Equipe Matéria PrimaComo é de amplo conhecimento, programas televisivos abusam do tom apelativo, em busca do aumento de audiência que os coloque em uma posição melhor no Ibope. A programação sensacionalista não é nova. Na década de 1960 já era conhecida como a "comunicação do grotesco". Ainda hoje, a fórmula dos programas apelativos continua a mesma ou é até pior: exalta-se sempre as mazelas humanas de forma vexatória e cruel.
Maringá não foge à regra. O programa "Pinga Fogo na TV", transmitido de segunda a sexta pela TV Maringá (Rede Bandeirantes), das 12h30 às 13h30, é o líder de audiência no horário e segue com uma mistura de programa policial de baixa categoria e humorístico. O grande volume de anúncios pode explicar o fato de o programa Pinga Fogo conseguir superar em audiência até o jornalístico Paraná TV 1ª Edição transmitido no mesmo horário pela Rede Globo. Quem assiste ao programa "Pinga Fogo na TV" é porque gosta, aprova e ainda defende o conteúdo depreciativo ali mostrado. Mas "Pinga" não reina absoluto. Para entrar na briga por audiência foi criada a versão maringaense para o "Aqui Agora", programa exibido de segunda a sexta, das 12h35 às 13h45, pelo GPP (Grupo Paulo Pimentel).
O "Aqui Agora" surgiu há seis meses com a promessa de fazer um programa com enfoque social e policial diferente dos que já são apresentados. E também levar para a população de Maringá e região o que acontece no dia-a-dia da comunidade. Apesar de todo esse propósito, o programa também produz reportagens de cunho apelativo, como ocorreu com a cobertura feita por Cláudio Sá, no dia 3 de abril. Tratava-se do caso de uma mulher que entrou na prisão com maconha e outros apetrechos "escondidos" na cavidade vaginal. A notícia foi narrada de modo vulgar pelo repórter e sem acrescentar qualquer informação útil para o telespectador. Geralmente, notícias cobertas por esses programas não possuem nenhum agente mobilizador social para serem apresentadas. Resumem-se a sensacionalismo barato.
Ao entreter a massa com a desgraça humana, a fim de criar um espetáculo televisivo e até gerar um certo caos na sociedade, tais programas não têm outro propósito senão o de faturar os espaços comerciais que lhes cabem. Então, "o tal enfoque social e policial" é deixado de lado e entra o pastelão como mote dessas produções de gosto duvidoso. Querendo ou não, é disso que o povo realmente gosta e o Ibope revela. O lixo eletrônico agradece.
Imagem meramente ilustrativa/http://barcelona.indymedia.org/?category=manipulacio_mitjans
OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TIVEREM O NOME COMPLETO DO AUTOR E EMAIL PARA CONTATO NÃO SERÃO PUBLICADOS Mais notícias da seção
° no caderno
Crítica