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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  27/10/2006
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SEBASTIÃO INOCÊNCIO - "Eu espero que o romantismo volte ainda"
Integrante do grupo Os Seresteiros de Maringá Cidade Canção há 16 anos, Inocêncio ainda sonha gravar o primeiro CD
SEBASTIÃO INOCÊNCIO - Keila Marques
Sebastião Inocêncio, 68, mais conhecido como "Inocêncio" é presidente do grupo Os Seresteiros de Maringá Cidade Canção. Há 16 anos na banda, participou de inúmeras apresentações cantando boleros, tangos, sambas-canção, valsas e mambos. Além disso, fez muitas composições. "A que mais me entusiasmou foi uma música de Carnaval que, infelizmente, por rebeldia dos instrumentistas que inverteram o toque, saiu um samba normal. Mas, a letra é muito bonita."

Inocêncio nasceu em Alegre, no Espírito Santo, mas mudou-se para Londrina (distante 100 km de Maringá) antes de completar um ano de idade. Aos 8 anos entrou para um seminário em Curitiba, estudou música e participou de um grupo de coral. Mas aos 18 anos abandonou o seminário e mudou-se para Maringá. Tentou cursar Direito, porém não se adaptou e preferiu o mundo artístico. Participou de concursos de calouros em uma rádio da cidade. Segundo ele, naquela época ninguém gravava CD quando ganhava o concurso, mas o maior prazer dele era ficar entre o primeiro e o segundo lugares.

Inocêncio é casado, pai de duas filhas, que aprenderam com ele a ouvir músicas de compositores clássicos, como Chopin e Beethoven. Mensalmente, chega a fazer oito apresentações com o grupo, mas de vez em quando também se apresenta em casa. "Minha mulher gosta muito de música romântica, de vez em quando canto para ela, faço uma serenata." Em entrevista ao jornal Matéria Prima, no dia 19 de outubro Inocêncio falou um pouco mais sobre o seu trabalho a Keila Marques e Nádila Toledo.

Como surgiu o grupo Os Seresteiros de Maringá Cidade Canção?
Foram eles que criaram, a Miriam Ramalho, Chico Salles e Euclides Roque de Oliveira. Depois eu entrei, em 1990. Conheci o grupo por intermédio de uma companheira. O marido dela até hoje está com a gente. Naquele tempo Os Seresteiros iam para Poços de Caldas [município distante 675 km de Maringá] e eu fui junto, depois nunca mais parei. Nós éramos mais de 30. Quando tem muitos componentes em um grupo, principalmente de seresta, que cantam músicas muito clássicas. A maior parte não canta, faz número. Então, era só por falar mesmo, ter um pouquinho de grandeza, dizer: "eu sou seresteiro". Hoje estamos reunidos em oito, mas precisamos de mais duas vozes, uma masculina e outra feminina.

Quais são as músicas mais conhecidas tocadas pelo grupo?
São muitas. A mais conhecida é Carinhoso. Além de Alguém me Disse, Boêmia, Volver, Mano a Mano, Mi Buenos Aires Querida e algumas italianas como O Solo Mio.

Os Seresteiros fazem muitas apresentações atualmente?
A gente faz em torno de duas ou três apresentações por semana. Quando as pessoas querem comemorar bodas de ouro, de prata, aniversário, inauguração de empresa ou eventos filantrópicos, nos chamam para a gente ir cantar. Hoje a gente faz mais apresentações do que antes, porque a quantidade que nós temos de componentes cabe em qualquer lugar. Quando éramos um grupo de 25 [pessoas] não dava. Eu lembro uma vez que nós estávamos fazendo uma apresentação em Paiçandu [município distante 40 km], começamos a subir no palco, aí fomos subindo, subindo e uma hora o locutor perguntou: "Tem mais gente para subir ainda?" O palco já estava lotado. Hoje a gente chega a um lugar e agrada pela quantidade de componentes do grupo e pelas vozes afinadas e que têm melodia no canto. Está muito melhor hoje do que antigamente.

Tem alguma história engraçada que aconteceu durante as apresentações do grupo?
Um senhor telefonou pedindo para fazer uma apresentação, uma serenata mesmo. Perguntei: "que horas da noite?" Ele respondeu: "Horas da noite não, 7 horas da manhã, hora em que minha mulher levanta". Ele foi nos atender, aí tomamos a posição em frente a uma janela e começamos a cantar: "Abra a janela querida." Aí ele apareceu, segurando as mãos da mulher e nós continuamos: "Você dorme pensando em outro, este que foi seu amor e eu que tanto te adoro, para mim você não dá valor." Sinceramente, viu, não rimos porque estávamos levando a coisa a sério. Então, tem várias histórias. Mas o que mais acontece é a gente levar flores para a mulher que está brigada [com o marido]. No ano passado fizemos uma apresentação para uns formandos do curso de Direito. A apresentação era para ser de uma hora, mas ficamos três horas e meia. Eram jovens, estavam se formando, mas todos cantaram.

O senhor sempre viveu trabalhando com música ou trabalhou com outras coisas também?
Eu trabalhei 12 anos como representante comercial, viajando, mas tinha tempo para tocar algum instrumento. Nós temos um patrocinador, recebemos uma verba por mês que nos ajuda muito. A necessidade, para nós, não é só cantar as músicas de ritmo antigo, por exemplo, um bolero romântico ou samba-canção romântico, mas utilizar os trajes da época. É uma roupa que nós estamos tentando fazer, da década de 1960, para apresentações.

O grupo não recebe uma verba da prefeitura?
Não. Somos de utilidade pública, mas a prefeitura não nos ajuda. Já foi até aprovado em orçamento, mas a alegação é sempre a mesma: não tem verba. Mas quando eles precisam, aí ligam e nós vamos lá. O prefeito atual dá bastante apoio para nós.

O senhor pretende conquistar mais alguma coisa com o grupo?
Gravar um CD. Faz tempo que estamos na luta, mas agora, com esse patrocinador de São Paulo [de acordo com Sebastião Inocêncio, a banda recebe ajuda de um admirador anônimo, que envia doações em dinheiro diretamente em conta corrente], talvez sobre uma verba para gravarmos. Faz uns dois anos que estamos tentando.

Seus pais influenciaram seu gosto pela música?
Não. De dez irmãos o único que canta sou eu. No seminário eu cantava muito, naquele tempo a gente não sabia o que era aquecimento de voz. Mas foi aí que eu aprendi e desenvolvi minha vontade de cantar. Não faço crítica, mas eu gosto de ouvir cantor. Uma vez um amigo me deu um CD de uma dupla, eu ouvi e devolvi, disse que não poderia ficar com ele. Às vezes eles estão lá no alto das paradas, mas para mim eles não cantam, eles gritam.

O senhor está se referindo à dupla sertaneja Bruno e Marrone?
Não fui eu que falei, hein? Mas, isso não é sertanejo há muito tempo. O Zezé di Camargo também não tem beleza na voz, parece aqueles que gritam igual Tarzan. E esses são os mais valorizados, não sei por quê. Mas a gente que conhece música começa a ouvir e percebe que não tem beleza nenhuma. A música tem de ser bem interpretada, com expressão harmoniosa e a voz precisa acompanhar. Hoje, uma pessoa vai cantar, pega o microfone e estoura a taquara. Eu adoro a voz do Cauby Peixoto, não pelo jeito dele, mas pela voz linda, trabalhada, aquela que dá gosto de ouvir. O brasileiro não tem cultura musical, ele não conhece uma escala musical, é uma tristeza. É por isso aí que a música no Brasil vai perdendo o valor.

Como o senhor começou a se interessar por música?
Quando eu estava no seminário cantava muito em corais, três vezes por semana tinha apresentação. Depois que eu vim para Maringá cantei em uma rádio em um programa de calouros. Meu maior prazer era ficar em primeiro e segundo lugares. A minha voz é barítona [voz masculina que se encontra entre as extensões vocais de um baixo e um tenor], então é uma voz forte. Hoje eu canto em um coral também para aperfeiçoar a voz.

Hoje os jovens escutam novos estilos de música, como o funk. O senhor acha que músicas antigas deveriam ser mais divulgadas entre os jovens?
A verdade é que o Brasil não tem cultura musical, principalmente Maringá. No meu tempo, o estudante era obrigado a ter aula de música. Eu conheço todos os instrumentos, sei toda a escala musical. Mas hoje as salas de aula não têm nada disso. Por falta de cultura musical é que a mídia empurra para os jovens essas coisas e como eles não têm conhecimento, não prestam atenção. Mas se eles pensarem bem e começarem a ouvir música erudita, como Beethoven, Chopin e outros compositores do passado, vão se sentir bem melhor. Onde eu moro conheço uma pessoa que está com um livro na mão, mas ouvindo funk. Quer dizer, não cria uma harmonia. Eu não sou contra, mas a mídia empurra isso aí. Eu espero que o romantismo volte ainda.

Imagem/Keila Marques
Segundo Sebastião Inocêncio, Maringá não tem cultura musical

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  Autor: Keila Marques


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