Equipe Matéria PrimaAo visitar o site do jornal "Brasil Urgente" (www.band.com.br/brasilurgente) encontramos a acertiva de que o programa utiliza linguagem coloquial e opinativa, dispensando os formatos tradicionais de se fazer jornalismo, assumindo a flexibilidade e o dinamismo. A descrição não pára por aí. Continua o texto e logo se encontra, citando o discurso de Fernando Mitre, diretor nacional de jornalismo da Rede Bandeirantes, que o jornal está disposto a "mexer muito na linguagem do telejornalismo, deixando de lado a camisa de força que se vê por aí". No entanto, um questionamento deve ser feito, não quanto à inovação da prática jornalística " essencial para as diversas adaptações que qualquer atividade tem de passar " mas em relação a qual camisa de força o programa diz se libertar. Certamente a da ética.
Na edição de 15 de janeiro, o "Brasil Urgente" entrevista um pedreiro que trabalhava no canteiro de obras da estação Pinheiros do metrô (zona oeste de São Paulo) que desabou no dia 12 de janeiro. No decorrer da conversa, a suposta assessoria de imprensa (que não fica claro se é da Prefeitura de São Paulo ou da empresa que estava realizando os serviços) interrompe a entrevista. A partir desse momento, o apresentador José Luiz Datena discute por um bom tempo a falta de democracia por parte da assessoria.
Mas o que se descobre? Que o programa estava utilizando uma pessoa alcoolizada. Apenas quando a assessoria de imprensa alerta sobre que jornalismo estavam fazendo ao entrevistar uma pessoa nessas condições é que o repórter Márcio Campos questiona o motivo de eles contratarem um "alcoólatra" para trabalhar nas obras.
Convenhamos que não é preciso pensar muito para se concluir que o sujeito não deveria estar bêbado na hora da contratação. O interessante seria indagar o porquê de a equipe utilizar um "alcoólatra" como fonte de informação. O apresentador afirma que não há democracia e que falta transparência nas atitudes da assessoria, mas a própria produção não prima pelo jornalismo ético e responsável - procurando, no mínimo, fontes consideráveis.
Mas esse não é um caso isolado, uma exceção. Basta sentar de segunda a sexta à frente da TV, das 18h20 às 18h50, para ver um "Brasil Urgente" recheado com muita opinião infundada, adjetivação do tipo "a bela do crime", e, porque não, bêbados como fontes legítimas de informação. A opinião, colocada explicitamente na descrição do programa, não é errônea, o que não pode acontecer é ser firmada em meros "achismos" e pretensões e utilizada como desculpa para não dar a informação.
Numa referência ao símbolo da Justiça, Datena aparece de olhos vendados no site. A Justiça, simbolizada por uma mulher com os olhos vendados, não enxerga como forma de representar que a lei é igual para todos. Já a cegueira do apresentador simboliza o não comprometimento com o jornalismo verdadeiro, desvinculado de sensacionalismos e enganações.
Imagem/Band
De olhos vendados, José Luiz Datena esconde o bom jornalismo
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