Equipe Matéria PrimaHá algum tempo o SBT prometia começar o ano de 2007 com uma virada, principalmente com relação ao jornalismo, que seria levado mais a sério. No primeiro dia do ano colocou no ar o "Jornal da Massa", apresentado por Carlos Massa ou Ratinho.
Seria esta uma piada de mau gosto? Em uma das edições do jornal, logo nas primeiras semanas de exibição, o apresentador disparou o seguinte comentário: "A gente fala o que a massa quer ouvir. Porque este é um jornal feito para ela".
Mas e o que seria essa massa tão aclamada por Ratinho? Segundo teóricos da Escola de Frankfurt, que introduziram o conceito de Indústria Cultural e Cultura de Massa, essa massa é alienada e, conseqüentemente, desinformada. A alienação é aceitar idéias e mensagens sem pré-julgamento, tornando-se assim uma sociedade do consumo sem restrições. E esse público o Ratinho tem.
Logo que entrou na grade do SBT, o jornal conseguiu recuperar a vice-liderança, que há tempos não pertencia à emissora. O jornal não cita fontes, nome e sobrenome de entrevistado, nem mesmo onde está acontecendo a notícia. Na edição de 10 de janeiro, uma das reportagens que foi feita por sua equipe (coisa rara nesse jornal), começava com duas mulheres brigando e o "repórter" anunciando o motivo da briga. Se o público escolhido fosse o intelectualizado ou pelo menos melhor informado, qual seria o índice de audiência?
Para conseguir mais credibilidade (e cara de jornal), não se sabe para quem, o polêmico apresentador, conhecido por suas façanhas sensacionalistas, não deve ser chamado de Ratinho no jornal, e sim de Carlos Massa. Afinal, de que outra forma conseguiria algum tipo de credibilidade? Com as reportagens é que não seria.
De jornalismo esse jornal não tem nada. Nem mesmo a equipe de produção. Luiz Gonzaga Mineiro, diretor de jornalismo do SBT, em entrevista à "Folha de S. Paulo" admitiu que o Jornal da Massa "não usa nada do jornalismo, nem equipamentos, nem profissionais. [É um] programa com nome de jornal".
Ratinho ou Carlos Massa, tanto faz, consegue atrair o público massivo, alienado, desinformado e que compra tudo o que a televisão oferece, para o que quer que faça. O sensacionalismo chama a atenção das pessoas. Mas a audiência nunca se mantém. Por que será?
Na edição de 3 de fevereiro, o apresentador comentou que "sempre, por exemplo, a gente vai ter uma matéria de perseguição, porque todo mundo gosta de perseguição". Mas será que todo mundo gosta mesmo? Ou seria o público que eles esperam ter? O público que eles querem ter? De qualquer forma, o Jornal da Massa é uma agressão a qualquer telejornal que se preze.
Imagem meramente ilustrativa/SBT
Promessa de jornalismo comprometido foi quebrada no SBT
OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TIVEREM O NOME COMPLETO DO AUTOR E EMAIL PARA CONTATO NÃO SERÃO PUBLICADOS Mais notícias da seção
° no caderno
Crítica