Equipe Matéria PrimaDepois do processo de informatização das redações, outro fator vem redefinindo a dinamização do jornalismo e do perfil dos leitores nos últimos anos, são os novos diários virtuais, mais conhecidos como
blogs ou
weblogs. Esse tipo de página da
web é atualizada de acordo com o tempo definido pelos responsáveis ou colaboradores, podendo ser por dia, por hora até mesmo por segundo, como acontece com os blogs de informação instantânea.
De acordo com o relatório
State of Blogosphere, divulgado em julho deste ano pela empresa de pesquisa Technorat são criadas, todos os dias, aproximadamente 70 mil blogs em todo o mundo, a maioria de caráter informativo. De acordo com a pesquisa, duplica o número de blogueiros a cada seis meses.
O relatório também demonstra que existem cerca 53,7 milhões de blogs espalhados pelo planeta. A maioria dos blogueiros tem completa liberdade nas postagens, usando a ferramenta como algo inovador, onde se discute desde política contemporânea, língua portuguesa, passando pela lógica da matemática, até as questões mais complexas sobre a internet.
A necessidade pela informação rápida, agilidade das notícias, maior interação com leitores e as facilidades de se fazer um blog, levaram muitos jornalistas e curiosos a se interessar por essa nova mídia. O ex-ombudsman do jornal "The New York Times" Daniel Okrent, numa palestra realizada no início do ano, e publicada no site do "Observatório da Imprensa", chega a defender substituição dos jornais pelos blogs e weblogs. "Nos últimos anos vem crescendo assustadoramente o número de pessoas que passaram a ler blogs. Muitos tendo como única fonte de informação".
Uma questão que ainda está sendo discutida por muitos especialistas em comunicação e jornalistas é quanto à credibilidade das informações veiculadas nesses blogs. Uns defendem que não há normas que controlem o que é publicado, como ocorre com os jornais, revistas, e até mesmo livros. Sem contar que a maioria das pessoas que estão presentes nesses diários virtuais não têm formação jornalística. O jornalista Artur Araújo, em seu mestrado pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, publicado no site "Observatório da Imprensa", questionou a possibilidade de haver união entre blogs e jornalismo. Para ele "a legitimidade do blog como jornalístico depende da periodicidade (fluxo contínuo de informações), da aparição pública, da diversidade de conteúdo e do profissionalismo". E conclui "que esse caráter profissional está agregado à idéia de empreendimento econômico, de estar inserido numa empresa jornalística e contar com o suporte de sua estrutura".
Já para o estudioso na área de comunicação Henrique Costa Pereira, o problema está na qualidade do conteúdo. "Os blogs são mal feitos, mal escritos". Ele chega a dizer que os blogueiros "nem ao menos demonstram conhecimento sobre a nomenclatura correta daquilo que se propõem a escrever a respeito". E conclui observando que a web brasileira é ruim porque faltam leitores.
Embora ainda existam alguns estudiosos que vêem essa nova ferramenta da internet com pessimismo, não se pode descartar que os blogs estão cada dia mais fazendo parte da vida dos leitores, ora pela facilidade de acesso à leitura, ora pela qualidade da informação, até mesmo pela possibilidade de participar e opinar na postagem. O que resta aos blogueiros é aperfeiçoar cada vez mais as páginas, com informações precisas, que partam de fontes seguras e, assim, atender ao leitor. Não se pode esquecer que o blog é jornalístico quando está ligado às práticas profissionais. Mas isso não é empecilho para que outros profissionais possam trabalhar com a informação.
Imagem meramente ilustrativa / http://pda.physorg.com/lofi-news-bloggers-internet-campaign_11711.html
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