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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem
  21/04/2008
  3 comentário(s)


53% dos formados trabalham em outra área
Observatório Universitário pesquisou em um universo de 3,5 milhões de trabalhadores brasileiros formados
53% dos formados trabalham em outra áreaWil Scaliante
Estudo feito em 2006, pelo instituto de pesquisa Observatório Universitário constatou que 53% dos formados no Brasil atuam em profissões diferentes da que cursaram. Os pesquisadores chegaram a esse número depois de comparar microdados do Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2000, analisando a profissão de 3,5 milhões de trabalhadores formados em 21 áreas diferentes.

De acordo com o coordenador do curso de psicologia do Cesumar (Centro Universitário de Maringá), professor Calvino Camargo, a restrição no mercado de trabalho é a principal causa para à não atuação de formados na área. "Nem sempre o profissional que termina o curso superior consegue espaço no mercado de trabalho, até mesmo porque não tem vagas para todo mundo. Se tem mais procura do que oferta, tem uma competição, então o profissional tem que ter uma boa formação."

A pesquisa do Observatório Universitário apurou que na área de enfermagem, 84% dos formados trabalham no que se graduaram. Para a coordenadora do curso de enfermagem do Cesumar, professora Joana Ercília Aguiar, 16% é um número muito pequeno, levando em consideração que a turma tem, em média, 90% de mulheres. "Algumas preferem não trabalhar para ficar em casa, são casadas, e como o campo de trabalho em Maringá está um pouco saturado, elas teriam que mudar de cidade."

Para o professor Calvino a idade em que os alunos têm de escolher sua profissão contribui significativamente para à não inserção dos formados no mercado de trabalho. "Para que a pessoa se desenvolva enquanto profissional é preciso que haja uma identificação. Isto é um fator decisivo para inserção no mercado, para que ele [formado] possa fazer investimentos pessoais na sua carreira profissional."

A professora Joana explica que a falta de maturidade pode atrapalhar no desenvolvimento do aluno. "Ninguém com 17 anos tem maturidade para escolher o que vai fazer para o resto da vida, nem mesmo se eles já tenham em casa a possibilidade de acompanhar uma profissão. Mas não da para esperar, alguns com 40 anos vão resolver que não era isso que queriam."

O estudo nacional aponta que a área médica tem mais formados seguindo no setor. Enfermagem, medicina e odontologia são as formações que apresentam maior correlação entre profissão e curso universitário.

Ter diploma não é garantia de carreira


Graduados encontram dificuldade para atuar em suas áreas de formação; alguns chegam a "engavetar" o certificado


Fábio Guillen
É comum encontrarmos pessoas que se formam em uma área, mas que trabalham em outra, totalmente diferente. Não há profissão que tenha retorno certo, já que sempre dependerá muito do esforço do profissional e das condições que a área exige.

Faculdade conceituada no currículo ajuda, mas na hora de entrar no mercado de trabalho é que os recém formados descobrem que não fizeram a escolha certa ou que a área escolhida não oferece boas oportunidades de carreira. É por isso que muitos chegam a "engavetar" o diploma.

É o caso da fisioterapeuta Heloísa Orlandini Jordão, 24. Ela escolheu a graduação em fisioterapia porque era um sonho e achava que a área oferecia bom campo de trabalho. Chegou a trabalhar com estética e drenagem linfática. Porém, segundo ela, a profissão exige experiência e cursos caros de aperfeiçoamento, e os custos para se manter na área superaram seus rendimentos mensais. "Aprender sobre o corpo humano é maravilhoso, ainda mais para quem adora desafios, fisioterapia era minha paixão até conhecer licitações", lembra.

Desanimada, ela aceitou o convite de uma amiga para trabalhar com consultoria em licitação. "Larguei tudo, cancelei o meu Crefito (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) vesti a camisa, fui estudar, aprender, fazer cursos, mas valeu a pena. Hoje sou executiva de contas, faço o que gosto, tenho desafios todos os dias e o principal, sou bem remunerada", diz.

A fisioterapeuta não é exceção. Everton Souza, 28, graduado em educação física, escolheu a área porque sempre quis ser treinador de futebol. "Cheguei a estagiar no Centro Esportivo de Floriano (distrito rural distante 15 km de Maringá), mas depois de certo tempo percebi que para ficar na área precisava de indicação de amigos e o salário não era o que eu esperava", diz. Atualmente Everton trabalha como auxiliar administrativo. "Se eu tivesse me formado em administração estaria melhor."

O mesmo aconteceu com a jornalista Danieli Crevelaro Gabriel, 23, que achava que sua profissão iria lhe oferecer ótimas oportunidades. "Foi só eu receber o diploma para ver que estava enganada, além de não ter vagas suficientes, a maioria dos jornalistas atuam por tempo de carreira. Trabalho com marketing e pretendo me especializar nessa área mesmo. Jornalismo não era o que eu imaginava.", afirma Danieli.

Imagem/Fábio Guillen
Heloísa Orlandini, fisioterapeuta que trabalha com licitação

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  Autor: Wil Scaliante


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