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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista

  08/09/2007
  4 comentário(s)


JOAQUIM ROMERO FONTES - "Maringá será a segunda maior cidade do Paraná"

Agropecuarista revela conquistas na cidade e conta como se tornou um maringaense de coração

JOAQUIM ROMERO FONTES - Flávia Torres
Joaquim Romero Fontes é paulista e chegou a Maringá ainda jovem. Agropecuarista, é um dos pioneiros da cidade. Em julho de 1979 estava entre os fundadores da Sociedade Rural de Maringá além de ser o associado número um e primeiro presidente da entidade. Ajudou a criar a Cooperativa de Cafeicultores, a atual Cooperativa Agroindustrial de Maringá, (Cocamar). Foi também um dos principais responsáveis pela conclusão das obras da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória. Por dois mandatos, foi presidente do Clube Hípico de Maringá, além de ser atuante nos movimentos sociais e pelas causas comunitárias.

Fontes foi cafeicultor e acompanhou os ciclos seguintes da agropecuária no noroeste do Paraná. Hoje, aos 91 anos, administra o patrimônio pessoal e trabalha pela agropecuária nacional.

Joaquim Romero Fontes recebeu a reportagem do jornal Matéria Prima no próprio escritório, na Sociedade Rural de Maringá, e contou sua história e suas conquistas.

O senhor é paulista e mudou-se para Maringá ainda jovem. Como foi sua infância?
Eu sou filho de um pai que teve 14 filhos, sendo sete homens e sete mulheres. Eu sou o primeiro filho, o mais velho. Trabalhei com meus pais desde cedo, até os 20 anos, na roça, e entendo de tudo que é serviço braçal, do trabalho no campo. Nunca cursei uma escola, porque nunca pensei que um dia iria alcançar algumas missões de trabalho que eu entendesse que precisava ter certo preparo.

Como começou sua vida? A construção do patrimônio?
Me casei aos 20 anos com uma pessoa que sempre me acompanhou e me ajudou a vencer na vida, Luiza. Até hoje, com 70 anos de casado, tenho orgulho de tê-la como esposa. Depois que me casei, me mudei para a cidade. Comecei minha vida com sete contos de réis em 1937 e montei uma casa de cereais. Comprava e vendia arroz, feijão para os comerciantes da minha cidade, Taquaritinga, [interior de São Paulo] e das cidades vizinhas. Ganhei credibilidade, pois todos os comerciantes me davam preferência na compra do produto pela qualidade e preço. E em 1944, eu já tinha um patrimônio avaliado em 400 contos de réis. Me mudei para Lucélia, onde montei uma máquina de café e de arroz. Lá eu trabalhei comprando arroz em casca e vendendo até 1949. Foi quando vim para o Paraná e, por sorte, a primeira fazendinha que eu fui ver já me entusiasmou. Entrei em entendimento com o vendedor e chegamos a um bom termo. Consegui comprar a propriedade que tinha uma colheita muito boa.

Por que o senhor escolheu Maringá?
Naquela época, Maringá era muito divulgada no Brasil inteiro. Falava-se numa região muito promissora e estava na mídia como uma das melhores regiões do País em terras de primeira qualidade e a lavoura principal era o café. Eu sou filho de cafeicultor e, graças a Deus, entendo muito como se conduz uma lavoura de café e como se deve fazer para colher bons frutos.

Depois de tanto apostar e investir na cidade, qual é a sua visão diante da Maringá de hoje?
Bom, ninguém de nós aqui podia pensar que Maringá ia se tornar a metrópole que é hoje. Eu não sei se alguém vai acreditar nessas palavras, eu acredito. Daqui uns 12 anos, Maringá será a segunda maior cidade do Paraná. Eu, na idade que estou, não vou ver, mas vocês vão [chora]. Isso [Maringá] tem um potencial muito grande e ninguém sabe desse potencial. Acredito muito em lugares novos.

O senhor nunca pensou em seguir a carreira da política?
Não, nunca pensei porque sei que não me enquadro nesse trabalho.

O senhor tem três propriedades em Rondônia. Por que investir tão longe?
Voando por cima. Naquela época, se falava muito em café, e vi um espigão muito bonito e falei para o meu piloto: "Olha que lugar bonito aqui". E comprei de uma órfã, que o pai era político e tinha sido assassinado. É a fazendinha mais bonita que tem perto de Vilhena [interior de Rondônia]. E meus netos colocaram o nome da Fazenda de "seu Joaquim".

O que considera o momento mais marcante nos seus 91 anos de idade?
Foi fazer parte da construção da Catedral [chora]. Nesses últimos dias, eu diria que uma homenagem que me fizeram marcou meu coração. Fui convidado por meu amigo e conterrâneo, Guerino Guandalini, que hoje é presidente do sindicato rural de Astorga, ele e o colega que é presidente do sindicato de Maringá, José Borghi, vieram me falar que eu tinha sido escolhido por todos os companheiros do sindicato para receber uma homenagem na casa do criador, na sociedade rural. Me sinto muito orgulhoso por ter sido lembrado. Esse convite também ficou marcado em meu coração para sempre.

Por que a Catedral se tornou um marco na vida do senhor?
Fiz parte de uma comissão na casa de dom Jaime [dom Jaime Luiz Coelho, primeiro bispo de Maringá]. Nesta reunião falou-se sobre o reinício das obras da Catedral, porque já havia os alicerces, e a obra parou na altura das janelas. E ficou assim, se não me engano, uns dois anos sem ninguém mexer em nada. Dom Jaime nos convidou para continuar. Nessa reunião eu fui nomeado o primeiro tesoureiro e dom Jaime nos pediu que fizéssemos um trabalho agilizado para que no dia 10 de maio [aniversário de Maringá], a cruz estivesse colocada no topo da Catedral. Quando terminou a reunião, eu perguntei para dom Jaime se ele nos dava poderes para fazer e desfazer no sentido de agilizar a construção para atender ao pedido dele, e ele aceitou. Assim foi feito. Quando iniciei, já tive de me preocupar aonde eu ia e na porta que eu deveria bater para conseguir recursos. Foi quando me recordei que eu deveria falar com o senhor Alfredo Nyeffeller que era o diretor da companhia de terras do Paraná [Companhia Melhoramentos Norte do Paraná], aqui em Maringá. Conversando com ele, pedi para marcar uma entrevista com o doutor Hermann Moraes de Barros [então diretor da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná] para nos ajudar com o cimento para agilizarmos a obra. Senhor Alfredo foi muito gentil e me ligou logo dizendo que doutor Hermann estava me aguardando. Eu, o segundo tesoureiro e falecido Ênio Pepino e o também falecido Monsenhor Sidney Zanettini, conversamos com o doutor Hermann, ele disse que mandaria todo cimento que precisasse para a construção da Catedral [chora]. Nesse momento, nós o agradecemos muito. Isso nos proporcionou condições muito favoráveis para agilizar a obra. Tenho um grande orgulho de tudo o que fiz, mas quando se toca em relação à Catedral, eu me sinto muito orgulhoso de ter feito parte dessa construção [chora].

Depois de passar por tantas experiências ao longo de sua vida, quais os conselhos que o senhor daria para a geração atual e futura?
O conselho que eu dou a vocês [jovens] é que a vida moderna evoluiu de maneira que ultrapassou alguns ensinamentos de Deus. Nós todos devemos pensar que temos de realizar nossos trabalhos sempre respeitando os divinos ensinamentos, e dentro desses princípios nada de mal acontecerá na vida da pessoa.

Imagem/www.maringa.pr.gov.br/adm/images/expoinga2006yp.jpg
Joaquim Romero Fontes, aos 91 anos e muitas histórias para contar

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