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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista

  12/05/2007
  1 comentário(s)


SABRINA LEVINTON - "Não é só tendência de moda que conta"

Designer, estilista, colunista, consultora e coordenadora de moda fala sobre a profissão e o mercado em Maringá

SABRINA LEVINTON - Ricardo Andretto Fonseca
Argentina naturalizada brasileira, Sabrina Levinton, 26, é formada em designer de produto pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) e especialista de moda pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Como estilista, desenvolveu coleções, produziu desfiles, trabalhou com visual merchandising e design gráfico para marcas nacionais e internacionais. É colunista de moda na revista "Curitiba Deluxe" e referência em assuntos sobre o tema no caderno Viver Bem do jornal "Gazeta do Povo".

Veio de Curitiba onde deixou amigos, abandonou escritório montado de desenvolvimento e criação de moda e até uma marca, denominada "S Levinton", para viver um sonho. Hoje, ela coordena o Senai Maringá Bureau na área de moda & design onde também é consultora. Entre seus trabalhos está a promoção de um dos primeiros eventos sobre o tema na região, o Curto Circuito.

E não pára por aí. Ela também já teve uma de suas criações publicadas na revista italiana "Collezioni", referência para quem pesquisa moda. Sem distinções, está sempre aberta ao conhecimento. Tem educação brasileira e compartilha o coração com a família na Argentina.

Foi pelo seu currículo que Sabrina Levinton chamou a atenção da reportagem do jornal Matéria Prima para falar sobre moda. O mercado está crescendo e Maringá tem participação expressiva nesse campo. A cidade está localizada na região norte do Paraná onde se concentra o segundo maior pólo confeccionista do País, depois de São Paulo.

Como você classificaria o mercado de produção de moda em Maringá?
Maringá tem um campo muito grande. Tem muitas empresas que produzem, que são daqui e vendem para o Brasil inteiro. Embora algumas ainda não trabalhem com design, com a parte de inovação. Eu acho que Maringá tem um potencial muito grande para crescer a partir do momento que desenvolver esse conceito de criação mesmo, de inovação, assim como as pessoas também começarem a entender que não precisam comprar tudo que o vêem à frente. Cada região, cada cidade tem, de certa forma, uma característica. Então cada um acaba se identificando com o produto. O maringaense gosta de moda e isso é bom.

A cidade se destaca pelo expressivo pólo confeccionista. Os empresários seguem algum tipo de tendência?
Seguem sim. Até o tempo daqui de Maringá, em relação a assimilar tendência de moda, é diferente de outras áreas tanto do Estado quanto do Brasil. Algumas empresas - as maiores - acabam tendo de fazer evento com representante, fazer catálogo, tudo isso, eles trabalham com antecedência bem grande em relação a tendência de moda.

Temos potencial para produzir novidades?
Com certeza. A gente, quando fala de design, sempre trabalhou com o conceito de forma e função. Isso vem da idéia do que é o desenho industrial, do que é o design. Você sempre identifica uma coisa nova a partir do momento que se tem o problema. O potencial nada mais é do que uma oportunidade de solucionar um problema. Agora, por exemplo, o problema seria a competência de preços com a China que está deixando todo mundo preocupado e aí é que está nossa grande chance. A gente não vai conseguir concorrer com eles em relação a preço. Então a gente tem de trabalhar com quê? Com inovação.

Recentemente o governo decidiu aumentar o imposto de importação sobre calçados e produtos de vestuário. A cobrança vai de 20% para 35% e tem como objetivo proteger o produto interno da recente invasão de produtos de outras regiões. Você considera importantes ações que protejam o mercado local?
Eu acredito que sim. Eu não acho só suficiente proteger o mercado local, mas incentivar o desenvolvimento. Porque senão as empresas vão ficar presas a isto, sempre esperando que o governo tome alguma ação para proteger o que eles estão fabricando. Isso é interessante porque vai ajudar a dar tempo, vai barrar a entrada desses produtos para o empresário correr atrás e se atualizar. Mas vai chegar o momento que não será o suficiente.

Isso não inibiria investimentos do exterior aqui no Brasil? Não mancharia a imagem do País no exterior?
Olha, o Brasil está sendo visto com bons olhos pelo mercado internacional. Você sempre conversa com alguém ou vê reportagens de pessoas que trabalham no mercado externo de grandes empresas. Eu acho que não necessariamente iniba, ao contrário, é uma boa oportunidade para o mercado brasileiro, para o empresário estar correndo atrás de se aperfeiçoar, se profissionalizar.

Sobre o seu trabalho como estilista. Você chegou a produzir para o mercado nacional e internacional. Existe diferença entre os dois?
Eu acho que não existe diferença falando em questão de criação, de desenvolvimento. Porque a metodologia para desenvolver um produto é você analisar o teu público alvo, o material que tem, a tendência e aí criar a partir dessas informações. Quando você vai criar para o Brasil, você trabalha dentro dos conceitos da cultura brasileira, medidas desse público, costumes. Quando desenvolver para outro país, você vai procurar conhecer a cultura desse outro país.

Quais dos mercados você achou mais atrativo?
É uma pergunta difícil de responder porque eu sou fascinada pela minha profissão. Então, qualquer oportunidade é um desafio novo e é tratado com o mesmo empenho, com a mesma animação, sendo nacional ou internacional. Lógico que quando você fala alguma coisa internacional, você associa aquela possibilidade de ter um reconhecimento, de poder sair em algum lugar. Mas isso não é verdade porque existem milhares de coleções que são super bem retratadas no Brasil. Então eu acho que não tem um mercado específico para se trabalhar.

Qual é o maior desafio do estilista?
É trabalhar com a idéia do próximo. Próximo não de proximidade, mas do que virá. A partir do momento que o estilista termina uma coleção, não interessa se a coleção foi maravilhosa, vendeu muito. As pessoas, os empresários, o mundo quer saber o que ele quer fazer agora, aquilo já foi, virou passado. Eu acho que o mais difícil é você estar trabalhando com o próximo. Esse conceito de nunca parar e sempre estar pensando à frente.

Você ajudou a promover o Curto Circuito, um dos primeiros eventos voltados para o conhecimento de moda na região. Você acha importante a realização desse tipo de atividade em Maringá?
Maringá precisa desse tipo de evento para mostrar que não é só tendência de moda que conta, a gente precisa saber um pouco do tudo que acontece no mercado de moda. Ouvir faz bem e não machuca ninguém. A gente teve um retorno bem interessante das pessoas que participaram para poder trazer outro tipo de informação para as próximas oportunidades.

Você é colunista na revista "Curitiba Deluxe" e referência em assuntos sobre moda no caderno Viver Bem do jornal "Gazeta do Povo". Qual a sua opinião sobre o trabalho da imprensa?
A imprensa tem mais é que se aperfeiçoar nessa área. Lógico, existem pessoas que trabalham com moda que não conhecem moda. O interessante é que conheçam e tenham uma noção pelo menos. Eu acho que são essas pessoas que colocam uma marca para cima e podem afundá-la também. Eu acho que é super positivo qualquer tipo de divulgação para se conhecer esse meio entre a criação e o público.

Você tem algum objetivo profissional ainda não alcançado?
A gente sempre tem. A partir do momento que você realiza um sonho, outros aparecem. Eu tinha um sonho de fazer um desfile, já fiz. Eu tinha um sonho de ter uma marca própria, já tive. No momento eu estou realizando um sonho, porque para mim, coordenar uma área relacionada à moda e design é o reconhecimento de todo o sacrifício em torno da área de moda. Talvez, conseguir expandir esse mercado aqui em Maringá, seja um sonho que se transformou em objetivo. É um objetivo, expandir esse mercado aqui em Maringá e transformá-la em um pólo realmente conhecido.

Imagem/Ricardo Andretto Fonseca
Sabrina diz acreditar no potencial de Maringá para moda

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