Equipe Matéria PrimaA edição número 5.340 do Jornal do Povo de 20 de maio, traz como matéria principal a abertura da Academia da Primeira Idade. Na primeira página do jornal nada indica que a notícia é uma mera cópia de um release da Prefeitura de Maringá. A foto, também da assessoria, traz o nome do repórter fotográfico e em seguida a sigla ACPM sem especificação da abreviatura. Na página cinco do jornal o texto é assinado pela assessora da prefeitura que o escreveu e, logo em seguida, a sigla reaparece. Para quem não trabalha no ramo jornalístico pode ser difícil adivinhar que esta abreviatura significa Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Maringá.
Reproduzir textos de assessorias de imprensa tornou-se comum a jornais locais e regionais, haja vista que essas empresas não têm repórteres em número suficiente para cobrir os assuntos do dia. Acabam por publicar textos de várias assessorias para poder levar ao leitor não só assuntos da cidade e da região, mas também do Brasil e, às vezes, do mundo. O problema é que o Jornal do Povo fez a reprodução desnecessária de um texto, já que um repórter do próprio veículo poderia ter feito uma reportagem a respeito do assunto. Se a abertura da Academia da Primeira Idade era um evento tão relevante, por que não enviar um jornalista para realizar a matéria? Talvez porque o ato comodista de copiar e colar, infelizmente, tenha se tornado um vício.
O assessor de imprensa do município busca valorizar as ações da administração, o que é seu trabalho. Porém, o Jornal do Povo poderia pautar um repórter para que fizesse uma reportagem muito mais completa do que publicar um mero release. Que anunciasse juntamente com as informações levantadas, a abertura da academia. Realizar, por exemplo, uma reportagem mostrando os benefícios e malefícios de exercícios para crianças, com opiniões de médicos, especialistas e também do responsável pela Academia da Primeira Idade na Prefeitura seria muito mais interessante. Anunciar o evento com um release não é o papel de um jornal sério, que respeita o Código de Ética da profissão.
Além dessa notícia, outras também foram extraídas de assessorias de comunicação. Quem compra o jornal com freqüência sabe que não foi somente essa edição que trouxe como matéria de capa um release.
A população maringaense merece reportagens com olhares diferentes, fontes variadas, para poder formar sua própria opinião. O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros indica, no artigo 12, capítulo um, que o jornalista deve sempre ouvir o maior número de fontes envolvidas em uma cobertura jornalística, artigo este que não é observado pelo diretor do Jornal do Povo. Quando um jornal utiliza apenas uma fonte de informação para veicular suas notícias, dá margem para que a população entenda que esse jornal serve como instrumento de manobra à determinado órgão público.
Imagem/Reprodução
Manchete do jornal, foto e texto da assessoria da Prefeitura
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