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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  16/06/2007
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Irmã CECÍLIA FERRAZZA - "Assistencialismo não muda, a pessoa fica na passiva"
Dez anos de administração de entidade a fizeram acreditar que tirar as crianças das ruas pode reduzir o custo social
Irmã CECÍLIA FERRAZZA - Víviam Baddini
Atender crianças, adolescentes, jovens e famílias em situação de vulnerabilidade pessoal e social, proporcionando-lhes condições de desenvolvimento humano, educativo, cultural e profissional, orientando-lhes para a participação no cumprimento de seus direitos e deveres na vivência da cidadania ativa. Esses, segundo a presidente do Lar Escola da Criança de Maringá, irmã Cecília Ferrazza, são os objetivos que almejam alcançar com cada criança que entra na entidade.

Com 55 anos de idade e dez de presidência da entidade, a irmã Cecília é de uma congregação pouco conhecida entre os brasileiros: "Irmãs Murialdinas de São José". No Brasil são em 63 irmãs, mas seis estão no exterior.

A congregação nasceu na Itália, em 1953, e chegou ao Brasil um ano depois, em 1954. Murialdo foi um jovem muito rico, nascido na cidade de Turin, na Itália, em 1828. Certo dia abandonou tudo e passou a dedicar sua vida em favor das crianças e jovens mais pobres e abandonados. Em 1873, Murialdo deu início à Congregação de São José.

Sobre religião, a sociedade e a entidade que a religiosa conversou com a reportagem do jornal Matéria Prima.

De onde vieram as Irmãs Murialdinas de São José que comandam o Lar Escola?
Nós somos do Rio Grande do Sul. Viemos parar aqui no Lar Escola a pedido do [então arcebispo] D. Jaime, que em 1972 pediu para as irmãs assumirem o lar. Naquela época era um internato de meninos e era difícil administrar, por isso não parava gente aqui. Então ele [D. Jaime] pediu para nós virmos aqui conhecer, administrar o Lar Escola.

A entidade foi cedida às irmãs?
Não. O Lar Escola não é nosso. Estamos aqui apenas prestando serviços. Desde 1973 as irmãs assumiram o Lar e estamos tentando colocar o melhor que nós temos dentro da nossa preparação espiritual de atender aos pobres, as crianças, os adolescentes e as famílias. Sobretudo aquelas mais pobres, excluídas. O nosso atendimento prioriza os bairros da periferia.

A entidade oferece o curso de informática gratuito. Para quais pessoas é possível o acesso?
Temos dois laboratórios de informática. Um é destinado aos adolescentes e crianças do Lar Escola, que abrange a faixa etária dos 7 aos 12 anos. O outro é aberto aos jovens acima de 14 anos e pessoas da comunidade que comprovem a sua pobreza. Isto é, estamos aqui abrindo as portas, sem custo nenhum, para pessoas que não têm condições de aprender em outro lugar, [não podem] pagar um curso.

Dos 31 educadores, apenas quatro são voluntários. Por que não têm mais?
Porque as crianças precisam de professores capacitados para sua oficina, que venham todos os dias. O voluntário não tem compromisso, vem quando pode. Nós precisamos de pessoas disponíveis de segunda a sexta. Então nós temos de ter o salário, assim devem prestar contas do trabalho.

De onde vem a renda mensal?
Temos projetos, como o "Agente Jovem", que a entidade recebe do governo federal R$ 10 por mês, para sustentar o jovem, e ele recebe bolsa de R$ 65. Temos a verba de R$ 10 mil mensais para pagamento de funcionários. A folha de pagamento é de R$ 25 mil. Para conseguir o restante nós montamos um novo projeto, o "Acreditando no Futuro". Com o projeto, estamos procurando pessoas e apresentando o Lar Escola, para que façam a adesão de contribuição mensal, complementando o que nos falta. Porque só com o que recebemos em folha temos um déficit de R$ 15 mil. Temos jantares para empresários, convidando-os para fazer doação e também "churrascadas" beneficentes a cada dois meses. E tem quem traga roupas, calçados, móveis que revertemos em bazar semanal, que nos rende R$ 200, R$ 300 por semana.

Uma das características do Lar Escola é não praticar o assistencialismo, que é a doação de cestas básicas, roupas, calçados. Por que foi decidido não aderir a essa prática?
Porque nós já oferecemos três refeições para as crianças. Damos café da manhã, almoço e damos um lanche à tarde, que pode ser um "sopão" ou um bolo com café, chocolate ou suco para mais de 350 crianças. A "choradeira" é "eu não tenho emprego, não tenho dinheiro para pagar minha água, minha luz". Nós temos outros cursos, que são para a ação comunitária ampliada, como o "Adolescente Aprendiz", em que o jovem é encaminhado por dois anos para receber bolsa, aprendendo. Se ele for bem, é efetivado pela empresa. Se ele não é efetivado, sai com o certificado, mostrando que tem dois anos de experiência. Nós queremos capacitá-lo para a vida. Assistencialismo não muda, a pessoa fica na passiva. "Alguém ajuda aqui, a outra igreja me ajuda lá e eu não mudo". Nós não queremos isso.

A senhora considera que o projeto Adolescente Aprendiz é um atrativo do Lar Escola?
Sim, o atrativo principal é o projeto. Outro fator é que a educação infantil vai até os 6 anos. Comece a conversar com as mães depois dos 6, o desespero é muito grande, porque elas têm de trabalhar, e ficam preocupadas com os filhos que ficam soltos dentro de casa ou na rua. Estamos tentando tirar as crianças e os adolescentes da rua em um trabalho preventivo, porque depois é muito mais alto o custo social. Depois tem de recuperar um jovem drogado ou já na criminalidade, o custo é muito maior.

Qual o critério para entrar no Lar Escola?
O requisito que a gente segue é o de meio salário mínimo per capita, porque todos querem entrar. Alguns chegam e dizem: "não, mas eu pago", mas o nosso objetivo não é que paguem, e sim dar oportunidades aos que não têm condições de pagar.

Existe alguma resistência das crianças para virem ao Lar?
Da escola [regular] eles não gostam muito não. A gente tem de trabalhar muito, motivar. Agora para vir aqui eles não têm resistência. Quando tem de sair daqui, na formatura do Adolescente Aprendiz, nós percebemos que eles não gostam de se desligar.

A senhora acredita que a maior causa de alguns jovens e adolescentes acabarem como criminosos, seja por falta de estrutura familiar?
O que nós percebemos aqui é que os pais deram vida, mas os jovens estão perdidos na vida. Não têm limites, não têm laços familiares, não têm estrutura familiar, não têm valores que sustentam a sociedade familiar. Cada um busca o que fica mais fácil. E depois vem o desespero. Ou nós acordamos juntos para uma causa preventiva ou, conseqüentemente, nós teremos problemas e problemas.

Imagem/Víviam Baddini
"Ou acordamos juntos para uma causa ou teremos problemas"

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