO SERÃO PUBLICADOS Mais notícias da seção
° no caderno
Crítica