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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  18/08/2007
  1 comentário(s)


HENRIQUE CERQUEIRA - "Sem a internet, eu não teria reconhecimento"
Músico maringaense conta sobre sua ascensão na música popular brasileira por meio de Cláudia Leite, do Babado Novo
HENRIQUE CERQUEIRA - Leonardo Suzuki
A carreira do cantor e compositor maringaense Henrique Cerqueira, 28, começou aos 17 anos. Cantando na igreja, formou-se em 1997 a banda gospel Pimentas do Reino que, segundo ele, foi "realmente banda" nos anos de 1997, 1998 e 2000. Após o lançamento de dois CDs, "Versos" e "Ficção e Realidade", a banda se desfez e Cerqueira seguiu carreira solo.

As canções compostas pelo músico maringaense sempre circularam na internet que, por sinal, foi uma "abençoada" tecnologia que o ajudou muito: a composição "Pensando em Você" chegou às mãos de Cláudia Leite (da banda Babado Novo) e, a partir de então, virou sucesso nacional.

Henrique Cerqueira sempre optou pelo estilo gospel. Em entrevista ao jornal Matéria Prima ele falou sobre sua rápida ascensão ao universo da música contemporânea brasileira.

Você imaginaria que uma composição sua, chegaria às mãos de uma banda conhecida nacionalmente (como é o Babado Novo) e, o mais importante, uma canção elogiada e aclamada, tanto por parte da banda como por parte do público brasileiro?
Não. Nunca me passou pela cabeça. Até porque essa canção foi feita como uma forma de desabafo. Eu gostava de uma moça e, por isso, cantava, escrevia algumas coisas, mas tudo em nível de casualidade, uma coisa bem pessoal, autobiográfico, e nunca com intuito de mostrar a ninguém. Só nos últimos anos que estou investindo nisso, mas, até então, não foi proposital.

O processo de aproximação entre você e a Cláudia Leite, vocalista do Babado Novo, se deu como?
Alguém mandou a canção "Pensando em Você" para o irmão dela, Cláudio Leite Junior, que é radialista, e ele mandou para ela [Cláudia Leite] que, por sinal, estava fechando o repertório de seu novo CD "Ver-te mar". Ela comentou que quando ouviu a música, chegou a se emocionar e daí resolveu colocar. Ela falou: "Vamos tocar, vamos colocar no CD, sim". Teve algumas resistências por parte do produtor, ela comentou, mas, enfim, foi colocada a música. Antes disso, o irmão dela me mandou um scrap [recado no site de relacionamento Orkut] e fomos conversando por e-mail. Depois, eles ligaram aqui, achei que fosse trote. Foram chegando contratos e, a partir daí, fui sacando que era verdade [risos].

Você diria que a internet foi uma forte influência para o seu reconhecimento como músico?
Claro, foi fundamental. Sem a internet, eu não teria reconhecimento. Eu sempre toquei para a igreja. Nunca tive pretensão de colocar isso para fora. Foi por conta do CD "Versos" que o pessoal acabou pirateando, baixando e colocando na internet. Simplesmente por conta disso. Na verdade, essa música ["Pensando em Você"] foi feita em 1999/2000. A Cláudia [Leite] foi achar no ano passado. Então, na verdade, essas e outras canções estavam correndo na "net" e, graças a Deus, aconteceu. Eles encontraram, aprovaram e gravaram.

Qual é a sensação de algo tão particular "virar moda" na boca de tantas pessoas?
No caso, para mim, é uma coisa muito boa. Eu sou formado em artes plásticas. Trabalho com isso também e sou professor de Educação Artística. Enquanto eu estava na faculdade tinha o maior problema de identidade artística, tipo "Pô! O que eu faço? Quem eu sou?", e uma das coisas do artista muito interessante é quando você tem autoconfiança para sacar: "Eu vou fazer isso, porque eu sei fazer. Então vou me aplicar para fazer". Mas uma segunda afirmação fundamental é o reconhecimento das pessoas. Então nesse contexto, eu estava meio desanimado querendo arrumar minha vida, deixar a vida estável. E música a gente sabe que é complicado, por isso, pedi a Deus: "Me ajude, me direcione". E aí foram acontecendo essas coisas. O mais extraordinário que aconteceu foi a Cláudia. Ela me forçou a profissionalizar. Por exemplo, tive de correr atrás de advogados para entender os contratos. A Cláudia me renovou a vontade de cantar, fazer shows. Por isso, estou atirando minhas fichas todas agora para ver se dá certo, porque se não der agora, não quero mais!

Você começou a carreira, compondo e interpretando somente músicas gospel. No cenário musical, a música gospel é considerada um gênero musical, assim como a música popular " dois estilos distintos e públicos diferentes. Agora, que, de certa forma, entrou no cenário da música popular, o gospel estará sempre inserido em seu repertório?
Na verdade, não. O que diferencia a música gospel da música, digamos, secular [sic], seria a filosofia do cristianismo. O pessoal está acostumado a chamar de gospel, canções por exemplo: "Jesus, eu Te adoro eu Te louvo", e as minhas canções, na verdade, não falam desse jeito, mas falam de Deus. Então com esse formato, eu pretendo explorar mais o aspecto de conceito romântico, monogamia, fidelidade, paixão do ponto de vista do cristianismo, mas em um estilo pop e não citando tanto Deus de forma ortodoxa. Citando Deus, sei lá, como "inventor do coração".

Então há uma conciliação entre ambos os estilos musicais (gospel e popular)?
Sim, claro. Pois há esse interesse de vender. Eu quero vender e não quero só o público gospel, pois o público gospel é diferente, é difícil, é complicado.

As músicas tocadas pela banda Pimentas do Reino eram somente gospel?
Nunca pensamos em cantar músicas românticas. Foi acontecendo essa coisa de fazer músicas para as meninas [risos]. A partir de então, foi o CD "Versos" que começamos a perceber que estávamos vendendo para fora das quatro paredes da igreja, do pessoal evangélico. O pessoal católico, o público secular também estava gostando do nosso som. Aí, resolvemos gravar o CD "Ficção e Realidade" só com músicas românticas. Mas daí, já não tinha mais feeling de banda, era mais: "Ah! Nós devemos isso a nós mesmos. Viemos até aqui, temos uma história, então vamos gravar esse CD". Depois não deu mais certo, não dava muito para conviver. A possibilidade do sucesso eminente mexia muito com as nossas cabeças e a gente não tinha muita maturidade, na época. Por isso, acabou a banda. Agora, o Pimentas tem outra formação, não tem nada a ver com a do "Ficção e Realidade".

A opção por carreira solo seria pelo motivo de seguir um repertório mais popular do que gospel?
Seria. A escolha por não ser gospel é por, eu não querer estar restrito a um mercado só. O mercado gospel é fechado. Só vende para um determinado público. Por exemplo, se falar que vai ter um evento gospel, a galera não vai. Então não dá para viver disso. Já que a Cláudia Leite nos deu essa oportunidade, dentro desse mercado abrangente: "Opa, vamos nesse!". Na verdade, todo mundo sabe que a gente é cristão, mas a gente não quer esse rótulo de gospel. Queremos fazer música!

Os benefícios financeiros em relação ao repertório popular são mais lucrativos do que o repertório gospel?
Com certeza. Consegue-se vender muito mais. A indústria fonográfica gospel é nascente. Já, a indústria fonográfica normal é bem antiga. Por outro lado, dá para perceber que a indústria fonográfica que, eu chamo secular, também está crescendo. A internet é um choque para ela. A queda de vendagens de CDs é grande, porque agora tudo é baixado [download], pirateado. Tem artistas aí que fazem coisas malucas, como o Prince que deu o CD para colocar na internet, a Gwen Stefani que lançou um CD digital. Tudo isso faz com que a indústria invista mais em novos músicos.

O maringaense já tinha certo favoritismo em relação ao seu som. E agora, aumentou?
A experiência mais concreta foi o show feito no dia 12 de junho no [Teatro] Marista. A gente esperava 500 pessoas e foram 1.200. Então, com certeza dá para fazermos mais e mais. Mas é aquele negócio, aqui em Maringá, não tem mercado para aproveitar isso até as últimas conseqüências.

Precisou aparecer nas "telinhas" ou no encarte do CD do Babado Novo para os maringaenses reconhecerem o talento de Henrique Cerqueira?
Não, mas ajudou muito. Duplicou. Sem querer a música toca, é impressionante. A música vai sozinha. O que a Cláudia fez foi quadruplicar rápido a caminhada da música, pois ela [Cláudia Leite] já está na mídia. Senão estava ainda só na internet. Uma coisa muito interessante: as pessoas que ouviam há cinco anos, não ouvem mais. Só começaram a ouvir porque: "Ah! A Claudinha Leite gravou". Daí a gente vê que não é, exatamente, a música, mas uma coisa que agrega.

Arquivo particular/Henrique Cerqueira
Henrique Cerqueira cantando "Pensando em Você" com Cláudia Leite

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