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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista

  07/04/2007
  2 comentário(s)


MARCOS CÉSAR LUKASZEWIGZ - "Eu era mais agressivo, mais engraçado"

Em entrevista ao jornal Matéria Prima, o cartunista do "Diário" expõe um balanço dos seus 20 anos de profissão

MARCOS CÉSAR LUKASZEWIGZ - Danilo Donato
Marcos César Lukaszewigz, o Lukas, 44, nasceu em Mandaguari, mas mudou-se para Maringá aos 7 anos de idade. Começou a carreira fazendo ilustrações para a extinta revista "Pois é" e a seguir foi para o "Jornal de Maringá", atual "Jornal do Povo". Em 1991 foi contratado pelo jornal "O Diário do Norte do Paraná", onde até hoje publica uma charge diária na página 2 e uma coluna aos domingos. Nesse mesmo ano um dos seus trabalhos foi tema da prova de Redação do vestibular da Universidade Estadual de Maringá e seus cartuns já serviram para dissertações do programa de pós-graduação em Letras da UEM.

O chargista, que já lançou dois livros ("O que vier eu traço" em 1991 e o "Demos Graças" de 2000), ambos produzidos de forma independente, e que já realizou dezenas de exposições em toda a região, diz acreditar que já fez cerca de 10 mil charges. Lukas recebeu a reportagem do jornal Matéria Prima em casa. Brincou no portão, como alguém que fala por trás das grades, com a mesma irreverência que usa nas charges que faz.

O bate-papo foi sobre os seus 20 anos de carreira, as mudanças que sofreu nesse período, a rotina de trabalho, os principais problemas enfrentados, a relação dele com os leitores e a vontade de querer mudar-se para Santa Catarina.

O que você acha que mudou no Lukas de hoje e o de 20 anos atrás?
Eu percebi que depois que comecei a trabalhar com fatos políticos, perdi um pouco do humor sarcástico que tinha no começo. Eu era mais agressivo, mais engraçado. Tenho de voltar para aquele meu lado menino, um lado mais brincalhão. Estou fazendo muita coisa séria, um negócio meio sisudo.

Como você consegue produzir charges todo dia?
Ah, eu sou meio folgadão, trabalho em casa. Já tem o lado bom disso, porque minha mente fica na boa, não sou obrigado a ter o compromisso de entregar o cartum sob pressão. Outra coisa é que você não pode ficar velho. Eu leio gibi, gosto de videogame, pego a bicicleta e saio por aí.

Você sempre segue as pautas em discussão para fazer suas charges?
Eu procuro fazer isso, fazer a charge sobre os temas que estão no jornal. Daí a pessoa pega o cartum lê e vai estar antenada no assunto, vai ligar uma coisa com a outra.

Você já foi processado por causa de alguma charge?
Só ameaças. Uma foi do pessoal da comunidade negra de Maringá. A Sociedade Rural [de Maringá] também invocou comigo. Mas nada grave, não por enquanto. Você tem de saber dosar. Às vezes eu bolo uma charge e nem acabo fazendo porque eu sei que vai dar rolo. É legal? É! Mas eu não vou fazer, mesmo porque, às vezes, nem sai no jornal.

Já te ofereceram dinheiro para você produzir charges contra alguém. Como foi?
Uma vez. Na campanha política de 1988 me chamaram para fazer uns cartuns metendo pau num candidato durante 15 dias, na página 2 do jornal. Aí eu falei para o cara: "eu tenho ética, como vou dar pau no cara?". Eu até conhecia o candidato. Não faço isso de jeito algum.

Você já pensou em abandonar a profissão?
Já, mas eu não sei fazer outra coisa. Se eu soubesse fazer outra coisa, não sei não se abandonaria, nem que fosse para ganhar menos. Tem horas que eu tenho uns devaneios. Eu gosto muito de Florianópolis [Santa Catarina]. Eu e minha e mulher sempre vamos para lá depois do carnaval. Já pensou se eu arrumasse um emprego lá no "Diário Catarinense"? Eu poderia ficar uns 5 anos sem trabalhar, pegar tudo o que eu já produzi e encaixar ali [risos].

E como é a relação do Lukas com os seus leitores? Você recebe bastante cartas e e-mais?
E-mail eu recebo de vez em quando, mas não é muito não, deve ser uns cinco por semana. Carta eu não recebo mais. Hoje ninguém usa mais carta. Mas o contato pessoal é muito legal. Já ouvi falarem bem de mim sem as pessoas saberem que eu sou o Lukas, isso é bom.

Nesses 20 anos você já lançou dois livros e já fez dezenas de exposições. Existe algum projeto para este ano?
Tem um material pronto aqui para fazer uma exposição no Cesumar [Centro Universitário de Maringá] desde o ano passado, mas acabei me enrolando e deixei para este ano. Mas livro... sabe lá se eu quero saber de livro. Livro é meio desgastante por causa do ritual de você ter de ir para a gráfica, depois tem o lançamento e todas essas coisinhas.

E quais são os objetivos para os próximos 20 anos de carreira?
O objetivo é ler mais livros e continuar desenhando. Se pintar alguma coisa diferente eu estou aí, mas não vai depender só de mim, já não tenho muito pique para novos projetos. O que eu quero é viver mais uns 20 anos, pelo menos.

Imagem/Danilo Donato
Lukas em sua residência, mostrando o seu lado irreverente

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