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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Entrevista
  15/12/2006
  2 comentário(s)


VERDELÍRIO BARBOSA - "A função dos jornais é criticar, elogiar e orientar"
Dono do "Jornal do Povo" analisa imprensa maringaense, defende o estágio no jornalismo e critica o sindicato regional
VERDELÍRIO BARBOSA - Thiago Ramari
Verdelírio Barbosa nasceu em 1941, em São José do Rio Preto, no Estado de São Paulo. Aos 15 anos veio para Maringá. Barbosa viveu a época em que não existiam faculdades de jornalismo e o diploma não era uma exigência do mercado. Por conta disso recebeu, em 1976, o registro legal da profissão. Há 15 anos é dono do "Jornal do Povo" e responsável pela coluna opinativa que leva o nome dele.

Embora não tenha sentado em um banco de universidade, Barbosa afirma que o diploma é importante. Ele diz que houve uma época na qual achava que a graduação era dispensável, mas hoje, diz acreditar na qualidade da formação profissional oferecida pelas faculdades.

Ao mesmo tempo em que elogia a experiência que o meio acadêmico oferece aos estudantes, Barbosa também defende o estágio (proibido por lei no jornalismo), pois, para ele, a melhor escola é a Redação dos meios de comunicação. Além disso, defende também a idéia de que Maringá precisa de um sindicato de jornalistas próprio, não-subordinado ao sindicato da classe em Londrina.
Durante a trajetória como jornalista, passou pelo jornal "O Diário do Norte do Paraná", pela emissora de rádio "Cultura AM", e pelas emissoras de televisão "Rede Bandeirantes" e "RTV".

A entrevista a seguir foi realizada na sala em que Barbosa comanda o "Jornal do Povo". Um espaço repleto de livros, arquivos do jornal, troféus, imagens religiosas e, na parede, logo atrás da mesa onde trabalha, um quadro com a fotografia dele.

Maringá conta com três jornais impressos diários. A relação entre as equipes e direção dos três jornais é conflituosa em virtude da concorrência?
Não, a relação entre os jornais é boa. O "Jornal do Povo" tem relacionamento muito bom tanto com o "Hoje Maringá" como com o "Diário [do Norte do Paraná]". As relações entre o "Diário" e o "Hoje" é que poderiam ser melhores. O Francisco [Silva, dono do jornal "Hoje"] já pertenceu à família do Franklin Silva [dono do "Diário"]. Ele já foi diretor comercial do "Diário" e qualquer mudança nem sempre é amistosa [Barbosa se refere ao fato de o dono do "Hoje" ter sido casado com Lucienne Vieira Silva, filha de Franklin. Com a separação, Francisco Silva desentendeu-se com o ex-sogro. Depois disso, saiu do "Diário" e fundou o próprio jornal].

Os jornalistas que atuam na área opinativa estão sujeitos a críticas. A coluna de opinião que o senhor tem no "Jornal do Povo" é exemplo disso. Como o senhor lida com as críticas?
A crítica é conseqüência essencial e é sempre construtiva. Assim como a gente critica, a gente também tem de saber receber críticas, que corrigem as pessoas. Criticamos para mudar as atitudes e os conceitos daqueles que estão sendo focalizados. O mesmo acontece com o jornalista e com os meios de comunicação.

A coluna do senhor passou a ser publicada também no blog do jornalista Ângelo Rigon, mas os leitores não têm oportunidade de deixar comentários a respeito da coluna. O que motivou a decisão?
Essa é uma decisão dele [Ângelo Rigon]. Acho que é uma questão ética. Se ele abrir para comentários, críticas e sugestões, eu, como o responsável pela coluna, não estarei lá para informar ou, quem sabe, contestar alguma opinião [no caso, comentários de leitores].

O senhor já foi processado por conta de algumas informações e opiniões que publicou. O senhor analisa isso como resultado de atitudes antiéticas ou de erros justificáveis?
Erros justificáveis. Essas coisas são corriqueiras [no caso, os processos]. Eu já recebi processos, já paguei indenização e foi até para um amigo meu, Atair Niero. Paguei a importância que o juiz determinou e continuo amigo do Niero. Acho que essas coisas [os processos e problemas decorrentes de colunas opinativas] são normais.

O senhor afirmou, em debate realizado no Centro Universitário de Maringá (Cesumar), que é a favor do estágio para estudantes de jornalismo. O senhor acredita que é possível adequar o estágio sem que se torne exploração de mão-de-obra barata?
Não tenho uma solução, mas é preciso adequar. A melhor escola, sem dúvida alguma, é o trabalho. Acho que é preciso entendimento entre o sindicato e a legislação para que todos tenham direito ao estágio, não só o [futuro] jornalista. Não tenho uma solução, porque preciso ver qual foi a última determinação do sindicato. Até agora não tive esse cuidado, mas é preciso encontrar uma solução.

O senhor analisa como benefício ou malefício a não-exigência do diploma universitário para atuação na área jornalística?
Já teve um tempo em que achava que o diploma era dispensável. Talvez até pelo fato de que quando comecei não existia curso de comunicação, nem de jornalismo. Achava que a grande escola era, sem dúvida alguma, a Redação. Hoje, no entanto, vejo os cursos de maneira diferente. Os cursos estão mais dinâmicos. Algumas instituições de ensino já têm jornais internos, emissoras de rádio e televisão. Então, o jornalista segue com boa experiência. Se o médico, advogado e contador precisam ter habilitação para trabalhar, acho que o jornalista também precisa ser habilitado.

O senhor acredita que houve melhoras para os profissionais desde que os jornalistas do Norte do Estado desligaram-se do sindicato de Curitiba, no final da década de 1980?
Maringá não tem sindicato de jornalistas. O que existe é uma extensão do sindicato de Londrina e está entregue para quem faz assessoria e relações públicas. Os interesses desse pessoal nem sempre são os interesses dos jornalistas. Se eles [jornalistas que trabalham em Maringá] estão satisfeitos em ter uma extensão do sindicato de Londrina, problema deles. Maringá precisa ter o Sindicato dos Jornalistas de Maringá ou, no mínimo, da região e compete àqueles que militam na área fundar o sindicato, que não é tão difícil de criar. Poderíamos ter aqui o sindicato e os profissionais de Nova Esperança, Mandaguari, Sarandi. Está na hora daqueles que militam na área ter o próprio sindicato.

O senhor é dono do "Jornal do Povo" há 15 anos. Houve muitas dificuldades durante esses anos?
A gente sempre tem dificuldades. Todos têm. Não é só em jornal, mas também em emissoras de rádio e televisão. Você encontra apoio, mas também encontra pessoas que acham melhor você não ter um veículo de comunicação. Hoje, de modo geral, é muito mais fácil fazer jornal do que lá atrás [ele se refere a anos anteriores]. Naquele tempo era muito difícil. Os equipamentos eram caros e o dólar predominava na hora da compra do material. A gente nem tinha tantos profissionais, tantas opções como temos hoje. Então, acho que hoje, apesar de tudo, é mais fácil que no passado.

E quanto à evolução do "Jornal do Povo" nesses 15 anos. Como o senhor analisa?
Acho que a gente tem evoluído bastante. Isso porque têm surgido profissionais na área. Temos uma equipe bastante coesa. No "Jornal do Povo", o Tattá [Otacílio Cabral, que trabalha como editor chefe do veículo] está comigo desde o início. Isso facilita as coisas. Agora, a gente não pode acomodar. A cada dia, a gente sabe que tem de mudar, tem de haver inovações, tem de mudar sempre.

O senhor concorda que a imprensa de Maringá contrate profissionais de outras cidades ou Estados?
Sou contra porque temos muitos profissionais já formados e profissionais que estão surgindo agora. Cada vez que você traz um cidadão de uma cidade ou Estado de fora, você não sabe se ele vai se adaptar à cidade. De repente, o cidadão vende o que tem em outra cidade, em outro Estado, para chegar a Maringá. A família pode não se adaptar. Ele também pode não se adaptar com o local de trabalho ou com as fontes. Cria um transtorno danado.

Então, o senhor não aprova a atitude do "Diário" quando contrata profissionais de outras regiões, certo?
O "Diário" [ele se refere ao dono do "Diário", Franklin Silva] vive sendo prestigiado, principalmente no Cesumar, sendo patrono, paraninfo. Acho que deveria prestigiar mais o pessoal de casa. Até porque os melhores profissionais da imprensa de Maringá, inclusive do "Diário", são aqueles que foram formados na própria cidade.

Em palavras gerais, o que há de bom e ruim no jornalismo praticado em Maringá?
De bom, uma infinidade de coisas. Os jornais de Maringá conhecem as coisas e a gente da cidade e sabem as necessidades que a cidade enfrenta. O lado difícil é que, infelizmente, nem todos entendem que a função dos jornais e dos veículos de comunicação é criticar, elogiar e orientar. Mas ninguém gosta de ser criticado. Todo mundo quer ser elogiado e infelizmente a imprensa não pode fazer isso. A imprensa tem de ser livre, altaneira, não para agredir, para ofender, mas para fazer as críticas, orientar e apresentar soluções.

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Imagem/SanSilva
Barbosa reprova dependência do sindicato de Londrina
  Autor: Thiago Ramari


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