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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  14/04/2007
  3 comentário(s)


Diogo Portugal - "Ser humorista é um acidente de percurso"
Humorista curitibano afirma que fazer humor é surpreender o público e que boas piadas podem estar em situações cotidianas
Diogo Portugal - Danielle Sgorlon
"Quando eu disse pra minha mãe que seria humorista, ela me disse: Filho, não faz isso, as pessoas vão rir de você. E graças a Deus, estão rindo."

Esse é Diogo Portugal, 38 anos, natural de Curitiba. Humorista há 11 anos, dono de uma enorme agilidade em construir piadas. Já trabalhou como guia turístico, professor de inglês e até como funcionário público, mas descobriu sua verdadeira vocação em fazer as pessoas rirem.

Hoje com três espetáculos em cartaz é presença constante em programas de TV e em palcos de todo o Brasil. Para ele, qualquer fato, notícia ou acontecimento pode se transformar em uma piada, mas considera difícil trabalhar com alguns temas. "Falar de política, futebol e religião é sempre difícil, divide a platéia. Mas mesmo assim eu já falei dos três temas e tive êxito."

Portugal gosta de brincar até com o fato de ter nascido em uma família de advogados. "Meu pai era desembargador e eu sou humorista. Então, costumo dizer que em casa todo mundo fez direito, só eu fiz errado."

Em entrevista ao vivo para o Jornal Matéria Prima, Diogo Portugal falou sobre sua vida, carreira, seus personagens e seus projetos de trabalho.

Seu estilo é o de comédia stand up, de piadas prontas, você considera esse estilo mais difícil que os outros?
O humor tem um objetivo, que é tocar as pessoas, tentar ser engraçado, não existe uma regra de isso é mais fácil, aquilo é mais fácil. Se o cara faz um personagem genial, aquilo é muito difícil e ele conseguiu a fórmula. Tanto no stand up, quanto no personagem, ou no humor de esquete. O humor tem de ter um "quê" de exagero, de surpresa, que faça a pessoa parar e pensar: "caramba, que legal, como é que eu nunca pensei nisso? Por que eu nunca tive essa idéia?" Esse é o desafio de todo humorista, tocar o público de forma que os surpreenda.

Como é feita a construção das piadas e dos personagens?
A piada pode ser feita às vezes relacionada com alguma notícia, por exemplo. Hoje mesmo eu estava vendo aquela matéria daquele Henry Sobel, aquele rabino que foi preso comprando as gravatas. Parece que cada gravata custava 300 dólares, mas, espera aí, quem é que tava roubando quem? Tipo, o Ronaldo Esper, roubando os vasos no cemitério, por que ele fez isso? Ele colocou num fusca, na verdade ele não precisava roubar vasos, ele tinha que roubar um carro. E por que no cemitério? Deve ser para não ter nenhuma testemunha. E o que ele quer com gente morta? Ele já trabalha na Rede TV. Se você reparar em tudo, vê que uma piada boa pode estar escondida, embutida em alguma situação.

Existem vários vídeos seus circulando no YouTube? Ele divulga seus shows, mostra suas piadas. Isso é bom?
O YouTube é muito bom, porque eu tenho fãs lá, coisa que não tinha há cinco anos. Vou completar 11 anos de carreira. E às vezes as pessoas me falam: "caramba, eu te conheço do YouTube". Eles não viram o Faustão, não viram o Jô, não viram um show meu. Eles me viram no YouTube.

O que é o Risorama?
É um festival de humor em Curitiba onde eu reúno humoristas do Brasil inteiro fazendo todos os estilos de humor. É um sucesso de público.

Como surgiu a idéia pra esse festival?
Do meu show. O pessoal do Festival de Teatro de Curitiba assistiu, adorou e disse: "vamos criar um núcleo de humor no festival". Deu certo, eu acho, porque conheço muitos humoristas, viajo pelo Brasil e procuro os humoristas. Acho que nós devemos ser muito colegas, mesmo enquanto concorrentes, porque a gente aprende com os colegas. O elenco do Risorama pega os melhores, mas tem muita gente boa que fica de fora por falta de espaço.

Na mídia os humoristas de maior destaque são sempre do Nordeste ou do eixo Rio/São Paulo. Por que você acha que na região Sul não tem tanto humorista em destaque?
Eu acho que tem, mas não é divulgado sabe. O humor do Nordeste é genial, é divertido e é turístico, as pessoas gostam daqueles números de platéia. Fortaleza investiu pesado no marketing do humor, colocando a cidade como uma cidade do humor. Eles trabalham muito. O que muita gente não sabe é que em Porto Alegre, por exemplo, tem muitos humoristas bons, Roberto Camargo, Rafa Bassos, tem o Magro do Bonfa, o Paulinho Mixaria que faz um humor gostoso de interior. Assim como em Curitiba tem surgido nomes muito bons, como Fábio Silvestre, Hélio Barbosa, tem duas meninas Fabíula e Katiuscia, que são muito boas também. Falta divulgação. Tenho muito orgulho de ter aberto essa porta, de ter começado com o humor na nossa região, mas hoje tem muitos humoristas bons aqui.

Você se inspira em alguém pra fazer seus shows? Algum comediante?
Tanto nos meus colegas quanto em alguns comediantes da velha guarda, em comediantes americanos também. Eu vejo a ousadia de uma piada e me inspiro. Às vezes faço piada com um tema que ninguém teria coragem.

Você tem algum personagem inspirado em políticos?
Acho que todas as figuras políticas são públicas, são passíveis de sacanagem, não podem achar ruim que você faça uma piada com a imagem delas. Eu tenho um quadro com o Maurício Carrara, comediante de Curitiba, que a gente faz um deputado e um senador totalmente corruptos. É muito engraçado, porque eles ficam tramando as falcatruas deles.

Já aconteceu alguma vez de contar uma piada num show e ninguém rir?
Já, acontece muito. Mas quando acontece você tem de brincar com a própria situação. "Caramba, essa piada foi uma droga, né? Deixa até eu anotar aqui pra não fazer de novo." Às vezes falha mesmo, quem nunca falhou na hora "agá" levanta o braço.

No clube da comédia stand up você atua com mais cinco colegas, mas sempre em momentos diferentes no palco. Por que é assim?
A gente estipulou um tempo de show de uma hora e quinze minutos e cada um tem quinze minutos no máximo para atuar no palco. Já completou mais de dois anos e a gente muda os textos mensalmente. Já poderíamos estar escrevendo um livro só de textos autorais. Temos estilos diferentes, então achamos que seria legal ser assim, cada um brinca com seus problemas, com seus defeitos. Eu mesmo brinco às vezes que estou ficando careca, eu uso isso nas minhas piadas.

Em uma apresentação do espetáculo Cabaret, você usou seu divórcio para fazer piada. Isso é que é rir dos próprios problemas?
É isso mesmo. Minha ex-mulher fica muito brava, mas fazer o quê? O Papa falou que o segundo casamento é uma praga. E o primeiro, então?

Você já disse em entrevista que é muito desligado e que isso às vezes te atrapalha. Desligado como?
Sou tão desligado que às vezes conto a mesma piada duas vezes no palco. Quando eu falo que já perdi 18 celulares, as pessoas não acreditam, mas é verdade. Se eu estiver com a chave do carro e uma casca de banana na mão, eu jogo a chave no lixo e fico com a casca de banana. Depois eu me toco e volto lá para procurar.

Qual é a maior dificuldade em ser humorista?
É fazer um show de humor num lugar que não é apropriado. Nossa que resposta boa que eu dei agora. Tô orgulhoso dessa resposta. Às vezes não é você que está errado, é o lugar. Não era para você estar ali. Aconteceu comigo ontem. Me colocaram num lugar enorme, com uma acústica horrível. Eu falava, a voz embolava, as pessoas não entendiam. As pessoas que gostavam de mim ficavam na frente, tentando ouvir, mas foi horrível. É a coisa mais sofrível para um humorista, tentar fazer um show onde as pessoas estão de pé, bebendo, conversando, de costas para você. Isso acontece muito em eventos.

Você tem algum novo projeto?
Tenho sim, é o "Portugal é aqui". Será um monólogo, uma hora e meia de show só meu. Quero elencar meus melhores personagens junto com o stand up. O melhor do meu trabalho. A previsão é que esteja em cartaz até a metade deste ano.

Imagem/Danielle Sgorlon
Diogo Portugal: "Temos de rir até dos nossos problemas"

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