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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem
  30/06/2008
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Adolescentes não cometem crimes, diz promotora
Para Mônica Azevedo, da Vara da Infância e Juventude, é erro tipificar conduta fora do padrão como violação da lei penal
Adolescentes não cometem crimes, diz promotoraWandreya Franchetti
A promotora de Justiça da Infância e Juventude de Maringá, Mônica Louize de Azevedo, afirma que o número de adolescentes que comete algum ato infracional é menor em relação de adultos. "Existe um mito de que o adolescente comete crime. Na verdade, ele tem conduta fora do padrão", diz a promotora.

Segundo Mônica Azevedo, a maior parte dos adolescentes em conflito com a lei vem das camadas pobres da população. Muitas vezes estão envolvidos com drogas e não freqüentam a escola. Para ela, a adolescência é um período propício à transgressão. "Essa é a idade das mudanças nos padrões de comportamento e, historicamente, é nessa fase que o ser humano gosta de transgredir as regras", observa.

Em Maringá, menos de 0,01% da população é formada por adolescentes em conflito com a lei. "Para cerca de 350 mil habitantes, temos 32 adolescentes privados de liberdade, cumprindo medidas em centros de socioeducação; dois aguardando julgamento; 80 cumprindo liberdade assistida; 50 prestando serviço à comunidade e cem no trâmite entre um procedimento e outro. De forma geral, temos cerca de 300 adolescentes em cumprimento ou em vias de cumprir medidas socioeducativas", explica a promotora.

Desde 1990, quando surgiu o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), os jovens que cometem atos considerados irregulares não podem ser chamados de menores infratores. Segundo Verônica Müller, coordenadora do PCA (Programa Multidisciplinar de Estudo, Pesquisa e Defesa da Criança e do Adolescente) da UEM (Universidade Estadual de Maringá), essa terminologia era própria do Código de Menores que vigorou até a década de 1980. "Não consideramos esses meninos como infratores, eles são apenas crianças e adolescentes que cometem algum ato irregular", diz Verônica.

A coordenadora acrescenta que a redução da maioridade penal não seria a solução para os problemas enfrentados por adolescentes que estão em conflito com a lei. "As pessoas, influenciadas pela mídia, entendem que se o adolescente comete um crime ele deve ser preso. Isto está errado", comenta.

Para a assistente social do Hospital Psiquiátrico de Maringá Paula Fernandes Zampieri, a desestrutura familiar e a condição econômica são dois fatores que contribuem para que o adolescente pratique atos infracionais. "Quando a família não tem pulso firme para deixar o menino na escola, ele fica à mercê da rua e tem mais facilidade para se envolver com drogas. Além disso, quando os pais não têm dinheiro para comprar um tênis ou uma camiseta que ele deseja, o jeito mais fácil para conseguir é roubar. Então, ele acaba entrando no mundo do crime para sustentar o "luxo" e o vício", diz Paula.


Para escrivã, maioria está envolvida com droga


Maiores de 12 anos são encaminhados para casa de recuperação e resgatam a esperança de uma vida digna longe das drogas


Lello Montanher
Segundo Paula Coutinho Domingos, escrivã da 9º SDP (Subdivisão Policial) de Maringá, no ano passado foram registrados 130 casos de infrações envolvendo adolescentes. Ela revela que a maioria dos jovens que comente furtos ou roubos está envolvida com drogas. "Muitos jovens são encaminhados para clínicas de recuperação ou educandários", diz a escrivã.

Um exemplo de educandário é o projeto Recanto Mundo Jovem, coordenado por Rogério Ferreira Alves. Localizado em Iguatemi (15 km de Maringá), o projeto existe há mais de 10 anos e atende meninos acima de 12 anos que estejam em fase abusiva de uso das drogas.

Alves explica que, em um período de nove meses (chamado de graduação), os adolescentes são atendidos integralmente na entidade. "O tratamento funciona por adesão. O adolescente tem que ter disponibilidade e vontade própria de ingressar no processo terapêutico. Fazemos orientação e damos apoio social à família", diz o coordenador.

No Recanto Mundo Jovem, os adolescentes têm aulas de informática para capacitação e profissionalização na área, além de acompanhamento psicológico, reforço escolar com ajuda voluntária e doações. "Também temos as atividades do dia-a-dia que fazem parte do tratamento, que são o trabalho, oração e disciplina " esse é o tripé da nossa casa", conta Alves.

W. D. L. S., 16, é um dos meninos que passaram pela entidade. No dia 16 de junho, ele terminou a graduação e diz acreditar que vai levar para o resto da vida tudo o que aprendeu no decorrer do tratamento.

O adolescente diz que começou a furtar com 10 anos de idade. Aos 14, ele teve seu primeiro contato com a maconha; na mesma idade se tornou pai e aos 15, começou usar craque. O jovem revela ainda que, aos 10 anos de idade furtava objetos porque não tinha condições de comprar e, quando começou a usar drogas, furtava para sustentar o vício. "Arrumei uns amigos que eram loucos por drogas. Já sentia o poder da química no meu sangue, aí comecei a fumar igual louco. Furtava para poder comprar droga, era coisa pequena, mas furtava."

Segundo W.D.L.S. nunca houve interesse próprio de se alojar em um educandário e quando alguém citava essa possibilidade ele recusava. Após ser expulso de casa e passar três semanas nas ruas, devido à sua dependência, o garoto arrependeu-se, e com auxílio da avó, decidiu procurar ajuda.

Hoje, ele diz que tudo o que viveu não passou de uma felicidade "ilusiva". "Eu tentei tirar alguns amigos das drogas, me chamaram de louco, mas sei lá, não quero isso para mim, minha vida é outra longe das drogas. Hoje eu tenho dignidade e está dando tudo certo", diz o adolescente.

O jovem revela que possui vários planos, porém, ainda sente medo do que pode enfrentar na vida. "Vou arrumar um serviço para ajudar minha filha e pretendo voltar a estudar. Meu maior medo é de não conseguir um emprego e sofrer uma recaída."


Imagem Lello Montanher /
No educandário, W.D.L.S. diz fazer planos para o futuro

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