Equipe Matéria PrimaInúmeras informações foram divulgadas desde o assassinato do casal Manfred Albert von Richthofen e Marísia von Richthofen, no dia 31 de outubro de 2002. No começo a imprensa atribuiu o fato a uma realidade presente nos grandes centros, a violência. Mas tudo mudaria com a descoberta do envolvimento da filha mais velha do casal, Suzane, na época com 19 anos.
Era o começo de uma "avalanche" de especulações. Aproveitando seu poder de influência e a fragilidade de uma sociedade conservadora, a mídia dá total atenção ao caso, pressupõe o envolvimento de parentes, o interesse na herança, um provável problema psicológico. Até a polícia divulgar mais dois acusados, Daniel Cravinhos de Paula e Silva, o namorado de Suzane e o irmão dele, Cristian, surgem novas especulações: triângulo amoroso, seita religiosa, acabando novamente nas investigações. Suzane é acusada de ser mentora intelectual e os irmãos Cravinhos os executores do crime, tendo as prisões decretadas no dia 19 de novembro do mesmo ano por homicídio doloso (com a intenção de matar). Um mês depois, eles foram condenados por duplo homicídio triplamente qualificado, o que resultaria em 24 a 60 anos de prisão em regime fechado, mas os advogados de defesa recorreram e a novela seguiu, é claro sempre com o "massacre" da imprensa à jovem.
No dia 29 de junho do ano passado, Suzane após três anos de regime fechado, é libertada por um pedido de
Habeas corpus do STJ (Supremo Tribunal Federal) e inicia-se uma nova onda de sensacionalismo, termo correto para denominar o papel da imprensa diante do caso, pois em nenhum momento a mídia nacional procurou ser imparcial em relação à notícia. As poucas publicações de possíveis motivos que levariam a jovem a tamanha atrocidade não passavam de suposições.
A imprensa mostrou neste caso o que vários autores contemporâneos já ressaltaram, que há muito tempo a mídia deixou de ser o quarto poder, para assumir, quem sabe, o primeiro. Na reportagem do programa "Fantástico", da Rede Globo, exibida no dia 9 de abril deste ano, foi mostrado o comportamento falso de Suzane, flagrado por dois momentos, pela câmera que se encontrava supostamente desligada. A gravação registrou instruções do advogado dela para determinados comportamentos, ocasionando uma nova manifestação da opinião pública e, conseqüentemente, a prisão de Suzane no dia seguinte.
A pergunta é: Foi ético da parte do jornalista que operava a câmera manter o microfone ligado sem o entrevistado saber? Destacando que a crítica aqui apresentada visa ao comportamento da mídia como mediadora das informações, e não entrando no mérito do crime cometido, não foi ético por parte da Rede Globo.
Por isso, e por outros exemplos, começamos a acreditar que as faculdades de jornalismo são platônicas em seu conteúdo, e que a procura da imparcialidade e a ética acima de tudo esbarram no mercado capitalista da informação.
Imagem meramente ilustrativa/Reprodução Rede Globo
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