Equipe Matéria PrimaDesde a infância, o estímulo ao hábito da leitura é algo muito importante para a formação do indivíduo, pois auxilia na criatividade, desenvolve o raciocínio e traz uma série de benefícios ao longo de toda uma existência. Esses fatores são significativos tanto na escola como na vida. É como se diz por aí: "quem escreve bem é aquele que lê bem".
Durante os quatro anos da faculdade, os estudantes de jornalismo são exaustivamente lembrados de que a leitura é muito importante e essencial à profissão. Vemos, em pesquisas, que os brasileiros têm o hábito de ler pouco e há uma defesa unânime para que essa condição seja mudada (vocês já viram alguém pregar o contrário?). Nesse sentido, a função social do jornalista também deve se manifestar, a qualquer tempo, no incentivo à leitura. E como deve ser isso? A resposta parece óbvia: oferecendo informação completa, criando estímulos para que o leitor avance sobre os textos do jornal e só pare de ler quando, realmente, chegar ao ponto final da reportagem.
Porém, o jornal "O Estado do Paraná", em sua editoria "5 minutos", demonstra ter uma visão totalmente oposta à que se aprende nos bancos escolares. O próprio nome da editoria sugere que ali se gastará pouco tempo, só cinco minutinhos, com a leitura de notas classificadas por subeditorias, como país, política, cidades, mundo, esportes e economia. É uma espécie de resumo/índice das principais reportagens do jornal, ou seja, com os elementos básicos do primeiro parágrafo, conhecido entre os jornalistas como
lead. No final de cada nota há indicação da página em que se encontra o texto completo.
A editoria "5 minutos" do "Estado do Paraná" deve ter sido produzida para satisfazer aqueles leitores que alegam não ter tempo de informar-se no dia-a-dia, que apenas passam os olhos sobre as manchetes para dizerem-se informados. No entanto, ao "atender" essa parcela apressada, o jornal acaba por levar outros leitores a desenvolver o mesmo hábito. Lê-se algumas dezenas de notas em cinco minutos e descarta-se todo o esforço de um dia inteiro de trabalho dos repórteres que colaboraram com aquela edição. Sem dúvida , "5 minutos" é um incentivo a mais para os leitores não se aprofundarem no noticiário.
A indicação da página com o texto completo, no final de cada "resumo", não exime o jornal da responsabilidade de refletir sobre o que, de fato, está propondo a seus leitores com a "5 minutos". Deve-se lembrar que a função da "chamada" da notícia é especificamente da capa e não de uma editoria.
Melhor do que oferecer
fast food informativo, o "lanche rápido" da notícia, fazendo concessões à realidade estampada pelos baixos índices de leitura no país, o jornal "O Estado do Paraná" deveria pensar mais em estratégias de incentivo à formação de leitores. É fundamental à sobrevivência do jornalismo perceber o quanto é importante ler, e entender, a notícia. Só assim é possível construir opiniões próprias e completas sobre os fatos.
Imagem/Reprodução de página da editoria "5 minutos", de 19/03/2006
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