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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Crônica

  03/11/2007
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Policial e bandido resolvem ir ao cinema

Para aproveitar a folga o policial resolve relaxar e ir ao cinema com o filho, mas o bandido decidiu ir também

Policial e bandido resolvem ir ao cinema"O agente penitenciário Ivison Correia Oliveira, de 39 anos, morreu na madrugada desta terça-feira, 16, após ser atingido por um tiro no fim da sessão do filme Tropa de Elite. Ele assistia ao filme em uma sala de cinema do Shopping Tacaraúna, no bairro de Santo Amaro, no Recife, mas a polícia ainda não sabe a origem do disparo."
Portal do Estadão (http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid65648,0.htm) - 16/10/2007

Murilo Battisti
A semana foi dura, cheia de ocorrências, mortes, broncas do capitão e problemas para resolver. O policial, já cansado, finalmente consegue ganhar um final de semana de folga. Afinal, corporação policial de cidade grande não é fácil de se trabalhar.

Ele vai para casa e pensa em dedicar um tempo especial à família. Mesmo com o baixo salário que ganhava o policial conseguia viver bem, sustentava a família, tinha carro, casa própria e sempre presenteava e agradava a mulher e o filho. Tudo isso graças a outros "bicos" que fazia no seu bairro.

Naquele final de semana, estava em cartaz um filme que causara muita polêmica e fazia muito sucesso. Era uma história de bandidos, violência, tráfico de drogas, policiais corruptos e uma minoria que ainda tentava praticar a honestidade. O filho do policial queria que o pai o levasse ao cinema para assistir ao tal filme. Mesmo não querendo, mas para agradá-lo, ele resolveu ir.

O filho adorava sair com o pai, pois ele sempre inspirava segurança, pelo fato de ser um policial duro e agir naquele bairro onde moravam, e por sair sempre com uma arma na cintura. No domingo, eles decidiram assistir ao filme e foram andando, pois o cinema não era longe de casa.

Ao caminhar com o filho pela avenida, o policial avistou um bandido conhecido daquele bairro, que parecia estar conversando com uma mulher em uma das ruas paralelas. O indivíduo era inconfundível: magrelo, alto, moreno e de cabelo "black power".

Andava sempre com roupas largas, camiseta rosa e usava brincos de argola enormes na orelha e nariz. Era jovem e tinha um visual diferenciado, mas era um bandido muito perigoso.

O policial deixou o filho a uma distância segura e foi se aproximando para ver o que estava ocorrendo. Ao chegar mais perto percebeu que aquilo era um assalto e aproveitando que o bandido estava de costas o abordou. "Parado aí malandro, você está preso!", gritou o policial. A moça, que estava sendo assaltada, sem querer saber de conversa saiu correndo e o bandido largou a arma e pôs as mãos para cima, assustado. "Calma, calma chefe. Não precisa de tudo isso, não, conversando a gente se entende", dizia ele que, calmamente, foi tirando algumas notas de dinheiro do bolso.

O policial sabia que devia levar o conhecido bandido preso, mas acabou "ouvindo" o que o bolso do indivíduo tinha a dizer. E os dois foram se entendendo perfeitamente.

Mesmo recebendo o dinheiro do ladrão, o policial ainda pegou o relógio, o celular e algumas pulseiras de ouro que estavam com ele. "Vai passando essas "porra" roubada aí filho da puta. Essa ´pica` num é mais tua não, vou levar tudo pra delegacia, vagabundo", dizia o agente da lei.

Dava para notar a cara de insatisfação do bandido, que antes estava assaltando e agora estava sendo assaltado, mas ele nada podia fazer. Entregou tudo ao policial e logo foi liberado.

Satisfeito e orgulhoso pelo cumprimento de seu dever, o policial acalmou a criança que estava assustada com a cena, guardou os objetos apreendidos no bolso e pai e filho seguiram para o cinema.

Acomodaram-se nas poltronas e quando já estava bem escuro começou o filme, mas ainda foram entrando mais algumas pessoas. O filme era violento, porém, real. Mostrava o cotidiano de uma corporação policial e principalmente o seu lado "podre". Muitas cenas deixavam o policial inquieto, afinal, a verdade às vezes incomoda.

Assim que terminou o filme, o filho levantou-se primeiro que o pai e, de repente, ouviram-se tiros vindos do fundo do cinema. As pessoas entraram em pânico e correram desesperadamente. O policial também se assustou, levantou-se e quando olhou para o lado, viu que os disparos tinham acertado o peito e a cabeça do seu filho.

Desesperado, ele sacou a arma e ao procurar o indivíduo que tinha atirado no meio de tantas pessoas, um tiro acertou-lhe o braço. Ele soltou a arma e caiu ferido ao chão, ao lado do corpo da criança, que já estava morta. Olhou para o rosto desfigurado de seu filho, jorrando sangue, e começou a chorar. Sentiu uma tristeza enorme e já não tinha mais forças nem para tentar fugir dali.

Sem conseguir se mover, em meio aos corredores do cinema, ele via uma pessoa se aproximando. Era um magrelo, alto, moreno, de cabelo "black power", camiseta rosa e arma na mão. Um sentimento de ódio tomou conta do policial. O bandido olhou para o corpo da criança que ele próprio havia matado, depois, para o policial, com um olhar de desprezo e proferiu as últimas palavras que o agente da lei ouviu em vida. "Perdeu malandro. Perdeu."

Imagem meramente ilustrativa/www.voltairenet.org

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