Equipe Matéria Prima No último dia 10 de março o jornal "O Diário do Norte do Paraná" publicou reportagem sobre uma verba liberada pelo Ministério das Cidades para Maringá. O texto informa que uma parte do dinheiro seria usado para melhorar a habitação e a outra seria destinada à construção de ciclovias e rebaixamento de calçadas para facilitar o acesso de pessoas com deficiência, especialmente nas áreas do Novo Centro e na Zona 10, que abrange as regiões entre as avenidas Tuiuti, Pedro Taques, Mauá e parte da linha férrea que percorre a avenida Colombo. A reportagem ainda cita que essa verba faz parte do Programa de Infra-Estrutura para Mobilidade Urbana (Pró-Mob).
Entretanto, segundo o secretário municipal do Desenvolvimento Urbano, Planejamento e Habitação, Jurandir Guatassara Boeira, Maringá irá receber financiamento de R$ 1,225 milhão, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que deverá ser aplicado somente em obras de infra-estrutura urbana para melhoraria da circulação social, excluindo qualquer obra relacionada à moradia. "Recebemos também um recurso de R$ 300 mil para moradias, mas isso não tem nada a ver com o dinheiro destinado ao Pró-Mob", acrescenta Guatassara.
Já a reportagem do "Diário" coloca que: "O Ministério das Cidades liberou R$ 1,35 milhão para a construção de moradias populares e obras de infra-estrutura em Maringá. Os recursos fazem parte do Programa Nacional de Mobilidade Urbana (Promobi) [Promobi?!?]", ou seja, a notícia está equivocada e confunde o leitor. E o que dizer do título da reportagem: "Ministério libera recursos para moradias". Mas que moradias? Assim, dentre outras questões, não há como saber, baseando-se apenas no texto do "Diário", qual o valor real destinado pelo programa a Maringá, nem também que foi o BNDES que liberou essa verba.
Outro ponto importante é que o jornal parece ter se fundamentado apenas nas informações igualmente equivocadas, passadas pelo
release da própria prefeitura. E como se não bastasse nem o
release e nem a reportagem do jornal terem deixado claro ao leitor o que de fato é o Pró-Mob, ainda é possível perceber que até informações básicas, como nome do programa e seu significado, não foram escritos corretamente. Em vez de "Programa Nacional de Mobilidade Urbana (Promobi)", como o jornal e o release trouxeram, o certo é "Programa de Infra-Estrutura para Mobilidade Urbana (Pró-Mob)", sendo que o nome correto é facilmente encontrado, por exemplo no site do Ministério das Cidades. O que mostra que não houve o mínimo de esforço e preocupação, tanto do repórter como do editor, em conferir a fundo a informação da assessoria de imprensa da prefeitura. "O Diário" ainda usou citações parecidíssimas com as do
release.
Agora, imagine que tipo de jornalismo teremos em pouco tempo se a moda do "copiar - colar" não for combatida? Se nem o
release, que deveria ser usado apenas como sugestão de pauta para uma cobertura jornalística mais aprofundada, é simples e objetivo, o que será do jornalista que tem de fazer seu trabalho velozmente? Basear-se em várias fontes, sem deixar de se aprofundar no assunto e, sobretudo, sempre passando ao leitor a informação correta, com clareza nos dados, é e sempre será obrigação do jornalismo.
Imagem meramente ilustrativa/http://www.roamingyak.org/templates/no_copyright/no_copyright.html
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