Equipe Matéria PrimaÉ por meio dos editoriais que jornais deixam claras suas opiniões sobre os assuntos mais importantes e de maior relevância à sociedade. É também com os editoriais que os jornais se dirigem às autoridades responsáveis sobre fatos que os motivaram a opinar. Portanto, é ali, no editorial, que o leitor ficará sabendo qual o posicionamento daquele meio de comunicação. Como bem define o Manual de Redação da Folha de S. Paulo, editorial é: "um texto que expressa a opinião de um jornal".
Maringá conta com três jornais impressos de circulação diária. São eles: "O Diário do Norte do Paraná", "Hoje" e "Jornal do Povo". Mas, pelo que parece, nenhum está muito preocupado em expor a sua opinião de forma direta, nem sequer interessado que a comunidade a conheça, já que não publicam em suas páginas editoriais. Um deles, chegou ao cúmulo de, na busca por assinantes, afirmar: "Impressione seus amigos, tenha opinião!", quando o próprio jornal oculta a sua.
Fatos recentes, que estamparam as capas dos jornais nas últimas semanas, como o suposto nepotismo na prefeitura ou supostas acusações de corrupção na Câmara de Vereadores, são exemplos de assuntos de relevância para a sociedade, nesse caso a maringaense, e que seriam prato cheio para editoriais.
Mas o que se vê, são jornais escondendo-se atrás de colunas ou colunistas e, pior, servindo-se de reportagens jornalísticas em que, de forma sutil, opinam e defendem seus interesses e de seus parceiros. Isso é vexatório para quem tem função tão importante numa democracia, como o jornal. Sendo assim, fica conveniente livrar-se de qualquer responsabilidade caso seja cobrado, já que não se posicionou em momento algum.
É público e notório (como diriam alguns políticos) que jornais, principalmente interioranos, dependem de verbas públicas para sobreviver. Mas isso não serve como desculpa para se acanhar a tal ponto de não publicar um editorial, portanto calando-se. Por que não tornar pública essa dependência ou ajuda financeira em um editorial, em vez de silenciar-se? Seria um ato de braveza e transparência, qualidades que, teoricamente, deveriam fazer parte de um meio de comunicação, seja impresso ou não.
Ao abdicar desse gênero, os jornais deixam os leitores às escuras, sem saberem o que os veículos pensam ou deixam de pensar sobre acontecimentos que afetam a comunidade. Ao mesmo tempo, os jornais ficam a mercê de desconfianças que podem surgir por parte dos leitores. A empresa jornalística pode ficar refém de interpretações subjetivas das pessoas que lêem e se informam apenas por meio das reportagens. O que não seria nada bom, convenhamos.
Ao reservar espaço especial para opinião, separando-a da informação, o jornal consegue se aproximar da imparcialidade, já que a totalidade no jornalismo é algo inexistente. Evita-se assim, que o leitor tire conclusões distorcidas sobre algum assunto abordado. Além disso, o editorial expressa credibilidade, uma vez que fica extremamente claro e direto o posicionamento do jornal, sem deixar brechas para dúvidas ou cobranças que poderiam partir da sociedade.
Imagem meramente ilustrativa/www.irishecho.com/ newspaper/index.cfm?catid=5
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