Equipe Matéria Prima A revista Veja publicou uma reportagem com a ex-primeira dama Rosane Collor em dezembro de 2007. Afinal ela acompanhou de perto um período turbulento na política do Brasil. E vale lembrar que até hoje, quase 20 anos depois, não foram totalmente esclarecidas as corrupções, brigas e traições do governo Fernando Collor.
Neste contexto a curiosidade gerada pela reportagem é convidativa, ainda mais por ser algo recente em nossa política. Quantos leitores não passaram por esse período e acompanharam o instável governo do presidente Collor? Os jovens que protestaram contra o governo, conhecidos como "caras pintadas", também acompanharam e até o tiraram do poder.
Assim, o convite ao leitor está mais do que bem feito, porém a reportagem não segue esta mesma linha. Vaga, não revelou nada do que já não esteve na mídia durante a presidência de Collor.
Sensacionalista, divulgou com intuito de causar impacto na sensibilidade do leitor, utilizando palavras como "exclusivo", "rompeu o silêncio" e "conta pela primeira vez os bastidores". A reportagem é também tida como uma matéria fria para o campo do jornalismo, ou seja, não-factual e sem novidades ou descobertas, cuja idéia de matéria quente que iria desvendar os impasses de uma das presidências mais corruptas de nosso país, foi falsamente transmitida aos leitores.
A grande ironia da reportagem foi quanto às perguntas que mais interessavam ao leitor, como o motivo do presidente e da primeira-dama não comparecerem ao enterro do tesoureiro assassinado, Paulo César Farias, o PC. Segundo Rosane, nessa época eles já não tinham muito contato, talvez por ele ter disparado a famosa frase: "a madame está gastando demais", mas mesmo assim ligaram para se solidarizar com a família. Na reportagem de Veja, as perguntas que tinham relação com as contas secretas no exterior, com os desvios de dinheiro e com seus gastos pessoais de R$ 25.800, a resposta de Rosane foi única: "não posso falar sobre isso".
Por fim, o leitor que leu a reportagem pôde concluir somente que muitas vezes o jornalismo não necessariamente informa algo novo. Mas informa algo velho? Aliás, coloca na mídia informações já publicadas há quase 20 anos! Ou melhor, como no caso dessa reportagem, ilude, equiparando-se assim à nossa política, talvez por combinar com o enfoque do texto.
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