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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista

  17/11/2007
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ANGELA TAMIKO HIRATA - "A Havaianas é o produto mais democrático do Brasil"

Segundo a consultora executiva, acreditar no produto e saber se comunicar são algumas receitas para o sucesso

ANGELA TAMIKO HIRATA - Elise Yoshida
Fazer um produto "made in Brazil" ser sucesso no mundo inteiro não é para qualquer um. Mas Angela Tamiko Hirata, 62, conseguiu fazer desde as celebridades de Hollywood até os mais simples pés calçarem as "legítimas sandálias Havaianas".

Hirata é consultora executiva da São Paulo Alpargatas, empresa detentora da marca Havaianas. Em 1999 começou a prestar consultoria para a Alpargatas e, no ano seguinte, foi convidada a abrir o departamento de comércio exterior na empresa. Foi então que as sandálias começaram a "andar" pelo mundo todo.

Azaléia, Boticário, Levi"s, Ann Tailor, Anne Klein, Banana Repuplic e Hering são apenas algumas das empresas com as quais Hirata já contribuiu com seu trabalho. E isso não é tudo em seu currículo. Mãe de dois filhos, a executiva é formada em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (USP), fala fluentemente japonês, inglês, italiano e espanhol e, segundo elas mesma, sempre está com a Havaianas nos pés.

"A tendência muda, mas o conceito não." É assim que a consultora executiva definiu a moda em uma entrevista descontraída no Hotel Mabu Golden Ingá, de Maringá. A empresária esteve na cidade, dia 13 de abril, para o 1º Encontro Regional de Mulheres Empresárias, Empreendedoras e Executivas, organizado pela Acim Mulher, e concedeu a entrevista a seguir ao jornal Matéria Prima.

A São Paulo Alpargatas possui muitos produtos de renome, como a Topper e a Rainha, mas a Havaianas é a grande marca. Na opinião da senhora, por que existe esse destaque das sandálias?
Eu tenho muito amor por cada uma das marcas da Alpargatas. Mas a Havaianas tem destaque maior por ser brasileira. Tem a cara do Brasil. Ela é irreverente e bastante descontraída. Eu diria que a Havaianas é o produto mais democrático do Brasil.

A Havaianas tem a fama de ser democrática, porque dizem que as sandálias calçam desde os mais humildes até às celebridades. Essa é uma boa propaganda?
Com certeza. A Havaianas é o produto mais democrático e tem de ser democrático. Democracia não pode ser somente no discurso. Em tudo tem de ter. O jeans não é o produto mais democrático do mundo? Por que a Havaianas não pode ser? Eu espero, um dia, que a Havaianas seja um produto como o jeans: usado pela classe alta, classe média e classe massiva. Eu tenho muita esperança.

Em muitas revistas, jornais e entrevistas, o sucesso da Havaianas é dedicado à senhora. A senhora concorda?
Eu não digo que o atributo de sucesso deva somente a mim. Tem a própria empresa que acreditou na forma de eu levar essa estratégia para o mercado. Toda equipe que veio trabalhar comigo e toda a equipe da Alpargatas. Todos acreditaram no meu projeto, então todos são parceiros do sucesso.

A Havainas Top, lançada em 1993, foi um grande avanço para o sucesso das "legítimas". Foi proposital essa "glamourização" ou era somente uma mudança na sandália que acabou atraindo um público mais "elitizado"?
O glamour da Havaianas não veio com a Top. A Top nasceu para reconquistar o mercado de classe média que estava se perdendo. Não havia inovação, estava sempre com as quatro cores básicas. Era um ciclo de comodismo. Na época, o diretor criou essa Havaianas trazendo uma tendência de cores para reconquistar a classe média. O glamour começou quando foi criada a customização no mercado externo.

E essa customização, que deu glamour às sandálias, foi o passo para a internacionalização?
A Havaianas Top ajudou no glamour, porque, na seqüência [do lançamento das Havaianas Top], tive a idéia de internacionalizar o produto e busquei o mercado high, posicionando a marca. Conseguimos entrar na entrega do Oscar com a Havaianas customizada pelos cristais Swarovski. Essa foi uma estratégia criada por mim também. Depois veio a Havaianas Jóia, criada pela H. Stern, que foi para o mercado por R$ 5 mil. Nós atingimos o mercado de Hollywood e as estrelas começaram a usar Havaianas. O glamour começou a vir gradativamente.

Como a senhora percebeu que as sandálias poderiam ser tão bem sucedidas no exterior?
Acreditando no produto. É um enigma. Você não sabe qual vai ser a reação da pessoa. Desde o momento que você acredita no produto que tem na sua mão, sabe que aquele produto tem condições de atender. Tem de saber sobre qualidade, tem de saber sobre a produtividade, tem de saber quanto ao prazo de entrega. Isso tudo é uma somatória, uma técnica, uma ferramenta para levar seu produto. Acreditar no seu produto. Internacionalizar um produto não é simplesmente estufar um container, mandar o barco, chegar no destino e internacionalizar. Isso não. Desde o momento que você atravessou o oceano e foi para outra fronteira até o seu produto estar em outro país, tem de fazer um outro trabalho que se chama pós-venda. Tem de estar bastante próximo do cliente.

E essa seria a única receita? Não tem segredo?
O que mais importa é uma coisa chamada comunicação. Comunicação é primordial. Você tem de ter uma forte comunicação, com o distribuidor, com o cliente, com o consumidor, na loja. Inovação sempre. Inovação não só no produto, na forma de comunicar. Se você coloca um produto na loja, você tem de fazer com que aquele produto tenha apelo, impulso do consumidor, desejo de comprar. Essa técnica você tem de criar. Se você está comprometido com seu produto, você consegue fazer acontecer.

Além das jóias H. Stern e dos cristais Swarovski, quais outras marcas se aliaram a Havaianas?
Já tivemos parceria com a Louis Vuitton, Mont Blanc, Celine e estamos negociando com a Emiliano Gucci. O famoso time de beisebol do Japão, Tigers, também fez sucesso com a Havaianas. Todas essas marcas que agregam valor ao nosso produto.

Na opinião da senhora, esse produto, tipicamente brasileiro, tem vantagem competitiva em relação aos produtos de outros países?
Acredito que sim, por isso está um sucesso em mais de 80 países, em cinco continentes. Eu nunca digo que Havaianas é uma marca como Louis Vuitton, ou Channel, ou Prada. Existe diferença. Mas, não tem nada que atrapalhe estando junto na vitrine, usando Havaianas e Mont Blanc, como já aconteceu. Não existe nenhum preconceito. A Havaianas é isso. É irreverente, brasileira, tem bastante descontração. Hoje a marca tem glamour, valor e é bem posicionada.

A senhora disse que a Havaianas já chegou em mais de 80 países. Existe algum lugar que as sandálias ainda não atingiram público e que a Alpargatas gostaria de estar comercializando?
Pouco a pouco vamos cercando. O maior sonho é termos um espaço muito mais posicionado e conquistado na China. A China é o melhor ponto de venda, mas temos de ir mais devagar, porque a população dela é muito grande. Se a demanda acontecer como está acontecendo em outros países, provavelmente teremos de montar uma fábrica ou criar parceria de fábrica na China. A China é um grande desafio e um grande mercado para nós.

Por ser comercializada em tantos países, os modelos das sandálias têm de variar conforme o lugar ou é feito um modelo que possa ser comercializado no mundo todo?
Lembra-se que há pouco eu falei sobre conceito? Havaianas é o mesmo, não muda. Única coisa que acontece, por exemplo, se faço Havaianas Mont Blanc é Mont Blanc. Se eu faço Louis Vuitton é Louis Vuitton. Existe essa diferenciação, mas o conceito da Havaianas é o mesmo. O que nós produzimos aqui é o mesmo que vai para o exterior. O que acontece é que no exterior nós temos Havaianas de valor agregado, Havaianas customizada que vai para as lojas de select shop. Isso acontece.

Existe preconceito de outros países em negociar com o Brasil?
Nenhum. Desde que você posicione muito bem, saiba o que você está oferecendo, não existe nenhum preconceito. O mercado está ávido por um produto bom. Mas tem de ter respeito e comprometimento. Desde que você tenha um produto qualificado e tenha comprometimento não existe nenhum preconceito. Eu nunca sofri em país algum.

A senhora recebeu o prêmio Cláudia 2006 e também concorreu a muitos outros. A que atribui esse reconhecimento e valorização de trabalho?
Isso é muito gratificante. Eu não esperava. Imagine, mais de 200, 300 mulheres concorrendo e eu ser reconhecida é muito gratificante. Esse tipo de reconhecimento, não existe preço que pague. Cada um de nós tem um desejo. O desejo que eu tinha era de levar um produto made in Brazil. Fazer a marca brasileira conquistar o exterior. Eu consegui realizar esse sonho e me sinto uma mulher realizada. Agora, estou buscando outro desafio.

E qual seria esse novo desafio?
Tem três valores que norteiam minha vida: ética, responsabilidade e comprometimento. Esses três valores sempre convivem comigo. A partir desses três valores eu começo a disseminar meu trabalho. Qual foi meu sonho? Fazer com que o Brasil seja mais reconhecido de uma forma digna, uma marca made in Brazil. Esse sonho aconteceu. Hoje, ouve-se falar sobre preservação do meio ambiente e aquecimento do globo terrestre. Tudo isso é maravilhoso, mas se não existe uma economia que sustente, não existe uma sustentabilidade. Meu grande desafio agora, a partir deste ano, sem esquecer da Havaianas, é fazer um trabalho com produto da Amazônia, da mata atlântica. Mas não um souvenir barato. Um produto fashion, que tenha apelo comercial e que possa agregar valor. Criar o desejo de consumo. Esse é o produto que estou começando a trabalhar.

Então, já começou a ir atrás desse novo sonho?
Já comecei a exportar a "Amazon Life" para Itália, Estados Unidos, Japão, Inglaterra e alguns países da Escandinávia. Quero dizer que a Amazônia existe, mostrar a cultura indígena, mostrar que os índios existem e devem ser respeitados. É uma gotícula no oceano, mas se todos acreditarem no trabalho e isso virar um grande business, essa gotícula pode virar uma grande onda e realmente conseguir preservar a nossa Amazônia, que também é do mundo. Também tenho preocupação com os meus netos, bisnetos, meus sucessores. Quero que tenham a condição de respirar um ar puro. A minha participação é tão pequena, mas tão pequena, mas eu quero dizer para o mundo o que pode acontecer. No meu dicionário não existe nada que diga "não dá para fazer". Dá para fazer desde que você confie no seu trabalho. Esse é meu grande desafio. Sonhar todo mundo sonha. Tem de fazer o sonho se tornar realidade.

Imagem/http//premioclaudia.abril.com.br/2006_angela.shtml
"Hoje a marca tem glamour e é bem posicionada", diz Hirata

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