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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  02/06/2007
  1 comentário(s)


ANTENOR SANCHES - "Maringá é um sonho tornado realidade"
Foi com simpatia que o presidente da Associação dos Pioneiros de Maringá recebeu o MP para falar sobre a cidade que tanto ama
ANTENOR SANCHES - Isabela Mattiolli
Não tem como falar do surgimento de Maringá sem lembrar da figura de Antenor Sanches, 80 anos. De origem catarinense, Sanches veio para Maringá em 1947 e desde então nunca mais saiu daqui. Se casou com a professora Lucrecia Vareschini Sanches, já falecida, com quem teve seis filhos "todos maringaenses" segundo ele. Ingressou na carreira política em 1956, mantendo-se como vereador por 30 anos (o equivalente a sete legislaturas), entre outros cargos administrativos. Foi nesse período em que ele diz ter criado mais de 300 leis municipais. Desempenhou papéis sociais, como o de jornalista (colunista de jornais por mais de 26 anos) e radialista.
Ao se aposentar na administração do prefeito Said Ferreira recebeu uma homenagem com a colocação de uma placa de bronze na Praça dos Expedicionários. Em 1999 também recebeu o título de Cidadão Benemérito de Maringá. Hoje, é presidente da Associação dos Pioneiros de Maringá, escritor e autor dos livros "Maringá sua história e sua gente", "Cidade Canção" e "Maringá, outrora e agora". Antenor Sanches encanta não só pelas inúmeras histórias que tem para contar sobre Maringá, como também pela sua disposição e carisma.

O que fez o senhor deixar a cidade de Caçador em Santa Catarina e vir para Maringá?
Eu vim de Santa Catarina, vim para conhecer Maringá e acabei conhecendo uma professora daqui e ali começou um namoro e por ela, por causa de uma moça é que a gente veio morar em Maringá, para você ver como é que é a vida.

Como é que o senhor considera o dia 10 de maio como data de fundação de Maringá?
É que até o dia 10 de maio de 1947 só tinha o Maringá Velho e era um patrimônio separado aqui do Maringá Novo. E daí então começou a derrubar a mata do Maringá Novo, a partir de 47, para fundar na verdade a cidade de Maringá. Em razão pela qual estamos comemorando 60 anos agora neste mês de maio. Mas na verdade existia já o Maringá Velho desde 42 e também gente entrando aqui em 37, 38.

Quais foram as dificuldades dos primeiros anos?
Os primeiros moradores que aqui chegaram passaram muitas dificuldades. Eu, inclusive, quando falo na questão das mulheres que vieram com criancinhas pequenas para morarem em ranchos no meio do mato, eu acho que elas foram verdadeiras heroínas e enfrentaram muitas situações. Havia até onça no mato nosso aí. Nos primeiros cinco anos praticamente os filhos dessas mulheres ficavam sem escola e sem assistência médica. Naquele tempo não tinha nem cemitério em Maringá. Há uma história aí, que é verdadeira, que os peões, o pessoal da zona rural, abriram no meio da mata, na beira da estrada, um cemitério e deram o nome de Cemitério dos Caboclos. Ali eles sepultavam as pessoas, traziam os defuntos em lonas ou enrolados em lençóis. Isso parece história de muitos anos passados, mas são histórias de cerca de 60 anos atrás. Então a situação desse povo da região foi muito difícil.

Alguns pioneiros falam de um apelido que Maringá tinha no começo, quando era mata e terra e não havia energia, que era de "cidade dos barreiros". Explica que história é essa?
A mata que existia na região teve um papel importantíssimo no controle do tempo, do clima da gente, essas coisas. Onde existe mata sempre chove mais, né ? E naquele tempo, quando Maringá era boca de sertão, aqui chovia muito, então o pessoal apelidou de cidade dos barreiros, a cidade da poeira, porque quando chovia as estradas ficavam praticamente intransitáveis, e no tempo da seca o pó da terra era muito grande e formava nuvens que cobriam as estradas. Esse apelido veio daí.

Maringá ainda é uma cidade significantemente nova. Na sua opinião o que gerou esse progresso rápido?
Quando o Maringá Novo, em 1947 começou a ser aberto o café lá da zona rural já estava começando a produzir e esse café é que, para o meu entendimento, foi a mola propulsora desse grande progresso que Maringá alcançou em tão pouco tempo. Porque o café naquela época era conhecido como o ouro verde do Brasil, atraia gente de todos os Estados para cá, para plantar café, com o sonho de ter aqui um futuro melhor. Aterra é dadivosa, eles falavam que "nas terras do Paraná tudo o que se planta dá". Era uma verdade. A terra roxa não era só para o café, toda a espécie de cereais.

E o senhor acreditava nesse progresso?
Quando cheguei aqui, em 1947, também os outros que chegaram nessa época, não acreditávamos que Maringá teria o progresso grande que teve, porque era uma boca de sertão. Eles só sonhavam com esse futuro grandioso, mas nunca imaginavam que esse futuro fosse assim tão de repete como foi. Tanto é que poucos anos depois Maringá passou a ser já, desde jovem, a terceira maior cidade do Estado do Paraná. Então, para nós, ver uma cidade de 60 anos sendo a terrceira do estado do Paraná, que tem cidades centenárias, isso é uma prova evidente do progresso que esta região teve.

O senhor criou a Associação dos Pioneiros. Qual a importância para Maringá e quantos pioneiros vivos estão cadastrados nessa associação?
Maringá tem mais de 3.500 pioneiros que estão cadastrados na prefeitura. Eu criei essa associação para procurar valorizar a categoria dos pioneiros de Maringá e graças a Deus, depois que criamos essa associação todas as administrações municipais têm procurado homenagear os pioneiros de diversas formas.

Na sua opinião, o que está faltando em Maringá?
Quando se fala em pioneiro, só os pioneiros homens são lembrados e as mulheres desses pioneiros que vieram para cá e passaram todas as dificuldades que eu te falei, não são lembradas ou homenageadas como deveria ser feito. Eu acho que as mulheres também merecem ter uma menção honrosa, elas mereciam até ter um monumento em praça pública para lembrar esse heroísmo delas. Eu acho que é isso que ainda está faltando em Maringá.

E o que Maringá tem como motivo de orgulho nesse 60 anos de história?
Maringá alcançou grande progresso não só pela sua qualidade de terra, mas também pelas coisas grandiosas que tem. Temos a nossa Universidade Estadual, temos cerca de 10 faculdades em Maringá, então eu falei que Maringá tem uma das maiores indústrias que pode um país ter, no meu entendimento, a indústria do saber. Quer dizer, a pessoa só pode galgar posições melhores na vida, se conseguir estudar, se formar e Maringá oferece essa oportunidade através do ensino que tem.

Imagem/www.afacci.com.br/fotosnovas/antenor.jpg
As marcas de uma história de sonhos que foram concretizados
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