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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista

  10/11/2007
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TÂNIA TAIT - "As mulheres tendem a lutar pelos seus direitos"

À frente da ONG Maria do Ingá, professora relata as experiências vividas em 20 anos de atuação pró-mulheres

TÂNIA TAIT - Vanessa Fernandes
Em busca de uma realidade mais justa e de proteção à mulher, a professora Tânia Tait há 20 anos participa da ONG (Organização Não-Governamental) maringaense Maria do Ingá. A coordenadora da ONG diz acreditar em uma possível mudança dentro da sociedade contra o preconceito à mulher. No artigo "Mais uma face da discriminação contra a mulher", Tânia Tait comenta a questão da diferença de salários entre homem e mulher que possui o mesmo cargo, além de outros tipos de preconceitos. Ela também expõe a sua indignação para com a sociedade. "O que não pode mais é permitir que nossa sociedade deixe de valorizar as mulheres e suas competências."

Durante a entrevista ao jornal Matéria Prima, a professora demonstrou-se muito empolgada com relação à igualdade de sexos, em todos os aspectos.

A senhora já sofreu algum tipo de preconceito no trabalho?
Eu lembro de um trabalho que tive onde fizeram o chamado corte de pessoal e o primeiro critério que adotaram foi mandar embora as mulheres casadas, porque eles avaliavam que as mulheres casadas tinham marido que poderiam sustentá-las. Onde eu trabalhava ninguém foi cortado, porque era o setor de informática e acreditavam que era imprescindível.

Então com a senhora não aconteceu nada?
Não porque eu era do setor de informática, mas eu vivi o drama das mulheres serem excluídas por causa desse tipo de avaliação.

Qual a sua opinião a respeito dos cargos de chefia que algumas mulheres ocupam?
Se mostrar firmeza no serviço, você consegue trabalhar junto com homens, mas eles olham desconfiados quando tem mulher na chefia porque isso não é muito comum. Eles estão acostumados com homem nos cargos superiores. Quando uma mulher está na chefia, acaba sendo palco de piadinhas, às vezes de reação contrária ao trabalho dela, principalmente nas áreas onde tem mais homens.

Com relação ao salário, há casos onde mulheres, que ocupam a mesma função de homens ganham menos. As mulheres têm alguma parcela de culpa nisso?
É o próprio mercado que faz esse tipo de discriminação, porque você imagina uma pessoa com a mesma qualificação que a outra que tem a mesma função. O que faz com que ela ganhe menos que a outra? É porque a empresa ou a sociedade de um modo geral estão desvalorizando o trabalho daquela mulher, para a mulher enquanto ser social.


As mulheres se sentem ameaçadas com a "agressividade" masculina?
Claro, uma das grandes lutas do mercado é para que haja salários iguais para as mulheres e homens no exercício de funções iguais. Essa é uma bandeira histórica do movimento feminista, dentre as outras bandeiras.

Tem alguma coisa que pode ser feita para mudar essa realidade?
Tem, com certeza. Criar leis que façam com que empresas cumpram esse tipo de normatização. Denunciar quando ocorre esse tipo de situação, porque se você ficar quieto, esse tipo de violência vai perpetuar. Agora, se começar haver denúncia sobre isso, as próprias empresas vão mudando de comportamento.

A senhora acredita numa possível mudança de papéis entre homem e mulher?
Eu tenho uma visão bem otimista, eu acredito que com o tempo esse tipo de situação vai se equilibrando, os salários tendem a ficar iguais para funções iguais. Tende a haver uma partilha melhor das atividades entre homens e mulheres, tanto em casa quanto no trabalho. Nós já vemos muitos homens que vão ao mercado, que cuidam dos filhos, isso é uma tendência. Hoje os papéis estão sendo compartilhados, as mulheres trabalham fora e os homens também cuidam dos afazeres domésticos.

Como coordenadora da ONG Maria do Ingá há 20 anos, o que a senhora pode dizer com relação à experiência que tem?
O que já aconteceu nesses 20 anos foi a estruturação da Delegacia da Mulher, criação de casa abrigo, central de atendimento a mulheres vítimas de violência, leis de proteção à saúde da mulher, leis de proteção ao trabalho, Lei Maria da Penha. A gente percebe que é uma luta histórica que demora muito tempo, mas que vamos conseguindo vencer. Por isso eu falo: o que não pode é ficar quieto, tem sempre que ir denunciando e buscando novas formas para que esses direitos sejam respeitados. Nesse tempo o que eu vi foram melhorias, tem muita coisa para ser feita ainda, mas já conseguimos muito. É um processo lento porque mexemos com a cultura, entrando no pessoal [íntimo] de cada um e isso não é fácil.

E as mulheres souberam aproveitar isso?
Sim. Nós fizemos uma reunião com algumas mulheres e muitas reclamaram sobre a dupla jornada, mesmo assim elas disseram que não gostariam de voltar à vida que tinham, de lavar, passar, cozinhar, porque tiveram a chance de ter liberdade para estudar, trabalhar. Não é mais como antigamente, as mulheres ficavam em casa porque a sociedade não permitia que elas trabalhassem fora. Hoje em dia elas têm a liberdade de escolha para viver da maneira em que cada uma acha melhor.

A senhora acha que o fato de pai e mãe saírem para o mercado de trabalho atrapalha na educação dos filhos?
Eu acredito que a educação seja papel do pai e da mãe e não como acontecia antigamente que era só papel da mãe, tanto que quando ocorria alguma coisa ruim com o filho a primeira coisa que a mãe ouvia era: "você não educou seu filho direito". Uma frase clássica porque essa era a função da mulher. Hoje os dois são responsáveis pela educação dos filhos, pela casa e isso gera uma parceria. Todo mundo sendo responsável por tudo que acontece na família.

A senhora já presenciou algum tipo de preconceito?
Existem empresas de confecções de roupas onde são feitas revistas em mulheres, principalmente as de lingerie porque eles pensam que as mulheres levam roupas embora. Eu já vi uma cena em que as mulheres estavam saindo em fila e uma pessoa ficava no portão da empresa revistando as bolsas. Do meu ponto de vista isso é degradante. Eu nunca vi um homem que trabalha em uma loja de parafuso sendo revistado por acharem que ele estava roubando parafuso. Existem proteções às mulheres que sofrem assédio dentro do trabalho, mas tem de haver denúncia. Muitas vezes algumas pessoas se intimidam e não falam nada.

Como as mulheres podem perder o medo de denunciar?
As mulheres tendem a lutar pelos seus direitos. Existe a declaração universal [dos direitos humanos] e um dos pontos fala que todas as mulheres são livres. Somos sujeitos e não objetos da história, portanto, temos de ter esse pensamento sempre.

Imagem/www.din.uem.br/~tait
Tânia Tait, coordenadora da ONG maringaense Maria do Ingá

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