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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  15/12/2006
  1 comentário(s)


ELCI NAKAMURA - "É preciso estar com a mente aberta para o aprendizado"
A jornalista diz acreditar que, mesmo formado, o profissional deve sempre estar pronto para aprender mais
ELCI NAKAMURA - Marcos Landim
Formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elci Nakamura é uma profissional que considera a vontade de aprender e humildade fatores essenciais para o quem está entrando na comunicação. Nakamura já teve experiências em emissoras de TV e há oito anos trabalha na Rádio CBN Maringá. Ela foi umas das grande responsáveis pela consolidação da 'rádio que toca notícia' em Maringá. Em entrevista ao jornal Matéria Prima, Nakamura falou sobre rádio, cultura de massa, televisão e sobre o que é valorizado em um profissional que está procurando emprego assim que sai da faculdade.

Qual foi a sua primeira experiência em jornalismo?
Comecei a trabalhar logo no início da faculdade. Quando percebi que além da teoria acadêmica precisa também ter vivência do que é ser jornalista, fui à luta. Consegui um emprego na sucursal da TV Tibagi em Londrina ganhando metade do piso da categoria, mas estudante "foca", sabe como é, trabalharia até de graça só para ganhar experiência. E lá fui eu. A sucursal não tinha muita estrutura, mas foi uma experiência muito boa porque tive a oportunidade de conhecer os profissionais que atuavam na área quando a gente se encontrava nos eventos que íamos cobrir, e ficava observando o modo deles abordarem os entrevistados. Lia os textos das matérias publicadas depois no jornal, assistia à reportagem na TV concorrente. Eles não sabem, mas foram meus professores na prática.

Por que escolheu Maringá para trabalhar e viver?
Na verdade não escolhi, foi onde surgiu a oportunidade de ser contratada como profissional formada e ganhar, no mínimo, o piso da categoria. Como a TV Cultura precisava de repórter e eu já atuava na área, recebi uma proposta para vir para cá. Quando você é recém-formado e está à procura de emprego, tem de sair do comodismo e ir aonde estão as oportunidades. Claro, eu queria ficar em Londrina, perto da família e dos amigos, mas todo semestre tinha uma turma de jornalismo se formando. Então, o lance era ir para onde tinha vaga, e como em Maringá ainda não tinha faculdade de jornalismo, os londrinenses vinham "invadir" a área.

Na faculdade fala-se muito em trabalhar contra a cultura de massa, que, segundo estudiosos, provoca o alienação na população. Qual a sua opinião sobre isso?
Quando a cultura de massa ganha sinônimo de entretenimento e determina padrão de comportamento e de consumo é prejudicial, uma vez que limita, impede as pessoas de decidirem usando o senso crítico. O que acontece é que tudo é oferecido com uma velocidade muito grande, em conseqüência da evolução dos meios, e isso impede a reflexão do que se está consumindo. As pessoas digerem e nem questionam porque, para que, se é bom ou não. Por isso, é importante a responsabilidade dos profissionais que atuam nos meios de comunicação sobre esta questão e que os acadêmicos também discutam o assunto nas faculdades.

No tempo em que a senhora foi chefe de Redação na TV Cultura de Maringá, era preciso consultar a direção da empresa em assuntos polêmicos ou tudo poderia ser decidido por aqui?
A TV Cultura de Maringá é um braço da Rede Paranaense de Comunicação e a cabeça de rede é Curitiba. A direção de jornalismo fica lá. Então era natural quando surgia algum assunto polêmico, consultar a direção para decidir qual posição tomar.

Em sua opinião, isso engessava o jornalismo local da emissora?
Como afiliada da Globo, era preciso seguir as normas da rede. Quando trabalhei na TV Cultura o problema maior era a falta de espaço para o jornalismo local e estadual. Os jornais eram muito curtos e, por isso mesmo, muita coisa ficava de fora ou era colocada no ar de forma "telegráfica". Ainda bem que isso mudou e hoje existe espaço maior para o noticiário, tanto local como estadual.


Porque decidiu trabalhar na CBN?
Foi bem por acaso. Rádio era um veículo que nunca tive como opção para trabalhar. Mas quando saí da TV Cultura e estava trabalhando numa produtora de vídeo, surgiu o convite para trabalhar na CBN. Considerei um desafio já que a minha experiência em rádio era zero, mas o fato de ser uma rádio só de notícia me atraiu.

Foi difícil se adaptar ao estilo diferenciado que o rádio tem da TV?
Quando eu comentei que ia trabalhar em rádio, muita gente me disse que seria fácil porque eu tinha experiência de TV. Mas são dois veículos bem diferentes, afinal em TV, você tem a imagem que muitas vezes diz tudo. Já em rádio, você tem de fazer o ouvinte "ver" a imagem por meio das palavras que estão indo ao ar. Mas é aí que está o grande lance do rádio, fazer o ouvinte construir a imagem por meio do que você está falando.

O estilo da CBN era algo novo para Maringá. Quais foram as dificuldades para implantar o sistema de rádio al news em Maringá?
Tiveram os incrédulos que diziam que uma rádio só de notícia não ia dar certo numa cidade de porte médio, que era coisa só para grandes centros. Mas bastou entrar no ar e foi uma surpresa! Aliás, eu fiquei surpresa de perceber quanta gente ouve rádio! É que eu mesma não tinha o hábito de ouvir rádio e, então, foi muito legal descobrir este veículo e descobrir que a CBN estava dando certo. Aos poucos fomos nos tornando referência em jornalismo no veículo rádio e isto é muito gratificante. A rádio que toca notícia também deu certo em Maringá.

A senhora é uma das responsáveis pela contratação de jornalistas na CBN. O que é observado nessa escolha?
Vontade de aprender e humildade. Ninguém nunca sabe de tudo e por isso é preciso estar sempre com a mente aberta para o aprendizado. Eu mesma aprendo muito com o pessoal novo que chega à Redação. Por isso observo muito aqueles que têm "sede" de aprender e humildade de reconhecer que nunca se está totalmente pronto, que pode aprender algo mais. Na CBN não se exige uma "voz padrão" porque é uma rádio de notícia. O mais importante é que tenha conhecimento, "faísca" para captar a notícia e vontade de aprender.

No contato que a senhora tem com os jornalistas formados em Maringá o que é possível observar?
O contato que tenho é com aqueles que estão atuando na área e se eles conquistaram um espaço neste mercado tão disputado é porque têm potencial. É claro que nem todos conseguem o melhor trabalho no primeiro emprego, ao sair da faculdade, mas é bom constatar que o mercado está absorvendo a mão-de-obra formada nas faculdades de jornalismo da cidade. Cabe a cada um batalhar para se tornar valorizado como profissional.


Imagem/Arquivo particular Elci Nakamura
Vinda da TV, Elci ajudou a consolidar a rádio CBN em Maringá

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  Autor: Marcos Landim


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