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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Crônica
  08/12/2007
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Despedida com sensação de dever cumprido
Nosso tempo no Matéria Prima já terminou, mas as marcas permanecem; depois de toda tensão inicial é hora dizer adeus
Despedida com sensação de dever cumpridoAmanda Marques
Atenção. Vai começar. Todo início pode ser difícil, doloroso, receoso. Mas o fim é sempre saudoso e deixa marcas que não vão se apagar. Como tudo tem a sua primeira vez, no Matéria Prima não é diferente, também existe o primeiro texto. Recordo claramente das primeiras entrevistas. Sentia-me como uma criança que arrisca dar seus primeiros passos, insegura, ansiosa e ao mesmo tempo corajosa.

Uma das poucas pessoas, senão a única, que pode passar total segurança a uma criança é a mãe. Por isso, mesmo sem saber andar direito, o bebê arrisca longos passos até chegar aos braços da sua protetora, porque sabe que pode confiar. A insegurança, ansiedade e a preocupação foram embora depois da correção do primeiro texto. Foi então, que me senti como a criança que estava aprendendo a andar com a proteção da mãe.

Toda ansiedade passou depois que ela, a professora, começou a correção. E para quem tem a opinião de que não há críticas construtivas, ainda há tempo de desfazer o equívoco, pois tudo o que ela disse, criticou, reclamou, serviu para que eu pudesse melhorar. Valeram a pena todos os "puxões de orelha".

Durante todo o ano acompanhei a evolução dos meus colegas de sala e a minha própria. É normal que todos vibrem ao tirar boas notas. Mas não era só isso que estava em jogo. A maioria se preocupava com a importância da informação publicada e também valorizava todo o tempo que dedicava ao Matéria Prima. No final da correção todos os textos eram aplaudidos e, é bom lembrar que nem sempre os melhores textos são classificados com nota 10, há ainda os erros técnicos que sempre tiram uns pontinhos da nota. Mas todos nós, incluindo a professora, sabíamos reconhecer isso.

As notas baixas nunca desanimaram os alunos, a expectativa era sempre de superar, e muitos conseguiam. Os primeiros "10" eram motivo de comemoração da sala inteira. Isso porque todos acompanhavam a trajetória dos amigos, sabíamos das dificuldades e dos problemas que cada um enfrentava para concluir o texto. E a professora? Não, com ela não tinha folga. Não importavam as dificuldades, o importante era aprender que tínhamos de passar por tudo aquilo, sem desculpas, sem lamentação. A sala era uma verdadeira redação chefiada por ela.

Hoje posso dizer que, no jornalismo, ainda sou uma criança, mas com uma diferença, já aprendi a andar. Todo o meu conhecimento sobre jornal impresso devo a essa persistência, acompanhada de perto pela professora-mãe. Sempre pude contar com ótimos profissionais que lecionam no Cesumar (Centro Universitário de Maringá), todos contribuíram para o meu desenvolvimento como aluna e como pessoa. Mas sinto-me a vontade para dizer que não consigo imaginar o sucesso de um curso de jornalismo sem uma mão orientadora " que certamente tenho aqui.


Imagem/Arquivo particular Amanda Marques
amarquesoares@hotmail.com


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