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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Opinião
  23/06/2008
  1 comentário(s)


Nem sempre remédio ajuda a emagrecer
Indicados apenas em casos de obesidade, muitos ainda recorrem aos medicamentos sem mudar o estilo de vida
Nem sempre remédio ajuda a emagrecerMarla Drews
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2004, revelaram que cerca de 38,8 milhões de brasileiros adultos, ou seja, 40,6% da população estão acima do peso. Desse percentual, 41,1% dos homens e 40% das mulheres com idade acima de 20 anos. Segundo o Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) entre os anos de 1998 e 2006 a procura pelos chamados inibidores de apetite cresceu cerca de 500%.

Na tentativa de resolver o problema com a balança, alguns recorrem à medicação. Mas, afinal, qual a ação desse tipo de substância no organismo? E por que essa busca tem sido cada vez maior?

Entre os inúmeros hormônios que agem no corpo humano, a noradrenalina é o que age no chamado "centro da fome" do cérebro. Essa substância controla o apetite, as chamadas anfetaminas, presentes em medicamentos como anfepramona, fenpropex e manzidol. Todos são vendidos apenas com receita médica e controlados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) cuidam da tarefa de controlar a quantidade de noradrenalina no organismo.

Esses medicamentos apenas deveriam ser indicados em pacientes com IMC (Índice de Massa Corpórea) acima de 26. Ainda assim, em que, apesar de o médico haver tentado alternativas de tratamento, não houve resposta positiva. Porém, atualmente os inibidores estão sendo utilizados por pessoas que possuem IMC muito menores.

Ou seja, na maior parte das vezes, estão apenas quatro ou cinco quilos acima do peso ideal, e, em vez de mudar o estilo de vida, com alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos, acham o caminho da medicação muito mais cômodo.

Mas, juntamente com o peso e apetites controlados, e os resultados, consequentemente visíveis, vem uma vasta lista de efeitos colaterais. Boca seca, alterações de humor, taquicardia, depressão, insônia, falta de ar, e, inclusive, o risco de dependência, tal como das drogas ilegais como a maconha e a cocaína.

Um risco totalmente desnecessário para o que é considerado pelos especialistas da área de nutrição apenas como sobrepeso e não obesidade. Além disso, aqueles que escolhem esse caminho estarão sempre sujeitos a ameaça do conhecido "efeito sanfona" assim que a pessoa suspende o uso da medicação. Os quilos perdidos não só podem voltar como o ponteiro da balança aumentar ainda mais do que antes do tratamento.

Mais uma vez, a mídia aparece como uma das vilãs dessa história contribuindo para essa corrida desenfreada pelas formas perfeitas. Irônicamente, em sua edição de maio, ao mesmo tempo em que traz em uma de suas reportagens, uma "bula" alertando para os riscos que essas substâncias representam para a saúde,a revista Boa Forma estimula,nas páginas subseqüentes, a como perder cinco quilos em uma semana.

A professora doutora em saúde pública, Maria Lucia Magalhães Bosi em seu artigo "Autopercepção da imagem corporal entre estudantes de nutrição: um estudo no município do Rio de Janeiro" também alerta sobre a influência que os meios de comunicação exercem na distorção da imagem corporal.A pesquisa, feita com os estudantes, revelou que cerca de 94,3% estava insatisfeita com o próprio corpo, e que o desejo de se adequar ao padrão atual de magreza era crescente.

Ironicamente, futuros profissionais que no exercício de sua profissão deveriam se preocupar em convencer seus pacientes de que esse parâmetro imposto pela sociedade de consumo não é o que deve ser seguido.

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  Autor: Marla Drews


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