Equipe Matéria Prima"Lá vem o Globo Esporte, Globo Esporte, Globo Esporte. Todos atentos olhando para a TV!". É neste clima que o telejornal esportivo, da Rede Globo, entra ao ar às 12h45. De segunda a sexta a programação do Globo Esporte é pouco inovadora. Os telespectadores já sabem quem são os "personagens" do telejornal e acham graça no esporte apresentado pela Rede Globo.
Em 2001, o programa passou por reforma para mudar de cara e melhorar a qualidade de suas reportagens. Porém, a busca incessante por qualquer tipo de novidade ainda acaba "atropelando" a barreira da ética e desrespeitando a vida particular principalmente dos jogadores de futebol.
Melhores e piores lances; gols feitos e gols perdidos; faltas e impedimentos; pênaltis e brigas, o jornalismo que a Rede Globo chama de esportivo, não passa de um "control C/control V" das partidas de futebol.
A abertura do programa exibido no dia 2 de outubro deste ano, foi sugestiva. Em meio a piadinhas, a música "Tic tic nervoso", do grupo Magazine, foi trilha sonora do programa, que encerrado com uma matéria sobre estresse, tirou o humor de qualquer jornalista esportivo.
As reportagens diárias têm o mesmo formato. O time que está para ser rebaixado ganha destaque. Depois da piadinha sobre a sua pontuação, conta-se uma historinha rápida da equipe, relembram-se os craques e dá-se uma luz no fim do túnel.
Mesmo, aos poucos, deixando as vinhetas e créditos "engraçadinhos" para o Esporte Espetacular, o Globo Esporte não perdeu o humor. Os melhores lances do futebol são apresentados com música animada (estilo balada), os tropeços e erros dos atletas são reprisados e debochados durante o telejornal.
Certamente o jornalismo está disfarçado de "Seu Madruga", quando cobrado, se esconde e dificilmente é encontrado nesse horário.
Em reportagem exibida no dia 26 de setembro deste ano, o telejornal esportivo mostrou a vida cotidiana de um lutador de judô. A reportagem que começou séria, mostrando os treinos e falando do campeonato, acabou se perdendo e virando piada na boca da mãe do atleta (como de praxe) que, segundo eles, está preocupada com a comida do filho e a blusa de frio que ele não poderá esquecer de levar para as disputas.
O Pré-Olímpico das Américas, que ocorreu em Valdívia, no Chile, e o campeonato brasileiro de futebol, Brasileirão, sustentaram o telejornal nas últimas semanas. Na tentativa de inovar a informação, mas uma vez o jornalismo esportivo acabou dando espaço para um passeio turístico pela cidade de Valdívia e o telespectador pôde até saber um pouco sobre a vida dos leões-marinhos daquela região.
Diante do "show" de informações sobre o esporte, o primeiro bloco do programa ainda resiste e , apresentando reportagens regionais, é notória a preocupação dos jornalistas pela conservação da ética e busca pela informação relevante para a sociedade.
O jornal como um todo precisa ser repensado. O Globo Esporte precisa se voltar para a idéia original do jornalismo que é a informação, deixando as piadinhas e palhaçadas para o programa do Chaves.
Imagem/http://geminas.globo.com
Entretenimento e pouca informação marcam telejornal
OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TIVEREM O NOME COMPLETO DO AUTOR E EMAIL PARA CONTATO NÃO SERÃO PUBLICADOS Mais notícias da seção
° no caderno
Crítica