| Login | Crie o seu Jornal Online FREE!

Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

Capa |  Artigos & cia  |  Cidadão Maringá  |  Comentário  |  Conto  |  Crítica  |  Crônica  |  Entrevista  |  Erramos  |  Geral  |  Livro  |  Moda  |  Opinião  |  Reportagem  |  Você no MP


 Entrevista

  01/12/2006
  4 comentário(s)


ELIAS GOMES DE PAULA " "Meu papel aqui é coordenar e ensinar o que sei sobre rádio"

Há mais de 20 anos no meio, historiador concilia a coordenação de uma rádio Universitária e locução em outra

ELIAS GOMES DE PAULA Marcela de Miranda
Nos meados de 1980 a rotina do jovem Elias Gomes de Paula, que nasceu em Petrópolis (RJ), era o trabalho em uma agência bancária de Angra dos Reis. Até que o diretor de uma rádio local o chamou para um teste e ele passou. De lá para cá o rádio é que passou a ser a rotina dele. Elias de Paula veio para Maringá e aqui conciliou as atividades no rádio ao curso de História e, depois, a uma pós-graduação em História e Comunicação, ambas pela Universidade Estadual de Maringá. Na pós-graduação trabalhou com veículos de comunicação, rádio e registros sonoros no meio radiofônico. Atualmente, ele coordena a Rádio Universitária Cesumar e também é locutor da Rádio Universitária FM, da UEM.

Já trabalhou em várias emissoras, como "Costa Azul FM", "Rádio Angra AM", em Angra dos Reis (RJ), "107 FM", "Imperial AM", em Petrópolis (RJ) . Em Maringá, onde vive há 10 anos, ele também atuou na "TV Tibagi".

Em entrevista concedida ao jornal Matéria-Prima, Elias de Paula abordou assuntos que envolvem a Rádio Universitária Cesumar, como a programação, o estilo musical, e falou também sobre a Rádio Universitária FM e os projetos para o futuro.

Porque o senhor veio para Maringá?
Vim porque estava procurando outras oportunidades de trabalho. Já estava no Rio [Rio de Janeiro] há bastante tempo, trabalhando na área de rádio e televisão, estava buscando outros campos de trabalho. Vim para Maringá em busca disso. Meu primeiro trabalho aqui foi na TV Tibagi, do SBT, em seguida abriu uma vaga na rádio da UEM [Rádio Universitária FM]. Sempre preferi rádio do que televisão. Fui para a rádio da UEM no início de 1997 e estou lá até hoje. E aqui [na Rádio Universitária Cesumar] há um ano, entrei em setembro de 2005.

Como o senhor começou a trabalhar na Rádio Cesumar?
Minha chegada aqui foi por vias normais, de entrevista e currículo. Decidiram me absorver na rádio, como coordenador, para poder fazer a implantação da rádio. A rádio tinha toda estrutura física já instalada, computadores, mesas compradas, a parte de estrutura técnica já tinha. Precisava colocar a rádio no ar, fazer funcionar, precisava do pessoal, precisava de um modelo de rádio, de uma estrutura, uma linha editorial para a rádio, de programação, de música, isso não tinha nada. Nesse sentido começamos do zero, não havia nem uma diretriz a ser seguida. A primeira coisa que tinha de ser feita era a contratação de pessoal habilitado para isso, operador de áudio, criar um banco de música, criar vinhetas, produzir chamadas, tudo isso. Tínhamos o canal outorgado com a freqüência, faltava colocar a rádio no ar. Depois de 10 dias [que estava aqui] a rádio entrou no ar.

Como era a programação no início?
Os primeiros três meses foram de caráter experimental. Não tinha uma linha editorial definida, tínhamos a orientação que a rádio era educativa. Então tem umas diretrizes que orientam, tem de ter uma porcentagem de jornalismo, tem de privilegiar a música popular brasileira. Os primeiros meses, tocando música pop brasileira sem uma programação definida. Tocávamos música instrumental, orquestrada, MPB clássico, o que nos tínhamos, sem muito critério. Realmente trabalhamos de forma experimental. O jornalismo muito tímido no começo. O "Cesumar em Foco" foi o primeiro programa jornalístico que colocamos no ar, já nos primeiros dois meses. Hoje temos um desenho, uma grade de programação definida, programas específicos. A grade está consolidada.

Hoje tem mais programas musicais ou programas jornalísticos?
Nós não temos somente programas musicais e jornalísticos. Temos alguns programas culturais de informação, de entretenimento, informativos culturais. Está bem equilibrado, porque a gente tem semanalmente 30 horas de produção, englobando programas jornalísticos, informativos, musicais e informativos culturais. É claro, que música acaba sendo um pouco mais. Se tem 30 horas de produção semanal, imagina um universo de 18 horas diárias de programação, tem muito mais música. Isso é óbvio.

Quem determinou a linha editorial da rádio?
Por ser uma emissora de cunho educativo, tínhamos de privilegiar música popular brasileira. Isso era a orientação legal das emissoras de caráter educativo. Bom, que música popular brasileira vamos escolher para uma rádio educativa? Se é uma rádio que busca privilegiar a cultura de uma forma geral, nós resolvermos tocar " nós, que eu digo, o conselho de programação [professor Cláudio Ferdinandi; Elias Gomes de Paula; Valdete São Jose, assessora de imprensa; a professora de jornalismo Ana Paula Machado Velho; o professor de publicidade e propaganda Afrísio Lucas Junior e o professor e sociólogo Gilson Aguiar]) " música popular brasileira de qualidade e mais contemporânea, novos talentos, música alternativa, por aí a fora. Justamente para contemplar essa fatia do público acadêmico. Não tínhamos uma rádio educativa, que privilegiasse a música contemporânea atual, então resolvemos adotar essa linha, porque a rádio da UEM toca mais música popular brasileira, os clássicos.

Essa seria a diferença entre a rádio da UEM e a do Cesumar?
Sim. A rádio da UEM é bem definida, contempla a música popular brasileira, o clássico, a música mais erudita, o jazz, o blues e a música instrumental. Nós não. Partimos da música popular brasileira, temos horários que contemplam essa produção mais clássica, mas a gente procura tocar mais na grade a música pop contemporânea e a produção atual.

Quais os desafios que o senhor enfrentou ao assumir a rádio?
Os desafios naturais de qualquer início. Contratação de pessoal habilitado,
produção de vinhetas, chamadas, criação, programas que iriam compor a grade de programação, enfim, toda a estruturação interna para que a emissora funcionasse.

Como o senhor consegue conciliar o trabalho nas duas rádios?
Tranqüilo, porque lá sou locutor, não tenho um cargo que exige muito de estar lá, cumpro cinco horas de trabalho. Eu me dedico muito mais no Cesumar porque aqui tenho cargo de responsabilidade, de coordenar a rádio. A minha carga horária é muito maior, a minha atenção é permanente, não me desligo da rádio. Quando não estou na rádio, estou escutando a rádio em casa. Estou monitorando. Aqui tenho a responsabilidade do que é produzido, do que vai ao ar, de dar orientação aos alunos. Meu papel aqui é de coordenar e ensinar o que sei. Isso me dá muito prazer. Por aqui faço, além de fazer locução, ensino. Posso transmitir aquilo que já conheço de rádio. Só consigo conciliar por isso, porque aqui tenho uma carga muito maior e lá tenho uma carga muito pequena.

Na rádio da UEM os programas são produzidos por profissionais. É igual aqui na rádio Cesumar?
A rádio da UEM tem essa diferença também. Lá todo o trabalho é feito por profissionais da área, operadores, locutores e programadores profissionais. Eles são contratados da rádio. Lá o aluno não é atuante e nem o professor. Aqui não. Digo isso com muita satisfação, o diferencial aqui é que os alunos são os maiores responsáveis pelo o que é produzido. Posso dizer que 90% da programação é produzido, pensado, sugerido por alunos, com orientação dos professores. Aqui eles sugerem, propõem projetos, programas, a gente avalia, dá todo o suporte para eles gravarem, orienta naquilo que é necessário, locução, texto, cada professor orienta na sua área. A rádio está aberta, é um espaço de experiência, com todo suporte acadêmico que eles precisam ter, porque ainda não são profissionais. Estão aqui aprendendo.

A rádio Cesumar tem parceria com outras rádios. Quem são e o que eles proporcionam ao ouvinte?
Os parceiros são a Rádio França Internacional, as rádios Câmara e Senado. Esses programas favorecem aos ouvintes, pois podem receber, por intermédio dessas parcerias, programas muito bem produzidos com conteúdo muito bom.

Uma lista divulgada no começo do mês, pelo portal "Rádios" revelou o desempenho das principais emissoras de rádio do Brasil no mês de outubro. Como o senhor avalia o desempenho da rádio Cesumar por estar entre as 400 emissoras do país mais ouvidas pela internet?
Atribuo o resultado ao trabalho de toda a equipe, em especial aos alunos que são os grandes responsáveis pela divulgação dos programas da rádio, que são frutos da produção criativa deles. Os acadêmicos têm feito uma boa divulgação da rádio na web, via blogs, orkut [site de relacionamento], sites e msn [programa de comunicação instantânea], por isso essa boa audiência.

Quais são os projetos para futuro da rádio?
Estamos com intenção de aumentar a potência da rádio, para melhorar a cobertura de som e qualidade sonora da emissora. A rádio irá funcionar 24 horas, a partir de fevereiro. Com isso ampliar o banco de músicas, comprarem mais CDs. E também, vamos ter locução o dia inteiro dos próprios alunos. Para apresentar músicas, porque no meio da programação já tem o jornalismo, o Cesumar em Foco e as notas de informação. Tenho todos os dias essa produção diária, mas a locução das músicas não.

Imagem/Arquivo Pessoal
Elias de Paula diz que alunos produzem 90% da programação

OS COMENTÁRIOS QUE NÃO TIVEREM O NOME COMPLETO DO AUTOR E EMAIL PARA CONTATO NÃO SERÃO PUBLICADOS


  Mais notícias da seção ° no caderno Entrevista
11/08/2008 - ° - Antônio Recco - "Nós não copiamos, nós criamos"
O empresário conta como foi começar uma empresa, continuar no mercado e fala também sobre o SindiVest...
07/07/2008 - ° - Ana Luiza Martins - "Aqui [a imprensa] também é um quarto poder"
Historiadora lança o livro História da imprensa no Brasil que mostra a importância do jornalismo brasileiro...
16/06/2008 - ° - Arcebispo dom Anuar - "Nada que seja feito às escondidas ficará em segredo"
Doença sexual compulsiva mancha a imagem da Igreja Católica e traumatiza a vida de crianças inocentes...
09/06/2008 - ° - Daniele Hypólito - "Dei o melhor de mim como atleta"
A ginasta conta como foi ter ganhado a primeira medalha do Brasil em mundiais e comenta sobre as Olimpíadas de Pequim...
05/05/2008 - ° - Três Centavos - "Nossa intenção sempre foi tocar pelo prazer de tocar"
Banda de rock independente fala sobre dificuldades e aceitação do público em relação a esse gênero musical...
14/04/2008 - ° - Edith Dias - "Assumi pelo descontentamento na parte administrativa"
A vereadora faz uma análise de seu período de um ano como secretária de Esportes da prefeitura...
08/04/2008 - ° - Tchê Garotos - "Tiramos toda a indumentária e vamos ser populares mesmo"
Vocalista da banda fala sobre a transição para o Tchê Music, os sonhos alcançados e os projetos para o futuro...
01/12/2007 - ° - CHRIS DURÁN - "Deus trocou minhas vestes, de cantor para adorador"
Para o artista, o passado é uma página virada: dele, só quer lembrar as experiências que o levaram a Deus...
17/11/2007 - ° - ANGELA TAMIKO HIRATA - "A Havaianas é o produto mais democrático do Brasil"
Segundo a consultora executiva, acreditar no produto e saber se comunicar são algumas receitas para o sucesso...
10/11/2007 - ° - TÂNIA TAIT - "As mulheres tendem a lutar pelos seus direitos"
À frente da ONG Maria do Ingá, professora relata as experiências vividas em 20 anos de atuação pró-mulheres...
20/10/2007 - ° - JOSÉ RIBEIRO DA COSTA - "Um povo que não é culto é muito mais fácil de se manipular"
Conhecido como "Tijolo", ele faz parte do Música, Poesia e Cidadania, mas ainda é registrado como oficial de manutenção...
06/10/2007 - ° - ANDRÉ SANSEVERINO - "Não encaro a nudez com naturalidade"
Fotógrafo da "Playboy" defende princípios morais mesmo em meio a um mundo esteriotipado pela beleza estética...
22/09/2007 - ° - KENJI UETA - "Vindo do meio do mato, encontrei uma cidade moderna"
O pioneiro que registrou toda a história de Maringá, conta como a cultura japonesa sobrevive ainda hoje na cidade...
08/09/2007 - ° - JOAQUIM ROMERO FONTES - "Maringá será a segunda maior cidade do Paraná"
Agropecuarista revela conquistas na cidade e conta como se tornou um maringaense de coração...
18/08/2007 - ° - HENRIQUE CERQUEIRA - "Sem a internet, eu não teria reconhecimento"
Músico maringaense conta sobre sua ascensão na música popular brasileira por meio de Cláudia Leite, do Babado Novo...
11/08/2007 - ° - JOÃO BATISTA COSTA SARAIVA - "Hoje a adolescência já passou dos 20 anos"
Juiz diz que a redução da maioridade penal é um erro, e que o Brasil tem boa legislação da infância...
16/06/2007 - ° - Irmã CECÍLIA FERRAZZA - "Assistencialismo não muda, a pessoa fica na passiva"
Dez anos de administração de entidade a fizeram acreditar que tirar as crianças das ruas pode reduzir o custo social...
02/06/2007 - ° - ANTENOR SANCHES - "Maringá é um sonho tornado realidade"
Foi com simpatia que o presidente da Associação dos Pioneiros de Maringá recebeu o MP para falar sobre a cidade que tanto ama...
26/05/2007 - ° - JACIRA BOENO MACHADO - "Minha vida seria vazia se estivesse sozinha em uma casa"
O trabalho social e uma nova visão de família a transformaram em uma "mãezona"; isso tem sido a razão da vida dela há 30 anos ...
12/05/2007 - ° - SABRINA LEVINTON - "Não é só tendência de moda que conta"
Designer, estilista, colunista, consultora e coordenadora de moda fala sobre a profissão e o mercado em Maringá...
05/05/2007 - ° - LÉO ÁQUILLA - "Sou um homem como outro qualquer"
Artista quer se eleger vereador e criar nova disciplina nas escolas para tornar crianças tolerantes ao pluralismo sexual...
28/04/2007 - ° - LAÉRCIO FONDAZZI - "A população cobra, mas não acompanha o que é feito"
O Procurador-Geral do Município conta como chegou ao cargo, e qual a importância da procuradoria para a prefeitura...
21/04/2007 - ° - LUCIMARA RINALDI DA SILVA - "As crianças estão me ouvindo, sentem o frio que eu sinto"
Contadora de histórias revela como é trabalhar com o imaginário das crianças narrando uma boa história...
14/04/2007 - ° - Diogo Portugal - "Ser humorista é um acidente de percurso"
Humorista curitibano afirma que fazer humor é surpreender o público e que boas piadas podem estar em situações cotidianas...
07/04/2007 - ° - MARCOS CÉSAR LUKASZEWIGZ - "Eu era mais agressivo, mais engraçado"
Em entrevista ao jornal Matéria Prima, o cartunista do "Diário" expõe um balanço dos seus 20 anos de profissão...
31/03/2007 - ° - MARLY MARTIN - "Toda lei tem de pensar no bem maior e não no individual"
Vereadora de Maringá defende o projeto e diz que a cidade ainda tem um sistema de policiamento deficitário ...
15/12/2006 - ° - ELCI NAKAMURA - "É preciso estar com a mente aberta para o aprendizado"
A jornalista diz acreditar que, mesmo formado, o profissional deve sempre estar pronto para aprender mais...
15/12/2006 - ° - RAIMUNDO TOSTES " "Vejo a sala de aula como um espaço para celebração"
Médico veterinário e professor fala sobre o "caso aftosa" no Paraná e sobre sua dedicação à docência...
15/12/2006 - ° - VERDELÍRIO BARBOSA - "A função dos jornais é criticar, elogiar e orientar"
Dono do "Jornal do Povo" analisa imprensa maringaense, defende o estágio no jornalismo e critica o sindicato regional...
09/12/2006 - ° - RONALDO ESPER " "Não gosto de roupa bordada, mas eu desenho, faço e vendo"
Estilista considerado o "rei das noivas" discute temas e assuntos referentes ao seu passado e a moda brasileira...



Capa |  Artigos & cia  |  Cidadão Maringá  |  Comentário  |  Conto  |  Crítica  |  Crônica  |  Entrevista  |  Erramos  |  Geral  |  Livro  |  Moda  |  Opinião  |  Reportagem  |  Você no MP