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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista

  08/04/2008
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Tchê Garotos - "Tiramos toda a indumentária e vamos ser populares mesmo"

Vocalista da banda fala sobre a transição para o Tchê Music, os sonhos alcançados e os projetos para o futuro

Tchê Garotos - Rodrigo Basniak
Com suas músicas sendo executadas pelas principais rádios do País, em especial o sucesso "Menininha", a banda Tchê Garotos se consolida como expoente do Tchê Music, gênero que mistura a música gaúcha a outros ritmos, como o axé, o forró e até o rock
Formada em 1995, é composta por Sandro Coelho (guitarra, voz solo e vocal); Fernando Marinho (voz solo, guitarra e vocal); Léo Bruni (baixo e vocal); Marquynhos Ulyan (gaita e vocal); Viny Leyte (guitarra e vocal); Neguinho Gil (percussão) e Sagüi (bateria).

Em 2000, com a música "Ajoelha e chora", o Tchê Garotos, que era caracterizado como um grupo tradicionalista, começou a fazer parte dessa nova fatia da música gaúcha. No início dessa transição, o grupo foi alvo de críticas por parte dos mais tradicionalistas, que condenavam a mudança, mas resistiu às provocações e hoje se assume mais popular que nunca. Um dos vocalistas do grupo, Sandro Coelho, recebeu a reportagem do jornal Matéria Prima em Ivaiporã (distante 145 km de Maringá) para um bate-papo.

Com o CD "A Gang da Vanera" vocês entraram de vez no Tchê Music. O que os levou a essa mudança?
Essa mudança realmente foi uma construção. A gente começou bem tradicional. Na realidade, a musica tradicional do Rio Grande do Sul pega uma fatia restrita. Se resume a algumas festas, bailes, mas de tu conseguir chegar no povo, na grande massa, isso era o que a gente queria. Mas como fazer isso? A gente passou por alguns momentos bem difíceis, porque na época vivíamos do tradicional. Na realidade, o outro espaço não existia ainda. Muitas vezes a gente cantava coisas que nem sabia o que era, imagine os outros, "subindo" Santa Catarina, e Paraná acima. Foi nessa transição que a gente gravou, de 1999 para 2000. Muita gente disse: "bah, o que que é isso?". Houve uma polêmica muito grande, nesse meio tempo que foi lançado o projeto do Tchê Music. Isso, na realidade, aguçou muito na época. Os CTGs [Centros de Tradição Gaúcha] começaram a proibir a gente de tocar e quanto mais eles proibiam, mais a juventude [gostava], porque a juventude gosta. O nosso público começou a aumentar mais ainda, a gente começou a deixar de tocar em CTG. Em 2002, 2003 a gente começou a trabalhar em outro nicho do mercado: em ginásio, bailão, boate. Até que em 2005 não trabalhávamos mais em CTGs, e [com isso] vimos que realmente tínhamos que fazer o que a gente imaginava: "Agora a gente vai popularizar realmente a nossa música". Aí a gente gravou a "Menininha", que foi a música que abriu as portas do Brasil para o Tchê Garotos e que hoje faz parte da programação das principais rádios do País.

Hoje, após todas as polêmicas do passado, você acha que o MTG (Movimento Tradicionalista Gaúcho) e o MTB (Movimento Tchê Brasil) vivem em harmonia?
Eu acho que houve na época toda aquela polêmica e existe um ditado que diz: "No andar da carroça se ajeitam as melancias". Hoje há uma consciência tanto deles quanto nossa. Se a gente for analisar, a música que a gente toca e do jeito que a gente toca não tem nada a ver com o CTG. Tiramos toda a indumentária e vamos ser populares mesmo.

Quais os planos do Tchê Garotos para o futuro?
Entramos para uma gravadora nacional, que distribuiu nosso trabalho no País inteiro, a Som Livre. A gente teve três meses (de agosto a novembro), de mídia, isso nos popularizou muito. Hoje a gente está num escritório em São Paulo-SP, a W3, que é o mesmo escritório do [dupla sertaneja] Edson e Hudson. A participação do Edson e Hudson na nossa música veio ajudar muito a popularizar o Tchê Garotos, e, principalmente, a ter gravado o DVD deles. Foi um marco na nossa carreira. Depois disso estivemos praticamente em todos os programas de televisão do Brasil, até no Faustão [Rede Globo].

Então essa mudança foi uma maneira de o público brasileiro conhecer a música do Rio Grande do Sul?
Fomos adaptando o vanerão até chegarmos a uma forma em que as pessoas conseguissem assimilar 100%, porque o tradicional no País é muito difícil, é complicado. A gente foi moldando a música até que uma hora ela pegou. Chega a qualquer lugar do Brasil e os caras estão tocando vanerão.

Com o Tchê Music, os mais tradicionais começaram a sair dos bailes. Você acha que essa nova etapa acabou selecionando o público do Tchê Garotos?
A música que a gente começou a fazer automaticamente fez essa seleção. Existiu uma época que a gente sofreu muito, porque as pessoas não conseguiam assimilar isso. Aí até passar por essa transição as pessoas não entendiam que iam a um baile para curtir o que a gente estava fazendo. Não, muitas vezes chegavam e queriam ver o Tchê Garotos tocando que nem "Os Monarcas". Isso não existe. Se tu quer ver os Monarcas tocarem, vai num baile deles. Isso demorou a entrar na cabeça dos mais tradicionais. Quando a ficha caiu, tudo entrou nos seus caminhos, nos seus lugares.

Imagem/www.seifai.edu.br/image/tchegarotos1.jpg
Banda começou tradicionalista e migrou para o Tchê Music

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  Autor: Rodrigo Basniak


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